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Renzo Angerami: Conheça um pouco das várias faces dos “Cães Guardas”

Redação SP
Escrito por Redação SP

Conheça um pouco das várias faces dos “Cães Guardas” da GCM de São Paulo

 

por Renzo Angerami
“Projeto Leis e Bichos”

 

Sempre fui um admirador do trabalho desenvolvido pelo Canil da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e, recentemente, por meio do Projeto “Leis e Bichos”, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as peculiaridades desse trabalho e as várias facetas de seus cães e instrutores.

Recebido pelo Comandante Regional do Canil, ID Manoel Arlindo Barbosa, descobri que o embrião do Canil da Guarda começou em 1988, porém foi oficializado somente no ano de 2000. O Canil conta hoje com vinte cães, que desenvolvem variadas funções, divididas basicamente em: policiamento, faro, cinoterapia e serviço social.

Com foco no policiamento preventivo e comunitário, os cães auxiliam na proteção de bens, serviços e de toda população paulistana. Costumam ter participação efetiva em distúrbios, aglomerações e, também, atuam junto ao Projeto Redenção na região conhecida por “Cracolândia”. Para que um cão possa desenvolver o trabalho de policiamento é necessário cerca de um ano de treinamento.

No que se refere ao faro, inicialmente os cães foram treinados para o encontro de pessoas desaparecidas, o que acontece por meio da entrega de um objeto pessoal do desaparecido para o cão. Posteriormente, devido ao sucesso e a demanda, alguns cães foram treinados para desenvolver o faro visando à busca de substancias entorpecentes (drogas), armas e também pessoas mortas. Esse trabalho propiciou um estreitamento com a Defesa Civil e unidades da Polícia Civil. Hoje muitas Delegacias de área, além de Departamentos como DEIC, DENARC e DHPP socorrem-se dos cães da Guarda Municipal como parceiros em atividades investigativas, como procura por substâncias entorpecentes e corpos em cemitérios clandestinos.

Outro trabalho desenvolvido por nossos heróis de quatro patas, mas pouco conhecido, é a cinoterapia.  A Pet terapia ou cinoterapia é um método que utiliza cães como coterapeutas em diversos tratamentos de saúde, sejam físicos, psíquicos ou emocionais. O trabalho é  realizado em hospitais e asilos, sempre acompanhado de um instrutor e um profissional da saúde. Qualquer paciente pode ser submetido à técnica, que é muito utilizada com crianças, idosos e pessoas com problemas psicológicos. Os instrutores contaram que os resultados são surpreendentes, além da boa receptividade pelos pacientes, a técnica proporciona uma sensação de bem estar, o que faz com que o tratamento seja menos doloroso e alcance resultados mais eficazes.

O serviço social de nossa patrulha canina é realizado em  creches e escolas, é denominado atividade assistida por animais e consiste em apresentações de agilidade e simulação de ocorrências. É um trabalho muito requisitado, uma vez que o contato entre os cães e as crianças auxilia no processo educacional, reforçando noções de companheirismo e dever de respeito com todos os seres vivos.

A fim de saber qual função é mais adequada para cada cão, os instrutores explicaram que assim que um cão chega à unidade começa a ser observado. Os cães, assim como nós, precisam ter aptidão para desenvolver determinadas tarefas. No caso das atividades assistidas por animais e na cinoterapia, por exemplo, os cães devem ter o que se chama “atração social”, ou seja, devem gostar do contato com pessoas, devem ser sociáveis.

Depois de conhecer a diversidade de trabalhos desenvolvidos por cães, me surgiu a seguinte dúvida: eles têm direito à aposentadoria? Os instrutores explicaram que há uma diretriz mundial no sentido de que os cães só devem trabalhar nessas funções por cerca de oito anos. Após esse período eles devem se aposentar e são destinados à adoção. Em tese qualquer pessoa pode adotar um cão aposentado da Guarda Municipal, no entanto, a prioridade é que o animal fique com seu instrutor, seguido de outros integrantes do Canil ou da Guarda Municipal.

 

Há protetores de animais que criticam atividades como essa, sob a alegação de que os animais seriam explorados.

Contudo, conhecer um pouco desse trabalho e vivenciar a relação entre instrutores e cães, entre pacientes e seus Pets terapeutas, só me faz concluir que a evolução do homem, seja no tocante a vida em harmonia no ecossistema seja quanto sua evolução ética e moral, é absolutamente indissociável da real compreensão de suas relações biológicas, afetivas e de cooperação com outras espécies animais.

 

 

 

Renzo Angerami é Chefe dos Investigadores da Delegacia de Polícia do Meio Ambiente de Santo André e idealizador do Projeto Leis e Bichos

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