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Eleições de meio de mandato. Quais os riscos para Trump?

- Imagem: Reprodução/AFP

Dennis Munhoz Publicado em 13/05/2026, às 08h00

“Midterm elections” que em tradução livre quer dizer Eleições de Meio de Mandato, fazem parte da lei e da cultura estadunidense. Diferentemente do Brasil, quando elege-se o Presidente dos Estados Unidos pelo período de 4 anos, os deputados têm 2 anos de mandato, ou seja, no meio do período presidencial todos os deputados serão submetidos a novo crivo eleitoral, bem como um terço do Senado. Em novembro deste ano teremos estas eleições.

O partido republicano conseguiu a maioria nas duas casas nas eleições de 2024, garantindo a Donald Trump boa vantagem para aprovar medidas que faziam parte da plataforma eleitoral dele, sem a necessidade de fazer acordos ou ceder à oposição do partido democrata. Realmente a vitória do partido de Trump foi contundente e maior que todas as previsões, restando aos democratas conviver com derrota acachapante.

Normalmente o partido que detém a maioria no início do mandato presidencial acaba perdendo cadeiras e a oposição passa a ter a maioria. Há quase 100 anos isto acontece, com única exceção ocorrida em 2002, logo após o atentado terrorista de 11 de setembro, quando o partido republicano de George W. Bush manteve a maioria e até ganhou cadeiras.

Apenas para lembrar, Donald Trump não pode concorrer à reeleição porque a Constituição prevê que o Presidente só terá direito a uma reeleição e, como ele já foi Presidente entre 2017 e 2020, reeleito em 2024 está fora das próximas eleições. Tanto ele como Barack Obama chegaram a aventar a hipótese de alteração na Constituição, mas o assunto não prosperou.

Os últimos anos da administração de Obama foram “engessados” pela maioria republicana, a tal ponto que o líder da maioria chegou a afirmar que Barack Obama não governaria sem o consentimento do partido republicano. Imagine se Donald Trump tiver que obter o consentimento do partido democrata para governar.

A preocupação do Presidente e do partido republicano é enorme com as eleições que se avizinham, a tal ponto que estão articulando o redistritamento (novo mapeamento dos distritos eleitorais) e poder estadual, inclusive com vários casos desembocando no Judiciário. O sistema eleitoral estadunidense é complexo e burocrático, principalmente na distribuição dos distritos que elegem seus representantes.

O partido republicano tenta habilmente redesenhar este mapa para dificultar a vida dos democratas, que apesar de ainda não estarem recuperados da derrota de 2024, começam a reabilitação. Alta do custo de vida, inflação subindo, gasolina mais cara, taxa de juros elevada e crescimento tímido da economia são as armas do partido democrata há seis meses das eleições.

Aquele conhecido conceito de que eleitor com menos dinheiro no bolso vota na oposição é quase tão forte quanto a lei da gravidade: ninguém revoga. Não há ideologia política, simpatia por candidato ou rejeição que supere o bolso do eleitor na urna. Joe Biden e Kamala Harris foram derrotados nas últimas eleições pela inflação e imigração ilegal.

Será que Trump ainda tem tempo para reverter a situação? O custo de vida aumentou muito neste ano em função do preço do petróleo, tarifas de importação e gastos com a saúde, deixando o eleitor médio norte-americano com menos dinheiro para gastar e aumentando o endividamento, lembrando que boa parte deste eleitorado votou em Trump.

A popularidade do Presidente está muito baixa e reverter esta situação antes de novembro não é tarefa fácil. Cabe a seguinte indagação: se os outros Presidentes conseguiram conviver com maioria da oposição, Trump também conseguirá?

O método Trump de governar torna esta convivência mais complicada e dará aos democratas a oportunidade de “enquadrarem” o Presidente, travando pautas importantes, bloqueando dinheiro e votação de leis, forçando Trump a ceder em vários aspectos, o que não é de seu feitio.

Recentemente o Presidente declarou que, se perder o controle das duas casas (no Senado é mais difícil), vai sofrer processo de impeachment e ser afastado do poder. Não acredito que chegue a este ponto, mesmo porque precisaria maioria simples na Câmara e de 2/3 dos votos no Senado.

A preocupação com as eleições de novembro também é forte entre os postulantes à indicação do partido republicano para concorrer à Presidência em 2028, a saber: J. D. Vance e Marco Rubio, partindo da premissa de que a Constituição não seja alterada para permitir que Trump concorra novamente.

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