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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino: E vacina para politicagem barata?

Redação SP

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Rodrigo Constantino: E vacina para politicagem barata?

E vacina para politicagem barata?

 

Rodrigo Constantino

 

Na coletiva de imprensa que até um jornal de esquerda chamou de “confusa”, além de anunciar novas medidas restritivas, o governador de São Paulo conclamou o governo federal a comprar mais vacinas, e chegou a pedir um relaxamento dos critérios da Anvisa.

Sobre o lockdown, vale lembrar que não há qualquer comprovação científica de sua eficácia, e que se trata de uma medida drástica, arbitrária e autoritária, que vem prejudicando comerciantes e a população em geral. É como se o vírus escolhesse a hora do contágio, ou não contaminasse ninguém nas aglomerações durante o dia, no metrô e no ônibus.

A secretária de Doria ainda falou em “pedir colaboração”, ignorando que se trata de medida imposta pelo governo, sob a ameaça de punição por desacato. Talvez o senhor Agripino esteja andando muito perto dos companheiros do regime chinês e tenha absorvido por osmose o pouco apreço pelas liberdades. Do isolamento para “achatar a curva”, chegamos ao “fique em casa até o comunismo ser instalado”, pelo visto. Não por acaso o ministro Ernesto Araújo falou na ONU do lockdown do espírito, que o preocupa tanto quanto a pandemia.

Mas voltemos à vacina: o que Doria queria, ao reclamar da quantidade de doses disponíveis no país, era obviamente alfinetar uma vez mais o governo federal e, portanto, o presidente Bolsonaro. Doria parece obcecado com 2022. Só há um pequeno detalhe: o Brasil não está mal na foto quando o assunto é vacinação.

Hoje mesmo um jornal destacava: “Vacinação na Europa tropeça em escassez, desinformação e desorganização”. O subtítulo diz: “Fornecedores cortaram remessas prometidas, e falha de comunicação levou a rejeição de vacinas da AstraZeneca na Alemanha e na França”. Os laboratórios não estão dando conta do recado. A AstraZeneca, segunda maior fornecedora, deve entregar apenas 40 milhões dos 90 milhões de doses encomendados no primeiro trimestre, e há prenúncios de problemas também no segundo trimestre.

A Angela Merkel, tão elogiada por nossa mídia como exemplo de gestão científica na pandemia, tem sido crucificada pela imprensa local, e não é para menos. Na Alemanha, falhas de comunicação que especialistas chamaram de “desastrosas” contribuíram para elevar a rejeição da população à vacina da AstraZeneca. O lockdown se mostrou um fracasso. O resultado é péssimo em geral.

Diante desse quadro geral, constatar que o Brasil, um país com dimensão continental, relativamente pobre e com mais de 200 milhões de habitantes, está entre os dez que mais vacinaram no mundo em termos absolutos e entre os vinte em termos relativos deveria ser motivo para algum orgulho. Não obstante, jornalistas e governadores oportunistas insistem no discurso da suposta lentidão de nossa vacinação.

Doria chegou a cobrar da Anvisa menos rigor, sendo que sua missão é proteger o brasileiro, e a agência fez um trabalho sério e célere na aprovação do registro definitivo da vacina da Pfizer, o que ainda não aconteceu com a vacina chinesa comprada por São Paulo. No mais, como a Anvisa pode aprovar vacinas de laboratórios que sequer ingressaram com os pedidos oficiais, como nos casos mencionados pelo governador?

Como fica claro, tudo não passa de politicagem barata de olho em 2022. Doria quer se vender como o gestor da ciência preocupado unicamente com as vidas, contra um Bolsonaro que seria um obscurantista e insensível, quiçá um genocida. Esse tipo de discurso não se sustenta por um segundo que seja. Daí vem a pergunta: e para a politicagem barata e sensacionalista, já temos alguma vacina disponível ou só a resposta nas urnas mesmo?

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