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Vencedores inéditos, pódio democrático e Brasil na F1: o ano de 2020 além de Hamilton

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Vencedores inéditos, pódio democrático e Brasil na F1: o ano de 2020 além de Hamilton

Piloto da Mercedes quebrou recordes, lutou por direitos humanos básicos e ainda conquistou o sétimo título de campeão para ele e para o time. Mas o ano da F1 teve outros atrativos; confira!

O grid de 2020 da F1 — Foto:  Clive Mason - Formula 1/Formula 1 via Getty Image

Com um grande mérito da F1 e da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), a temporada 2020 foi realizada em meio à pandemia e a um enorme desafio logístico – foram 17 etapas em cinco meses. E quando os carros finalmente foram para a pista, show de Lewis Hamilton, que além de ser o maior vencedor da categoria, igualou Michael Schumacher ao se consagrar heptacampeão. De quebra, o britânico ainda teve tempo para uma importante luta social por direitos humanos básicos.

E apesar da dominância do piloto britânico, que levantou o título com três corridas para o fim da temporada, e da Mercedes na tabela do campeonato, o ano de 2020 teve outros elementos que fizeram os fãs de F1 se surpreender aos domingos. Novos vencedores, 13 pilotos no pódio, pistas inéditas (e a volta de antigos circuitos) e até piloto brasileiro na pista. Confira abaixo alguns desses momentos.

Vencedores inéditos

 

O ano de 2020 e suas surpresas. Na F1 não poderia ser diferente. A temporada atípica premiou dois pilotos que roeram muito o osso, mas que agora puderam provar o filé.

O primeiro foi Pierre Gasly, que teve um ano complicado em 2019 ao ser promovido e rebaixado da RBR, mas que aproveitou um erro da Mercedes e se beneficiou da estratégia de paradas nos boxes para se encontrar na liderança do GP da Itália, resistir aos ataques da McLaren de Carlos Sainz para vencer sua primeira corrida na F1 – e também a primeira da AlphaTauri.

Pierre Gasly, emocionado, comemora a primeira vitória na Fórmula 1 no pódio do GP da Itália — Foto: Jenifer Lorenzini - Pool/Getty Images

Novamente em circunstâncias incomuns, Sergio Pérez e a Racing Point apostaram uma estratégia diferente no GP de Sakhir, contaram com um erro grotesco da Mercedes nas paradas nos boxes, e colheram o resultado: a primeira vitória de piloto e equipe na F1. O triunfo do mexicano veio após 10 anos na categoria e encerrou um jejum de vitórias de 50 anos do México na F1.

Ironicamente, ao cruzar a linha em primeiro para vencer a corrida, Pérez se encontrava sem equipe, já que a Racing Point (futura Aston Martin) já havia assinado com Sebastian Vettel para 2021. Mas a conquista não passou despercebida, e o piloto acabou assinando com a RBR para ser companheiro de Max Verstappen no ano que vem.

Sergio Pérez, da Racing Point, comemora vitória no GP de Sakhir com a equipe F1 2020 — Foto: Peter Fox/Getty Images

Muitos pilotos no pódio e duas apostas

 

A imprevisibilidade de 2020 não pararia nos dois novos vencedores. Além de triunfarem, Gasly e Pérez formaram a longa lista dos 13 pilotos que foram ao pódio neste ano. Além deles e do campeão Hamilton, Bottas, Verstappen, Albon, Norris, Sainz, Ricciardo, Ocon, Stroll, Leclerc e Vettel integram essa lista. A última vez que essa quantidade de pilotos subiu ao pódio foi na temporada 2012.

E o número incomum de pilotos que subiram ao pódio revelaram duas apostas inusitadas. Na primeira, um finlandês tirou a sorte grande ao cravar o pódio do GP da Itália, que teve Gasly, Sainz e Stroll. Com um investimento de 0,20 centavos de euro (R$ 1,27), o homem desconhecido teve um retorno de 33.398 euros (cerca de R$ 212 mil).

Sainz, Gasly e Stroll no pódio do GP da Itália — Foto: Getty Images

A segunda aposta teve uma caráter mais brincalhão. Ricciardo apostou com o chefe da Renault, Cyril Abiteboul, que se subisse ao pódio, o dirigente teria de fazer uma tatuagem em sua homenagem. Pois bem, o australiano não foi apenas uma, mas duas vezes ao pódio (nos GPs de Eifel e da Emilia-Romagna). Até hoje não se sabe se a aposta foi paga, mas, pelo menos, Ricciardo fez Hamilton voltar atrás e experimentar champanhe na sapatilha (o “shoey”), mesmo após o heptacampeão ter dito que jamais o faria.

Lewis Hamilton e Daniel Ricciardo fazem o shoey no pódio do GP da Emilia-Romagna, em Imola — Foto: Lars Baron/F1 via Getty Images

A volta do Hulk

 

Com a pandemia e o coronavírus a solto, mesmo com a bolha preparada pela F1, era esperado que alguns dos 20 pilotos acabassem infectados em algum momento do ano. E foi o que aconteceu com a dupla da Racing Point. Primeiro Sergio Pérez, nos GPs da Inglaterra e dos 70 anos da F1; depois, Lance Stroll na etapa de Eifel.

E assim, meio que às pressas, Nico Hulkenberg foi chamado para substituir a dupla. Apesar de perder a primeira das três corridas por um problema no carro, o alemão disputou as outras duas e chegou a pontuar em casa, no circuito do Nurburgring ao terminar a corrida em oitavo.

Nico Hülkenberg após o GP dos 70 Anos da Fórmula 1, no Circuito de Silverstone, em 2020 — Foto: Bryn Lennon/Getty Images

Russell na Mercedes

 

E o vírus chegou também na Mercedes. Atingiu em cheio o campeão Hamilton, que chegou a perder quatro quilos por causa da doença. Mas a sensação do momento, George Russell, estava pronto para assumir o carro preto da Mercedes na etapa de Sakhir. Russell impressionou logo no sábado ao anotar o segundo melhor tempo da classificação.

George Russell, da Mercedes, no GP de Sakhir de 2020 — Foto: Reprodução

Mas foi no domingo que o piloto mostrou seu valor. Ultrapassou o veterano Bottas no início da prova e liderou boa parte da corrida até um erro da Mercedes no pit stop o jogar para o meio do pelotão. George ainda se recuperou e, quando já era segundo e se aproximava do líder Pérez, um pneu furado tirou as chances do piloto buscar sua primeira vitória na categoria, deixando o jovem britânico desolado.

George Russell Mercedes GP de Sakhir F1 2020 — Foto: Mario Renzi - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Pistas que caíram na graça do povo

 

O caótico ano de 2020 também trouxe boas surpresas em termos de pistas. Algumas velhas conhecidas dos fãs da categoria, como Nurburgring (Eifel) e Istambul Park (Turquia) e Imola (Emilia-Romagna), além de circuitos ou traçados inéditos, como o anel externo do Barein (Sakhir) e Mugello (Toscana), na Itália. Destaque para os GPs da Turquia e Sakhir, que protagonizaram as duas prováveis melhores corridas da temporada.

George Russell Mercedes GP de Sakhir F1 2020 — Foto: Kamran Jebreili - Pool/Getty Images

Briga dura no meio

 

E se o campeonato foi decidido com bastante antecedência em favor da Mercedes, no meio do pelotão a briga foi intensa entre Racing Point, McLaren e Renault. A disputa só foi encerrada na última corrida do ano, em Abu Dhabi, que teve a equipe de Woking superando o time dos carros rosas por apenas seis pontos.

Vale lembrar que a Racing Point foi punida no início da temporada com a perda de 15 pontos por ter copiado peças do carro da Mercedes, o que deu a ela o apelido de Mercedes Rosa. Para piorar, Pérez, que havia acabado de vencer a etapa de Sakhir, abandonou o GP de Abu Dhabi com problemas mecânicos.

McLaren, Racing Point e Renault no GP da Emilia-Romagna — Foto: Joe Portlock/Getty Images

Pior temporada da Ferrari em 40 anos

 

E apesar da briga boa no meio da tabela, a fase da Ferrari anda tão complicada que a equipe sequer participou da disputa. Na verdade, o time não ficou nem entre as cinco primeiras equipes na tabela do Mundial de Construtores, terminando o ano no sexto lugar. Esse foi o pior resultado da Scuderia em 40 anos, quando encerrou sua participação no campeonato de 1980 em um amargo 10º lugar.

Apesar disso, a equipe italiana ainda conquistou três pódios no ano, sendo dois de Charles Leclerc (Áustria e Inglaterra) e um de Sebastian Vettel (Turquia). E mesmo durante a fase complicada, a equipe ainda celebrou a incrível marca de 1000 GPs na Fórmula 1 com uma pintura especial no GP da Toscana.

Milagre do Grosjean

 

O acidente sofrido por Romain Grosjean no GP do Barein foi, sem dúvidas, um dos maiores acontecimentos de 2020. Primeiro pela violência do acidente, que fez o carro do francês se transformar em uma bola de fogo. Em seguida pela apreensão de não saber o que acontecia no acidente. Mas o melhor momento de todos foi o alívio de ver o piloto sair são e salvo de dentro das chamas, exaltando a evolução da segurança na F1.

Romain Grosjean Haas GP do Barein F1 2020 — Foto: Motorsport Images

Apesar de ter ficado quase 30s em meio às chamas e ter achado que ia morrer, o francês conseguiu sair do cockpit completamente destruído apenas com ferimentos leves nas mãos, e agora se recupera em casa esbanjando bom humor em suas redes sociais.

Romain Grosjean mostra a mão com queimadura após acidente no Barein — Foto: Reprodução/rede social

Brasil de volta na pista

 

Ainda que por vias tortas, o acidente de Grosjean serviu para que o Brasil pudesse novamente ter um representante nas pistas. Sem poder guiar pela Haas e função dos seus ferimentos nas mãos, Grosjean foi substituído pelo jovem Pietro Fittipaldi, o quarto piloto do clã Fittipaldi a guiar na F1. O piloto, 32º brasileiro na categoria, disputou os GPs de Sakhir e de Abu Dhabi e impressionou a equipe pelo seu desempenho.

Pietro Fittipaldi foi primeiro representante do Brasil no grid da F1 desde 2017 — Foto: Divulgação/Haas

O surgimento de um novo Schumacher

 

O ano também foi um marco para um dos maiores sobrenomes que já passaram pela F1: Schumacher. Após o sucesso de Michael, hoje o recordista de títulos junto com Hamilton, o filho Mick segue seus passos. Além de conquistar o titulo da principal categoria de base, a Fórmula 2, o alemão não apenas garantiu uma vaga na Haas para 2021 como já até estreou pela equipe americana no primeiro treino livre de Abu Dhabi. No ano que vem, Mick fará dupla com o russo Nikita Mazepin.

Mick Schumacher é campeão da Fórmula 2 — Foto: Divulgação / Fórmula 2

Mick Schumacher é campeão da Fórmula 2 — Foto: Divulgação / Fórmula 2

Agora é esperar até março para ver se 2021 será uma temporada tão boa quanto foi 2020. O esboço mostra que será o maior calendário da história da categoria, com 23 etapas. E o melhor, Interlagos volta a sediar uma corrida, agora conhecida como GP de São Paulo – e por pelo menos cinco anos. Até lá!

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GE – Globo Esporte.

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