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Rueda detalha plano para gerir o Santos e diz: “Nosso negócio é ser campeão, não vender atleta”

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Rueda detalha plano para gerir o Santos e diz: "Nosso negócio é ser campeão, não vender atleta"

Presidente eleito assume o Peixe no próximo dia 1º de janeiro, mas já inicia transição

O presidente eleito do Santos, Andres Rueda, só assume o clube no dia 1º de janeiro, mas o trabalho já começou. Reuniões virtuais, mergulho na situação financeira do Peixe, planos para o próximo triênio… Ao ge, Rueda detalhou seus primeiros dias depois da vitória e o que pretende fazer para salvar o Alvinegro da crise financeira.

Em uma entrevista virtual de quase uma hora, Rueda disse ser contra vender jogadores por valores abaixo do que se espera para recuperar o Santos financeiramente. O presidente eleito, por exemplo, discorda da proposta do Benfica de 6,5 milhões de euros (cerca de R$ 40 milhões) por Lucas Veríssimo. O zagueiro, inclusive, já abriu mão do que teria direito para ser vendido.

Questionado sobre a necessidade de venda para tirar o Santos da crise, Rueda foi direto: vai buscar outras soluções.

– Eu não concordo com a política de vender jogador antes de passar por pelo menos uma experiência no profissional. Eu lembro aqui que a missão do clube é ganhar títulos, não é revelar jogador para vender. Eu não quero ter uma fábrica de craques para vender. Estaríamos totalmente fora da missão do clube. Temos de revelar jogadores para que fiquem no clube e nos ajudem a ganhar títulos. Eu acho prematuro criar uma linha de produção para vender antes de colocar o jogador à prova – disse Rueda.

– Primeiro que o valor é menor. E saímos completamente do foco. Eu não consigo ver um clube que tem como missão ganhar títulos criando craques para vender. Nosso negócio é ser campeão, não vender atleta rapidamente.

Durante a entrevista com o ge, Rueda falou sobre antecipação de receitas, o patrimônio do Santos, a relação com a torcida… Veja, abaixo, o papo com o presidente eleito do Peixe:

ge: A crise financeira do Santos é muito clara. Todos sabem dos problemas. Como você pretende equacionar essas dívidas nos primeiros meses de gestão?


Rueda:

– Uma coisa boa é que a situação está bem clara. É claro que a situação nunca vai ficar transparente, porque cada semana é um susto. Sabemos como está a situação. Temos bem engatilhado tudo o que tem de ser feito. Não vai ser fácil, todo mundo sabe.

– Vamos ter de abrir várias frentes em paralelo, adequar despesa com receita. Conversar com credores, pedir prazo. Mostrar credibilidade, que agora contrato feito é contrato honrado. Isso é muito importante. Quando tem dívida, passar isso para o seu credor. Brigar por desconto, por uma taxa de juros, mas honrar o combinado. Vai ser duro.

– Temos um curtíssimo prazo. Dívidas significativas e valores importantes. Você tem algumas dívidas que não pode jogar para frente. A parte salarial dos funcionários e jogadores. A parte de tributos. É isso. Já imaginávamos, agora é hora de trabalhar e colocar em prática o que nos propusemos a fazer.

 

 

Uma prática muito comum nos clubes de futebol para aliviar crise financeira é antecipar receitas. Qual é a sua opinião sobre isso? Você acha que pode ser uma saída para o Santos?

– Antecipação funciona muito bem quando atrelada ao orçamento. Quando tem uma despesa que cabe dentro desse orçamento, na verdade você até pode antecipar para equilibrar o fluxo de caixa. Se eu tenho R$ 10 milhões para receber e gasto R$ 10 milhões, imagina o seguinte: no primeiro dia do mandato tenho de pagar os R$ 10 milhões e só vou receber o valor daqui a 10 dias. Você pode antecipar receita para equilibrar o fluxo de caixa e não pagar juros por ficar devendo.

Durante o período eleitoral, você teve papel importante para ajudar o Santos a evitar a perda de pontos, com um empréstimo para pagar a dívida com o Hamburgo. Mas qual é a sua opinião sobre presidente que empresta dinheiro para o clube?
– Eu sou totalmente contra, no futebol profissional, um clube como o Santos ter que precisar de ajuda de sócio, conselheiro. Isso não faz o menor sentido. Houve situação de empréstimos, de pessoas para o clube, que eu acho errado. Eu não consigo enxergar você pegar empréstimo de sócio ou conselheiro para adquirir jogador. O clube tem de ser auto-sustentável.

– Eu só enxergo com bons olhos essa ajuda se o clube tiver uma situação irreparável, como essa dos pontos, como quando íamos perder o Lucas Lima e eu emprestei também. Nesses casos eu acho que todo santista com condições de ajudar o clube tem obrigação de ajudar. Nada para completar fluxo de caixa, comprar jogador. O clube tem de ter um equilíbrio nas suas contas. Tem de ter vida própria. Se não, temos de sair do futebol para virar clube de futebol amador.

Mas, então, como você acredita que o Santos pode sair, a curto prazo, do buraco com uma dívida tão grande?
– O que uma empresa numa situação como essa do Santos tem de fazer? Ir lá, falar para os credores que tem isso aqui (para pagar). Faz um acordo, pega X% da receita bruta do ano e vai descontando as dívidas. Você vai pagando os credores até zerar a conta (…).

– Enquanto isso, a grande maioria dos dirigentes tem como objetivo principal comprar e vender jogador. O clube tem de ser administrado. Comprar e vender jogador faz parte do processo.

Vender jogador não poderia ser uma solução mais “simples”?
– Vamos analisar o que acontece no Santos. O Santos nunca teve receita baixa. Em 2018, tivemos R$ 400 milhões, em 2019 teve R$ 400 milhões. O nosso problema sempre foi gastar mal esse dinheiro, jogar no ralo esse dinheiro. Acredito que na hora que tiver uma gestão responsável que gasta menos do que entra de dinheiro, sairemos dessa situação de sufoco.

– Eu acredito muito fielmente que na hora que a gente corrigir esses desvios a coisa fica muito mais tranquila, e aí não vamos precisar revelar craques para salvar o ano. Vamos revelar para disputar o campeonato com mais força. Pelo menos é por isso que vamos lutar.

Andrés Rueda e Orlando Rollo fazem reunião na Vila Belmiro — Foto: Santos F.C

Andrés Rueda e Orlando Rollo fazem reunião na Vila Belmiro — Foto: Santos F.C

Outra fonte de receita que é muito pouco aproveitada pelo Santos é o público nos estádios. A média do clube é baixa. Como resolver esse problema?
– A gente não foi perguntar para o real interessado. Não adianta ficar aqui em Santos achando por que a torcida não vai. É muito mais fácil você ir no seu cliente e perguntar. Uma das primeiras coisas que vamos fazer na nossa gestão é criar um canal de comunicação direta do clube com o sócio.

– Tem de ter esse canal. Não podemos esquecer que ele é o dono. Não podemos esquecer que o presidente é como se fosse o empregado do clube. Ele está lá obviamente para atender aos interesses do clube. A primeira coisa que vamos fazer é ouvir.

Pouco depois de deixar o Santos, o ex-presidente José Carlos Peres apresentou um projeto de reforma da Vila Belmiro. Qual sua opinião sobre ele? Acredita que é uma forma de reaproximar o torcedor?
– O projeto arquitetônico é muito bom, moderno. Muito aderente àquilo que imaginamos para o Santos. Transformar uma partida de 90 minutos em um espetáculo. O estádio tem espaço para convivência, lojas, estacionamento. Espaço para colocar e-Sports. É muito aderente.

– Obviamente tem detalhes comerciais para serem acertados. E a empresa existe. Não é um sonho numa noite de verão. Infelizmente tivemos a perda do Walter (Torre, dono da WTorre, faleceu na semana passada), mas é uma empresa grande. Ela tem passado, currículo. Não é uma empresa de primeira viagem que você precisa desconfiar se vai dar certo o projeto dela.

Outro projeto que imagino que esteja nos seus planos é o do CT Meninos da Vila, que encontra-se em péssimas condições. O que fazer?

– Vamos remodelar urgentemente. Aquilo é fruto de total irresponsabilidade das gestões passadas. E não tem desculpa de falta de dinheiro. Aquilo é falta de amor ao patrimônio do clube. Lá tem muitas coisas que não dependem de uma receita enorme, um investimento enorme. Falta vontade de fazer. Essa é uma das coisas que a gente urgentemente vai fazer.

Em imagem antiga, CT Meninos da Vila aparece em boas condições — Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC

Em imagem antiga, CT Meninos da Vila aparece em boas condições — Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC

A diretoria

Andres Rueda assume oficialmente o Santos no dia 1º de janeiro. Até lá, Orlando Rollo segue no cargo. O Comitê de Gestão do Peixe em 2021 terá: Walter Schalka, José Renato Quaresma, Ricardo Campanário, Dagoberto Oliva, Vitor Loureiro Sion, Rafael Leal e José Berenguer, além do vice-presidente José Carlos de Oliveira.

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GE – Globo Esporte.

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