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Rodrigo Constantino: Espalhar pânico ou reportar a verdade?

Redação SP

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em

Rodrigo Constantino: Espalhar pânico ou reportar a verdade?
Espalhar pânico ou reportar a verdade?

 

Rodrigo Constantino

 

A postura de boa parte da mídia nessa pandemia tem sido lamentável, para dizer o mínimo. Sabemos que notícia ruim atrai público e, portanto, vende. Mas veículos de comunicação viraram em alguns casos verdadeiros abutres torcendo para o pior, disseminando pânico e espalhando medo, muitas vezes infundado. E tudo em nome da ciência, claro.

Podem existir vários motivos por trás disso. O ódio que muitos jornalistas sentem por Trump e Bolsonaro, por exemplo, e que fez com que ambos fossem responsabilizados por cada óbito com covid-19 nos Estados Unidos e Brasil. Pode ser uma questão financeira também, sem dúvida. Mas pode ser uma arrogância elitista travestida de nobre intenção.

Não é de hoje que muitos jornalistas se veem como guias para os incautos e ignorantes que enxergam em seu público. Thomas Sowell os chama de “ungidos”, e eles costumam olhar com desprezo para o “povão”. Por isso que querem “iluminar” o caminho, “empurrar a história”, em vez de simplesmente relatar os fatos e deixar sua audiência julgar por conta própria.

Um caso ocorrido esta semana ilustra bem isso. No New York Times, o jornalzão tido como muito sério pelos próprios jornalistas, mas que tem claro viés de esquerda, a colunista Elizabeth Rosenthal publicou um texto que já chama a atenção pelo título: “É hora de assustar as pessoas sobre o Covid”. A autora não é jornalista de carreira, e sim uma enfermeira que virou repórter, mas sua visão representa a de milhares de jornalistas mundo afora.

Ela abre seu artigo lembrando de como foi doloroso quando assistiu em sala de aula um filme sobre uma mulher com a traqueia aberta para conseguir mecanicamente um pouco de ar. A mensagem era direta: isso é o que pode acontecer se você fumar. Rosenthal confessa ter tido pesadelos com as cenas chocantes quando era jovem, mas reconhece que o recado foi eficaz: ela nunca pegou num cigarro.

Dessa situação ela pula, então, para a pandemia, e alerta que todos deveriam ter acesso a mais imagens angustiantes de pacientes contaminados. É um pulo e tanto, convenhamos. O fumante assume seus riscos, e por mais que novas restrições públicas tenham surgido desde então, ninguém deixa de seguir seu cotidiano por causa delas. Já na pandemia as autoridades têm imposto medidas drásticas de isolamento, máscaras, e até limite na quantidade de visitantes no Natal.

Pegar os piores casos e extrapolar ajuda de fato a buscar um equilíbrio entre custos e benefícios individuais? Quais as chances de uma criança morrer de covid-19 ao frequentar a escola? E de adultos abaixo de 70 anos e boa saúde em seus trabalhos?

Em suma, uma jornalista deveria estar preocupada com os fatos. Mas a colunista do NYT quer mais: ela quer induzir determinado comportamento que julga adequado. E se, para tão “nobre missão”, ela precisa exagerar e pregar o pânico, então esse é um baixo custo a pagar para “salvar vidas”. É dessa arrogância que vem o autoritarismo de governantes e as manipulações de jornalistas.

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