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Salários, contratos, quem fica e quem sai: veja raio-x do polêmico sub-23 do Corinthians

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Salários, contratos, quem fica e quem sai: veja raio-x do polêmico sub-23 do Corinthians

Categoria gerou muita discussão nos bastidores do Timão e teve rendimento ruim em 2020

 

Um dos temas que mais gerou debates ao longo do processo eleitoral do Corinthians em 2020 foi a categoria sub-23.

Criada em 2019 com o objetivo de manter no clube jogadores que estouravam a idade do sub-20, mas que ainda não estavam prontos para o profissional, o sub-23 foi ganhando inúmeros reforços ao longo do ano, em negociações de pouca transparência e que irritavam os torcedores.

Em campo, na única competição disputada, o Brasileirão de Aspirantes, o time liderou seu grupo na primeira fase, mas caiu na segunda, ficando fora das semifinais.

Em 14 jogos oficiais, o time venceu cinco, empatou quatro e perdeu cinco. Marcou 21 gols e teve Hugo Borges como artilheiro, com seis. Com mais um ano de contrato, ele espera ser notado em 2021.

– Fizemos um bom campeonato, é uma categoria que tinha um pouco de dificuldade, não dentro das quatro linhas, mas fora. Há um pouco de rejeição dentro do clube por ser uma categoria nova. Tem tudo para dar certo ao longo dos anos. Em campo a gente procurava esquecer essa política de clube, a gente estava feliz de vestir a camisa do Corinthians, é um peso grande e tínhamos de dar a vida.

– Fiquei feliz pelo meu ano, fui o artilheiro, dei algumas assistências, tive destaque. Subir para o profissional era meu sonho e objetivo. Até agora ninguém falou nada, mas a gente tem esse objetivo, tentar chamar a atenção de algumas pessoas lá de cima, para que possam olhar para o sub-23 de uma outra forma. Temos bons valores – afirmou o jogador, que chegou do Vasco em 2019.

Em 2020, apenas dois atletas do sub-23 subiram para ajudar o time principal: o volante Roni, alçado em junho e que só desceu “emprestado” para fazer três jogos no Brasileirão, e o zagueiro Raul Gustavo, que completou banco para Mancini. Ambos heranças do sub-20 de 2019. Nenhum reforço subiu.

Ao todo, 30 jogadores vestiram a camisa do Corinthians no Brasileirão de Aspirantes. Contando com Roni, Raul Gustavo e com o goleiro Guilherme, hoje reserva de Cássio e Walter no profissional, a categoria contou com 41 jogadores ao longo do ano, entre lesionados e aptos para jogo.

Abaixo, você confere tudo sobre a categoria, que será mantida pelo presidente eleito Duílio Monteiro Alves em 2021:

A criação

 

A categoria sub-23 nasceu em uma queda de braço política. Ao assumir a presidência em 2018, o presidente Andrés Sanchez tinha uma disputa entre Carlos Nujud, o Nei, e Jacinto Antônio Ribeiro, o Jaça, conselheiros que vinham no comando da base desde o fim da gestão Roberto de Andrade.

Após muito desgaste, Nei seguiu à frente do trabalho com as categorias do sub-20 para baixo.

O clube, então, criou a sub-23 e deixou Jaça no comando da categoria, que estreou no ano passado fazendo campanhas ruins na Copa Paulista e no Campeonato Brasileiro de Aspirantes.

Em entrevista ao ge, Andrés Sanchez admitiu que errou quando em 2019 permitiu que Franzinho, filho do conselheiro Fran Papaiordanou, fosse incluído na equipe mesmo com 27 anos. Andrés disse que era motivo para impeachment. Mesmo assim, diz que a ideia de ter um sub-23 ainda é boa.

– Eu fiz o sub-23 com consciência. Lógico que no segundo ano foi diferente. Muito jogador não comprou a ideia do sub-23. Tinha jogador do Corinthians que estourava a idade da base e preferia ir para o Oeste, para o Joinville, para o raio que os parta e não para o sub-23. Hoje o jogador do Corinthians que estoura a idade entende que o sub-23 é o caminho dele para o profissional – falou Andrés.

– Perdemos muito jogador (no passado) por não ter o sub-23. Everton Ribeiro, Weverton, Antonio Carlos, um monte de jogador que não jogava no profissional, não podia jogar no sub-20 e ficava lá treinando dois meses, cinco meses, dez meses, um ano – disse o mandatário.

Ao longo da gestão, sempre ficou evidente a separação entre os departamentos de base e sub-23. A repercussão negativa da forma como o sub-23 era administrado foi tema de reclamações constantes entre os funcionários das categorias inferiores.

Jacinco Antonio Ribeiro, o Jaça, diretor da base do Corinthians — Foto: Reprodução

Jacinco Antonio Ribeiro, o Jaça, diretor da base do Corinthians — Foto: Reprodução

Dificuldades

 

A reportagem do ge conversou com alguns jogadores que fazem ou fizeram parte do elenco sub-23. Os relatos são que, principalmente em 2019, as condições eram amadoras.

Havia dificuldade até para disponibilizar uniformes para os treinos e jogos. Há relatos de empréstimo de material da categoria máster (veteranos). Além disso, foram feitos muitos amistosos de baixa qualidade técnica. Um atleta citou um amistoso em Ilhabela contra um time de várzea, com claros objetivos políticos.

O técnico Edson Leivinha admitiu os problemas iniciais:

– Quando começamos não havia mesmo uma estrutura para o sub-23. Tivemos dificuldades com o material, com bola, calção, camisa, já que ela não estava prevista no contrato com a Nike. Foi meio que no improviso mesmo. Pegamos atletas que não eram utilizados no sub-20 e montamos um time em que o objetivo era não passar vergonha. Fizemos campeonatos dentro das possibilidades – disse, sobre as disputas da Copa Paulista e do Brasileirão.

Edson Leivinha, técnico do sub-23 do Corinthians — Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Edson Leivinha, técnico do sub-23 do Corinthians — Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

 

Os próprios jogadores do elenco se incomodavam com o excesso de atletas nos treinamentos e com a qualidade duvidosa de muitos deles. Sempre aparecia alguém fazendo testes e a sensação do elenco é que eles eram pouquíssimo observados pelo profissional, onde sonhavam chegar.

Contratado em fevereiro para coordenar a base, Osmar Loss teve um papel importante nesta ligação. Desde novembro, porém, ele deixou o clube para se tornar auxiliar de Abel Braga no Internacional. A saída do profissional cortou o elo que vinha dando bons resultados internos.

– Em relação a 2019, nosso trabalho foi muito melhor em 2020. Loss ajudou muito no intercâmbio e na sintonia entre a base, o sub-23 e o principal. Foi quando ele estava inserido que aconteceram as melhores coisas na formação do elenco, como a chegada do Antony, que não estava sendo usado no sub-20 e veio treinar. Ele é uma grande revelação e que precisa ser visto com carinho – disse Leivinha.

Elenco

 

De fato, vários jogadores que estouraram a idade poderiam fazer parte do sub-23 em 2020, mas ao notarem a pouca projeção e a pouca organização, optaram por sair para outros times.

Alguns exemplos foram o atacante Carlinhos, que foi para Marcício Dias-SC e Atibaia, do lateral-esquerdo Guilherme Romão, que foi para o Botafogo-SP, do meia Fabrício Oya e do zagueiro Caetano, cedidos ao Oeste. Madson subiu ao profissional, depois foi repassado a Fortaleza e Oeste.

Com remanescentes de 2019 e novidades que pintaram do sub-20, como Roni, Raul Gustavo, Igor Formiga e Nathan, o sub-23 embarcou para o Japão no início do ano para fazer amistosos. Por lá, Nathan foi o grande destaque, com quatro gols em três jogos. Logo depois, foi para a Espanha.

Com a pandemia, o calendário parou. De olho no Brasileirão de Aspirantes, a roda de contratações jamais parou de girar. Somente neste ano, chegaram 14 novos jogadores:

  • o meia Dimitri (ex-Bahia);
  • o zagueiro Adriel (ex-Gainare Tottori, do Japão);
  • o meia Daniel Penha (ex-Atlético-MG);
  • o zagueiro John Lessa (ex-Vitória);
  • o goleiro Matheus Almeida (ex-Olímpia);
  • o lateral-direito Higor Lapa (ex-Guarani);
  • o atacante Wallace Lucas (ex-Brasiliense);
  • o zagueiro Allan Ferreira (ex-CRB);
  • o meia Diogo Vitor (ex-Santos);
  • o volante argentino Facundo Ezequiel;
  • o atacante Gabriel Lima (ex-Figueirense);
  • o meia Lucas Daniel (ex-Cascavel);
  • o volante João Ramalho (ex-Cuiabá);
  • além do zagueiro Heitor Casagrande.

 

Dois casos chamam a atenção. O de Diogo Vitor, meia de 23 anos que teve problemas de indisciplina quando atuava no Santos, além de suspensão por doping, e ganhou um contrato até fevereiro de 2021, e do zagueiro Heitor Casagrande, que não jogava futebol profissional havia dois anos. Nenhum dos dois entrou em campo.

Diogo Vitor assinou no sub-23 do Corinthians, mas não jogou — Foto: Reprodução

Diogo Vitor assinou no sub-23 do Corinthians, mas não jogou — Foto: Reprodução

 

 

Além desses atletas, o técnico Edson Leivinha contou também com jogadores de idade abaixo de sub-20, mas que por diversos motivos foram liberados pelo técnico Dyego Coelho para que fossem integrados ao time aspirante.

Foi o caso do atacante Antony, de 19 anos, vice-artilheiro do time com cinco gols. Ele e o volante Riquelme, de 18, foram cedidos para ganhar rodagem. Já o zagueiro Felipe Torres, de 20 anos, autor de dois gols na campanha, foi integrado como segunda chance após cometer atos de indisciplina.

– A categoria precisa de alguns ajustes, mas tivemos muitos atletas dando resposta positiva. Igor Formiga tem condição de ser o reserva de Fagner. Hugo Borges é muito bom jogador, faz uma boa beirada e é finalizador. Antony tem 20 anos e é interessantíssimo, tem movimentação e presença de área. Daniel Penha foi contratado do Atlético-MG, é canhoto, joga em várias posições. E muitos outros. É um trabalho que pode dar bons frutos – analisou o técnico Leivinha.

Folha salarial

 

O Corinthians estima gastar, numa temporada, cerca de R$ 5 milhões para a manutenção do sub-23, entre pagamentos de salários para os atletas, comissão técnica, viagens e hospedagens.

Por mês, a folha salarial dos jogadores foi de R$ 298 mil, contando com alguns atletas que chegaram e depois foram emprestados para outros clubes. O salário mais alto é de R$ 40 mil, de um jogador que passou pelo profissional anos atrás. Os menores salários são de R$ 2 mil.

Segundo o clube, nunca houve uma contratação feita com investimento para compra de direitos econômicos. A diretoria diz que sempre buscou jogadores livres. Não há informações sobre o pagamento de comissões.

ge buscou o diretor Jaça para uma entrevista, mas ele está com um problema de saúde. Wagner Rivera, gerente de futebol da categoria, procurou a reportagem após a sua publicação..

– Trouxemos jogadores sem pagamentos de compra ou comissões. Todos pensam em falcatruas, porém eu garanto que nada foi feito para prejudicar o clube, foi tudo feito com carinho e boa vontade. Realmente os resultados não foram bons, mas o trabalho e empenho foram – afirmou.

Contratos longos

 

Dois atacantes que atuaram no Brasileirão deixam o clube no dia 31: Jorge Colmán, que estava emprestado e volta ao Olímpia, do Paraguai, e Gabriel Silva. Ambos fizeram um gol na campanha.

Há outros cinco jogadores com contrato até dia 31 que não atuaram no Brasileirão: Alexandre Manuel (lateral-esquerdo de 18 anos), Facundo Ezequiel (volante de 21), Lucas Daniel (meia de 22), João Ramalho (volante de 20) e Willian (lateral-esquerdo de 22).

Há ainda o caso de três jogadores que esticaram seus vínculos até o fim de janeiro para jogar eventuais finais, mas que não devem ficar: o goleiro Diego Riechelmann (21), o goleiro Matheus (23) e o lateral-direito Renan Brainer (22).

Diego Riechelmann, goleiro do sub-23 do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Diego Riechelmann, goleiro do sub-23 do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

 

Diogo Vitor, que ganhou chance de recuperação no clube e não conseguiu jogar por falta de condição física, tem contrato até 1º de fevereiro. Os vínculos dos meias Dimitri e Daniel Penha também acabam no fim de fevereiro.

Depois, são mais 18 contratos que se encerram de março a dezembro de 2021. Mais sete que acabam ao longo de 2022. O mais longevo é do zagueiro Alan Ferreira, de 19 anos, que veio do CRB em julho. Seu contrato acaba em julho de 2023.

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GE – Globo esporte

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