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Há 30 anos, Timão conquistava o seu primeiro título nacional e abria caminho para uma história de muitas outras glórias. Com Neto, Ronaldo, Tupãzinho & Cia., o clube mudava de patamar

Há exatos 30 anos, o Corinthians atravessou um portal no futebol brasileiro.

Alvo de provocações de rivais pela ausência de títulos nacionais, o Timão venceu pela primeira vez o Campeonato Brasileiro em 16 de dezembro de 1990, com duas vitórias sobre o rival São Paulo, numa campanha de superação, persistência, raça e brilhos coletivos e individuais.

– Existia esse tipo de comentário, nos jogos decisivos nosso time sempre entrava como o azarão, a equipe que seria desclassificada. Mas felizmente tudo isso serviu como combustível em 1990 para dar ainda mais força para o nosso grupo – falou o ex-ponta Fabinho.

Como era o Brasil em 1990?

Até ali 20 vezes campeão estadual e com quatro regionais, o Timão via os rivais ostentarem conquistas de maior projeção. O São Paulo era bicampeão brasileiro (1977 e 1986). O Palmeiras tinha seis títulos nacionais (1972/73, além dos títulos da Taça Brasil de 60 e 67 e do Robertão de 67 e 69, posteriormente unificados). O Santos, com Pelé, havia enfileirado troféus (Taça Brasil de 61/62/63/64/65 e Robertão de 68).

 

– Quando eu era pequeno, todos meus amigos me zoavam por isso, falando que eu era o único que não tinha brasileiro. Ficou marcado na minha cabeça como corintiano, depois pude ajudar na conquista – relatou Dinei, há alguns anos, depois de ser tricampeão brasileiro pelo Timão (90, 98 e 99).

 

Aos olhos dos rivais, o Sport Club Corinthians Paulista, enfim, deixava de ser só paulista.

 

– Mas essa teoria é uma grande besteira, o Corinthians sempre respondeu às provocações em sua história. Primeiro nasceu como um clube de várzea, diziam que nunca ia jogar um campeonato oficial, mas jogou. Falavam que nunca ganharia nada, foi lá e ganhou em 1914 (Paulistão). Enquanto o torneio mais importante do país era o estadual, sempre disputou cabeça com cabeça e aí se tornou o maior campeão. Venceu quatro vezes o Rio-São Paulo, sendo bicampeão em 1953/54. Tinha mesmo essa brincadeira, mas em 1990 ela terminou – recordou-se o historiador e jornalista Celso Unzelte.

 

– Os rivais diziam, sim, que o Corinthians era um time mais regional, mas a lógica do futebol era ser mais regional mesmo. Você tirava sarro era do seu vizinho, não tinha internet, você raramente conhecia torcedores dos times dos outros estados. Anos depois aconteceu a mesma coisa com a falta de um título da Libertadores, faz parte do futebol. Mas o corintiano sabe bem que tudo começou muito antes de 1990 – acrescentou Unzelte.

 

Neto e Jacenir na volta olímpica do Corinthians em 1990 - VIDAL CAVALCANTE/Estadão Conteúdo
Neto e Jacenir na volta olímpica do Corinthians em 1990 – VIDAL CAVALCANTE/Estadão Conteúdo

Antes daquela tarde de festa em um Morumbi com 100 mil pessoas, o Corinthians havia chegado só uma vez numa final de Campeonato Brasileiro. Em 1976, no ano da invasão ao Rio de Janeiro na semifinal contra o Fluminense, o Timão avançou à final e enfrentou o Internacional de Falcão e Figuereoa, ficando com o vice-campeonato. O tabu de 22 anos sem títulos acabaria em 1977, novamente numa conquista de Paulistão, diante da Ponte Preta.

Em 17 de dezembro de 1990, no dia sequinte ao título, o jornal “Folha de S.Paulo” definiu em suas páginas que aquela era a maior alegria do torcedor corintiano desde o gol de Basílio, marcado 13 anos antes.

PRIMEIRA FASE

“Vicente Matheus continua com um cadeado no bolso e não investe para conquistar o primeiro título nacional”. Era essa a apresentação do Corinthians no “Guia do Brasileirão” da revista Placar de 1990, que não apontava o Timão como um candidato ao título por conta do baixo investimento do presidente.

 

Alguns destaques do interior, como o zagueiro Guinei e o meia Tupãzinho, do São Bento de Sorocaba, e Jacenir, lateral-esquerdo do União São João, uniam-se a pratas da casa, como o goleiro Ronaldo, o zagueiro Marcelo Djian e o volante Márcio. O atacante Viola, emprestado ao São José e depois ao Olímpia, não fez parte do elenco.

 

– A gente não falava de título em 90, para falar a verdade. Nosso time não foi feito para ser campeão. A gente pensava em fazer um bom campeonato, não de chegar ao título – lembrou Neto, camisa 10 da equipe, em entrevista à Corinthians TV.

Num ano em que Bragantino e Novorizontino decidiram o título paulista em agosto, com o título inédito do time de Bragança, o Corinthians entrou no Brasileirão sob o comando de um treinador, mas bastaram duas derrotas para que isso mudasse.

 

Zé Maria, homônimo do ídolo, um ex-pugilista que vendia carros usados em São Paulo e que se aventurou como treinador, deu lugar a Nelsinho Baptista, jovem técnico que havia levado o time de Novo Horizonte ao vice-campeonato estadual.

 

– Ele foi a pessoa certa para treinar um time que vinha sem moral e desacreditado. Chegou com suas ideias e num momento excelente. Soube remontar a equipe e todos nós acreditamos muito nos seus conceitos – lembrou o ponta Mauro.

Na estreia de Nelsinho, o Corinthians empatou com o Vitória. No jogo seguinte, vitória por 2 a 1 no clássico contra o Palmeiras, com gol de falta de Neto, no dia do aniversário dele.

 

Dali, o time engrenou, ficando 11 jogos sem perder, com cinco empates e seis vitórias. O Corinthians se mostrou uma equipe sólida defensivamente, e Neto se tornava um grande maestro de uma equipe lutadora. Do terrão, surgiu o atacante Dinei, autor do gol da vitória por 1 a 0 contra o Santos. No gol, Ronaldo brilhava, como quando garantiu o 1 a 0 contra o Fluminense com uma defesa de pênalti.

 

A classificação para o mata-mata, porém, foi sofrida. No último jogo da primeira fase, a equipe levou um 3 a 0 do Internacional em pleno Pacaembu. Uma vitória da Portuguesa contra o Goiás ajudou, e o Timão terminou em sétimo. O adversário nas quartas de final foi o Atlético-MG, dono da segunda melhor campanha. A partir dali, Neto teria um papel fundamental.

 

– Entramos nas fases finais sempre com a desvantagem dos dois empates, já que tínhamos tido campanha pior que os adversários. Para a fase decisiva, nosso time se uniu bastante, a gente se fechou. Foi um time que correu em todos os jogos por 90 minutos e tivemos o Neto fazendo gols decisivos, o que nos ajudou bastante – relatou o ex-zagueiro Marcelo Djian.

 

FASE FINAL

Números do Corinthians no Brasileirão de 1990 - ge
Números do Corinthians no Brasileirão de 1990 – ge

Neto, foi, sem dúvida, o grande destaque do título corintiano. Foram nove gols na campanha, muitos de caráter decisivo.

 

– Foi o campeonato da vida dele. Com certeza, o ano mais feliz da vida do Neto – destacou Celso Unzelte.

 

O camisa 10 marcou os dois da virada por 2 a 1 contra o Atlético-MG, no primeiro jogo das quartas de final. O empate sem gols em Belo Horizonte carimbou a vaga. Na semifinal, no Pacaembu, mais um gol de falta, em nova vitória de virada por 2 a 1 contra o Bahia de Charles. A decisão ficou para Salvador.

 

– Quando chegamos em Salvador, o vestiário parecia uma encruzilhada de macumba. Eram aqueles vasos, comida, farofa, flor, bom… O que você imaginar! E no estádio tinha um torcedor-símbolo do Bahia com uns bonequinhos tudo com espeto (de vodu). Ronaldo correu atrás dele e foi um perereco para segurá-lo – contou o ex-volante Márcio.

Mesmo assim, um novo empate sem gols na Fonte Nova classificou a equipe paulista para a decisão contra o São Paulo de Telê Santana, que tinha em campo Zetti, Cafu, Leonardo e Raí. Quatro jogadores que seriam campeões do mundo com a seleção brasileira, nos Estados Unidos, quatro anos depois. Do Timão, só o reserva Paulo Sérgio esteve no tetra.

 

– A imprensa inteira dava o São Paulo como campeão. Nós éramos um time muito dedicado, humilde, simples, mas que sabia o que queria. O São Paulo tinha grandes jogadores, um técnico que era fora da curva, e a gente conseguiu superar tudo isso – completau Márcio.

 

– Se pegar os jornais da época, a gente era a zebra na final – disse Neto.

Márcio Bittencourt em disputa de bola com Eliel na final de 1990 - FÁBIO MATHEY/ESTADÃO CONTEÚDO
Márcio Bittencourt em disputa de bola com Eliel na final de 1990 – FÁBIO MATHEY/ESTADÃO CONTEÚDO

No primeiro jogo, o Corinthians saiu na frente com um gol de Wilson Mano logo no início, após assistência de Neto.

 

– Aquele é o tipo do lance que, se o Neto cruzar mais 30 vezes, eu acho que em 29 eu erraria. Porque é um lance difícil de fazer o gol. A partir do gol, o jogo foi lá e cá… – disse Wilson Mano.

 

No segundo jogo, o herói foi Tupãzinho. Aos nove minutos do segundo tempo, construiu a jogada e deu o carrinho que fez o Morumbi explodir. Eram mais de 100 mil pessoas no estádio. O apito final iniciou uma invasão corintiana ao gramado.

 

– Depois do gol e do título inédito, minha vida mudou muito. Por onde eu passo na rua, sou reconhecido. Faz 30 anos, e o corintiano não esqueceu do gol do primeiro título brasileiro. Sou grato ao clube, aos torcedores e ao plantel. Somos uma família até hoje, sempre nos encontramos no time máster e é uma alegria muito grande – afirmou Tupãzinho.

Gol de Tupãzinho contra o São Paulo na final de 1990 - Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians
Gol de Tupãzinho contra o São Paulo na final de 1990 – Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians

 

– Vai passar 100 anos e todo mundo vai falar desse título. Foi o primeiro, todos os outros dependeram desse título. Só dois são mais importantes, o Paulistão de 77 e a Libertadores de 2012 – disse o Xodó da Fiel.

 

HERÓIS

Raio-x dos gols do Corinthians no Brasileirão de 1990 - ge
Raio-x dos gols do Corinthians no Brasileirão de 1990 – ge

PRANCHETA DO PVC

Comentarista dos canais Globo, Paulo Vinícius Coelho, o PVC, analisou taticamente aquele time de Nelsinho Baptista. Se você tem dúvida da importância de Neto naquela equipe

 

ANTES E DEPOIS DE 90

Antes e depois de 1990: Timão ganhou tudo! - ge

Antes e depois de 1990: Timão ganhou tudo! – ge

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GE – Globo Esporte.

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