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Senador Major Olimpio: Lealdade e Traição a quem? Ao governo ou ao povo?

Redação
Escrito por Redação

Lealdade e Traição a quem? Ao governo ou ao povo?

Início essa reflexão com o seguinte questionamento:

O Parlamentar Major Olimpio, representante do Estado de São Paulo, quando se negou a atender o pedido do Bolsonaro para a retirada de sua assinatura do Requerimento para instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar crimes praticados por ministros do STF, e uma vez comprovado o crime abrir processo deimpeachment de Ministro, foi desleal e traidor do Presidente ou foi leal ao povo paulista e brasileiro, e aos seus princípios e a Lei?

Qualquer pessoa lúcida, que caminhe na verdade, que conheça os fatos, sabe que tal atitude não passa nem perto de traição e tampouco deslealdade, muito perlo contrário, foi um ato de lealdade e coerência para com o povo brasileiro e manutenção de coerência com tudo pregado na campanha eleitoral.

Mantive essa mesma postura quando não aceitei e denunciei ao Brasil o “toma lá dá cá” e o mau uso do dinheiro público, como no caso do oferecimento pelo Governo de no mínimo R$ 30 milhões para os senadores destinarem para onde quiserem dinheiro público dos ministérios, ou seja, a verba para o enfrentamento da pandemia estava sendo enviada aos “amigos do rei” em troca de voto. Não foi para isso que o povo confiou votou em nenhum de nós que fomos eleitos!

Utilizando o slogan da campanha que veio para mudar o Brasil:

“Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”

Traduzindo esse slogan, significa dizer que os princípios que norteiam a administração pública devem sempre ser respeitados, dentre eles: legalidade, moralidade e finalidade (interesse público). E que os princípios morais do cristianismo estão inclusive acima dos princípios do país.

Encobrir os crimes de ministros do STF, para proteger o próprio filho, e fazer toma lá dá cá, não viola os princípios constitucionais da administração pública e os princípios morais do cristianismo? Quem está sendo traidor da pátria e dos valores cristãos, quem se alia aos criminosos do STF e do Congresso ou quem se opõe a essa aliança?

Conhecendo as verdades dos fatos supracitados, mesmo que você tenha agradecimento e compromisso com uma pessoa, e no passar do tempo,  essa pessoa se desvie e até começe a cometer imoralidades, crimes e viola os valores cristãos, você tem que cegamente se submeter e acompanhá-la, para dizer que é grato e leal?

Sigamos a reflexão:

Qual o conceito de lealdade e traição? É leal aquele que segue cegamente o Presidente inclusive se aliando ou acobertando nos crimes? Essa conduta não é de lealdade aos criminosos e traição da Pátria e dos eleitores?

Quando se fala em traidor, muitos têm em mente a passagem de Judas. Ou ainda ao renegado, ao famoso vira casaca, ao ingrato.  

Vejamos na história alguns grandes traidores. Calabar, ou melhor, Domingos Fernandes Calabar, foi um senhor de engenho nascido na então capitania de Pernambuco, em área hoje correspondente a Alagoas. É tido como o maior traidor da história brasileira. Abandonou sua tropa pelos holandeses, que melhor cuidavam dos colonos e tinham projetos de fixação na nova terra – Brasil – em vez de apenas explorar sem nada implantar. Em 1632 se aliou aos holandeses e mudou o rumo do conflito. Entre 1632 e 1635 teve importantes vitórias lutando contra os ex-companheiros, revelando tudo o que sabia aos invasores. Quando foi preso e condenado, seu nome passou a ser associado a traição. Foi enforcado e seu corpo, esquartejado, ficou exposto em praça pública.

Na mesma esteira, Joaquim Silvério dos Reis, um dos delatores dos inconfidentes mineiros. Como era devedor do erário régio, resolveu fazer a delação de Tiradentes e inconfidentes ao governador da capitania, como forma de alcançar o perdão de seu débito fiscal. O governador, Visconde de Barbacena, sabendo que Tiradentes se destinava ao Rio, encarregou Silvério de acompanhá-lo.

E por último, Benedict Arnold, nos Estados Unidos. Ele foi um General que durante a guerra da independência dos Estados Unidos começou lutando pelo exército continental, mas acabou desertando para o exército britânico. Endividado e acusado de corrupção pelo congresso e comando americano, desertou, foi comissionado general britânico. Virou nos EUA sinônimo de traição por ter virado as costas aos compatriotas, chegando a liderar tropas contra homens que meses antes, havia comandado.

Com todos esses demonstrativos de falta de conduta, chegamos aos dias atuais onde a milícia digital bolsonarista passou a destilar o ódio e denominar “traidor” ou “traíra” a todos que contrariarem o “mito”.

Ressalto que Bolsonaro exigiu a retirada da minha assinatura da CPI Lava Togas para protegê-lo e ao seu filho com processo no STF, em um acordo macabro do STF. Assim como, que eu abandonasse o grupo “Muda Senado, Muda Brasil”, que é um grupo independente composto por senadores de vários partidos que combatem de forma intransigente a corrupção e o famoso “toma lá dá cá”.

Vamos verificar a defesa de valores:

I – como deputado federal:

a) Bolsonaro e Olimpio em defesa da lava toga;

b) Bolsonaro e Olimpio em defesa da lava jato;

c) Bolsonaro e Olimpio contra o toma lá dá cá;

d) Bolsonaro e Olimpio fim do foro privilegiado;

e) Bolsonaro e Olimpio pela prisão após condenação em segunda instância;

f) Bolsonaro e Olimpio pelo combate ao Centrão.

II – durante a campanha:

a) Bolsonaro e Olimpio em defesa da lava toga;

b) Bolsonaro e Olimpio em defesa da lava jato;

c) Bolsonaro e Olimpio contra o toma lá dá cá;

d) Bolsonaro e Olimpio fim do foro privilegiado;

e) Bolsonaro e Olimpio pela prisão após condenação em segunda instância;

f) Bolsonaro e Olimpio pelo combate ao Centrão.

III – no mandato como Presidente e como Senador:

a) Bolsonaro contra a lava toga e Olimpio em defesa da lava toga;

b) Bolsonaro contra a lava jato e Olimpio em defesa da lava jato;

c) Bolsonaro a favor do toma lá dá cá e Olimpio contra o toma lá dá cá;

d) Bolsonaro a favor do foro privilegiado e Olimpio fim do foro privilegiado;

e) Bolsonaro contra a prisão após condenação em segunda instância, e Olimpio a favor da prisão após condenação em segunda instância;

f) Bolsonaro aliado do Centrão e Olimpio contra o Centrão.

Quem de fato mudou de lado? Quem é o traidor do povo?

Eu sou contra o juiz de garantias que só facilita a vida de criminosos, Bolsonaro sancionou essa lei!

Eu sou contra rachadinhas, funcionários fantasmas e outras formas de apropriação de recursos públicos, Bolsonaro e seus filhos são acusados dessa prática!

Eu sou contra o governo congelar 19 meses do tempo de serviço dos servidores e policiais que estão trabalhando no combate direto da pandemia, ficando doentes e morrendo no combate ao Covid, e além de não ganharem nada terão o tempo trabalhado descontado da sua vida profissional durante a pandemia.

Afinal, quem é o traído e quem é o traidor?

Devo ser leal ao meu Deus, ao País e à Lei ou ser leal aos desvios de conduta de uma pessoa e seus filhos?

Diante desses posicionamentos, para alguns, virei o traíra. Contudo, não sou fiel a pessoas, mas sou fiel a princípios e valores. Prezo muito pelas amizades, mas a partir do momento que o amigo se demonstra ou se torna aquilo que sempre combatemos, não terá minha amizade e muito menos irei acobertar coisa errada. Meu lado da lei escolhi há muito tempo, quando optei por ser Policial Militar, não é agora, por nada e nem ninguém, que mudarei isso.

Com a palavra, o povo brasileiro, em especial, acada um que depositou seu voto de confiança em mim nas urnas.

Ao final de tudo isso, quem de nós passará para a história como traidor?

Conhecereis a verdade e ela vos libertará! João 8:32

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