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Urubu se recupera de cirurgia após ter asa cortada por linha com cerol em Bauru

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Urubu se recupera de cirurgia após ter asa cortada por linha com cerol em Bauru

Animal ferido foi resgatado em campus de uma universidade. Outra ave, um gavião carcará operado no zoo da cidade por causa da mesma situação, em julho, está em fase de fisioterapia.

Um urubu que se feriu após chocar-se com uma linha de pipa com cerol (material cortante) precisou passar por cirurgia para corrigir o profundo corte que sofreu em uma de suas asas. O acidente aconteceu na quinta-feira (2), próximo ao campus da Unesp de Bauru (SP).

Casos como esse têm se tornado comuns na região Centro-Oeste Paulista. No início do mês passado, um gavião da espécie Carcará foi operado no zoológico de Bauru após quase perder uma das asas por conta de ferimento causado por uma linha de pipa.

Após ser resgatado por uma ativista da ONG Naturae Vitae, Zeca, como foi chamado o urubu, recebeu anestesia geral e teve o corte na asa esquerda suturado por duas médicas veterinárias que mantêm uma clínica na cidade.

Segundo elas, que pedem para não serem identificadas, o animal chegou sangrando muito pelo corte, com ruptura da pele e da musculatura. Após a sutura do corte, ele foi colocado em repouso e confinamento.

“Ele já está se alimentando, comeu carne e ovos, mas só saberemos se voltará a voar dentro de algum tempo. Tenho esperança, porque tendões não foram rompidos. Por enquanto, a ave ficará em contenção por uns dez dias até a cicatrização total da cirurgia”, explica a veterinária.

Corte na asa esquerda causou ruptura da pele e da musculatura, mas não rompeu tendões, explica a veterinária (Foto: Arquivo pessoal)

Corte na asa esquerda causou ruptura da pele e da musculatura, mas não rompeu tendões, explica a veterinária (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo a profissional, o ideal em casos como esse é que o animal resgatado seja encaminhado a um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) ou a um Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), estruturas que Bauru não possui – a unidade mais próxima fica em Botucatu.

A veterinária, que é especialista em aves e em animais silvestres, destaca a importância de se evitar o uso dessas linhas cortantes, conhecidas como cerol ou linha chilena, porque cada vez mais animais silvestres têm frequentado a região urbana e sofrido acidentes.

Um dia após a cirurgia, o urubu Zeca foi para o confinamento e já está se alimentando de carne e ovos (Foto: Arquivo Pessoal)

Um dia após a cirurgia, o urubu Zeca foi para o confinamento e já está se alimentando de carne e ovos (Foto: Arquivo Pessoal)

“As cidades estão crescendo e invadindo as áreas de mata. Por isso, tenho visto muitos gaviões na região urbana, algo que era raro. Além disso, a falta de cuidado com o lixo tem aumentado a presença dos urubus”, diz.

Gavião na fisioterapia

O gavião Carcará que se acidentou no início do mês passado se recupera bem da cirurgia, segundo o zootecnista Luiz Pires, diretor do Zoo de Bauru. No procedimento, a ave precisou até mesmo receber uma transfusão de sangue.

Gavião da espécie carcará que foi operado no Zoo de Bauru se recupera bem e vai iniciar fisioterapia (Foto: Zoológico de Bauru/Divulgação)

Gavião da espécie carcará que foi operado no Zoo de Bauru se recupera bem e vai iniciar fisioterapia (Foto: Zoológico de Bauru/Divulgação)

Segundo Pires, o animal agora está em um viveiro maior, onde vai iniciar um período de fisioterapia, para exercitar a asa operada. Só depois dessa fase é que será feita a avaliação final para definir se o gavião poderá ser devolvido à natureza.

Após o caso do gavião, o Zoológico de Bauru aproveitou o período de férias escolares e lançou a campanha “Brincar de pipa é legal, usar cerol não!”.

Pires lembra que esse tipo de material cortante é perigoso não apenas quando está em uso nas pipas. As linhas que ficam presas em árvores ou postes muitas vezes são usadas por aves para confecção de seus ninhos, o que provoca ferimentos nos filhotes.

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