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Espetáculo baseado em “Refazenda”, de Gilberto Gil, estreia no Sesc Consolação

Musical celebra os 50 anos de “Refazenda” e convida o público a revisitar as raízes e a riqueza da cultura popular brasileira.

A peça é resultado de mais de dois anos de pesquisa e busca resgatar a vitalidade cultural do povo brasileiro através de suas memórias e tradições - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 21/10/2025, às 14h02

O musical “Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar” estreia em 24 de outubro, no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, em São Paulo.
Produzido pelo Grupo 59 de Teatro, o espetáculo homenageia o álbum Refazenda, de Gilberto Gil, que completa 50 anos de lançamento em 1975.

Dirigida por Kleber Montanheiro, com dramaturgia de Lucas Moura da Conceição em parceria com o poeta Marcelino Freire, a obra acompanha Jeca, um personagem que retorna à sua terra natal em busca das próprias origens. A trama simboliza a luta pela identidade e pela memória cultural do país, entrelaçando música, rito e lembrança em uma narrativa que desafia as noções tradicionais de tempo e espaço.

Jeca surge como representação alegórica do Brasil contemporâneo — um retrato das contradições e da incessante busca por autoconhecimento. A montagem aborda temas como infância, raízes e a reconstrução da nação a partir da cultura popular.

Carolina Faria, atriz e produtora do Grupo 59, ressalta a relevância da peça:

“Jeca é resultado de mais de dois anos de pesquisa e do trabalho contínuo do Grupo 59 ao longo dos últimos 15 anos. O projeto não apenas homenageia o icônico disco Refazenda, mas também traz à cena o povo das feiras e festas – aqueles que representam nossas memórias e raízes. Participar deste espetáculo é celebrar a vitalidade cultural que nos habita e revisitar a casa da infância para cantar sobre o ciclo da vida.”

Inspirado nas letras e imagens de Refazenda, o musical percorre diferentes fases da vida de Jeca Total, que interage com figuras como Pai, Mãe e o velho abacateiro — símbolo silencioso de sua jornada. O cenário, criado por Montanheiro, apresenta um praticável circular que representa o abacateiro, além de caixas de feira que se transformam em espaços de troca e resistência. A iluminação e o som foram concebidos para criar atmosferas que alternam entre sonho e realidade, refletindo o estado emocional da narrativa.

A trilha sonora reúne clássicos de Gilberto Gil, como “Refazenda”, “Jeca Total”, “Lamento Sertanejo” e “Meditação”, interpretados ao vivo por dez atores e quatro músicos. Também inclui composições originais e canções de outros artistas brasileiros, como “Eu Só Quero Um Xodó” (Dominguinhos e Anastácia) e “A Morte do Vaqueiro” (Luiz Gonzaga), sob direção musical de Marco França.

Kleber Montanheiro destaca que “Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar” surge como resposta à escassez de dramaturgias musicais autorais no Brasil. Segundo ele, apesar das transformações do gênero ao longo dos anos, ainda faltam produções originais que unam pesquisa cultural e identidade nacional.

O projeto integra a iniciativa “Ré: a (re)visão de um país”, apoiada pela 42ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. O musical é o primeiro ato de uma trilogia que dialogará com os álbuns Refavela (1977) e Realce (1979), compondo um panorama poético-musical inspirado na obra de Gilberto Gil.

Serviço:

Nome: Jeca – Um Povo Ainda Há de Vingar
Local: Teatro Anchieta – Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245 – São Paulo)
Temporada: 24 de outubro a 23 de novembro
Horários: Quinta a sábado, às 20h; domingos e feriados (15 e 20/11), às 18h; sessão extra em 5/11, às 15h
Ingressos: R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia) e R$ 21 (credencial Sesc)
Vendas: centralrelacionamento.sescsp.org.br e App Credencial Sesc SP (a partir de 14/10, às 17h), ou nas bilheteiras das unidades (a partir de 15/10, às 17h)

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