Entenda como a falta de desenvolvimento interno impacta a rotatividade e descubra soluções eficazes para reter talentos
Zora Viana Publicado em 17/07/2026, às 08h00
O Brasil tem uma das taxas de rotatividade mais altas do mundo. Segundo dados do CAGED, a taxa de turnover do país chega a 51,3% ao ano: um em cada dois colaboradores foi desligado ou pediu demissão nos últimos 12 meses. O reflexo disso nas empresas é uma corrida permanente e cara por reposição, onboarding, reaprendizado e, eventualmente, mais rotatividade.
Existe uma saída para esse ciclo. Ela não está no mercado de talentos. Está dentro da própria empresa.
O problema não é encontrar pessoas. É desenvolvê-las.
Segundo pesquisa do Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Federação Mundial de Associações de Gestão de Pessoas (WFPMA), 71% dos líderes de RH no Brasil consideram a falta de talentos qualificados sua maior preocupação.
Mas há uma pergunta que esse dado não responde: quantas dessas empresas têm programas estruturados de desenvolvimento interno? Quantas construíram trilhas de carreira que fazem o colaborador enxergar um futuro dentro da organização? Quantas investem em transformar o bom profissional que já têm em um profissional extraordinário?
A escassez de talentos no Brasil é real. Mas parte significativa dela é autoinfligida.
O que acontece quando você desenvolve quem já tem
Segundo relatório da GPTW, equipes com lideranças desenvolvidas e humanizadas apresentam redução de 51% no turnover e aumento de 17% na produtividade. Além disso, equipes altamente engajadas mostram 23% mais lucratividade.
Isso não é coincidência. É causalidade. Quando uma empresa investe no crescimento das pessoas que já estão dentro da organização, elas passam a ter um motivo concreto para permanecer. Não apenas financeiro, mas também identitário. Elas se veem crescendo, contribuindo e sendo reconhecidas.
Segundo pesquisa da McKinsey, 56% das organizações afirmam que a personalização dos treinamentos com base em dados resulta em aumento significativo na capacitação dos colaboradores. Empresas que adotam abordagens personalizadas em seus programas de treinamento têm melhora de até 15% na satisfação dos funcionários em relação ao desenvolvimento profissional.
Satisfação com desenvolvimento não é luxo. É retenção.
O modelo que o mercado brasileiro ainda não abraçou
A universidade corporativa, quando bem implementada, transforma a empresa em produtora do seu próprio talento. Ela cria uma linguagem comum de competências, alinha o desenvolvimento às metas estratégicas e gera um ativo que nenhum headhunter pode oferecer: cultura.
As estruturas de universidade corporativa e gestão de talentos foram as que mais cresceram nas organizações brasileiras nos últimos anos, sinalizando uma visão mais integrada entre aprendizagem, carreira e estratégia organizacional.
As empresas que estão crescendo de forma consistente no Brasil não são necessariamente as que mais contratam. São as que mais desenvolvem pessoas. Elas entenderam que contratar sem formar é encher um balde furado.
A conta que ninguém faz
A substituição de um colaborador pode custar entre 50% e 200% do salário anual, segundo a Society for Human Resource Management (SHRM). Para posições altamente qualificadas, esse número pode chegar a 213%.
Some a isso o custo de onboarding, o tempo de aprendizado, a perda de produtividade da equipe durante a transição e o impacto na cultura que cada saída provoca.
Comparado a esse número, o custo de um programa estruturado de educação corporativa, com trilhas de desenvolvimento, pós-graduação in company e formação de lideranças, é irrisório. E o retorno, comprovado.
O talento que você procura no mercado pode já estar dentro da sua empresa. Só precisa ser enxergado, formado e promovido.
A empresa aprende a desenvolver seus próprios talentos para depender menos de um mercado que tem menos profissionais do que ela precisa.
Zora Viana | Psicóloga, Fundadora e CEO da Faculdade FEX Educação
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Sobre Zora Viana
Zora Viana é psicóloga, neuropsicóloga, psicodramatista, escritora, mestranda e pesquisadora na UMC. Empresária e referência na educação profissional, é sócia-fundadora da Faculdade FEX Educação, única faculdade especializada em criação de universidades corporativas e educação corporativa personalizada. Lidera mais de 1.000 empresas com treinamentos e cursos com validade acadêmica.
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