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Reinaldo Polito: O Brasil tem um presidente motoqueiro

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Reinaldo Polito: O Brasil tem um presidente motoqueiro

O Brasil tem um presidente motoqueiro

Por que Omar Aziz levantou a voz para criticar Bolsonaro?

Vamos partir da premissa de que o presidente da CPI da Covid-19 é adversário do chefe do executivo. Tendo em vista essa base de análise, podemos entender melhor as atitudes de um e de outro.
Segundo Aristóteles, na obra “Arte retórica”, escrita no século IV a. C, e o mais antigo livro de oratória que chegou aos nossos dias: na peroração, na última parte do discurso, deve o orador, “dispor bem o ouvinte a seu favor e dispô-lo mal para com o adversário”. Essa foi a estratégia de Aziz quando se referiu a Bolsonaro na conclusão de seu pronunciamento.

Para isso, deveria se sustentar principalmente na força de seus argumentos. Ocorre que a linha de argumentação do senador tem se mostrado muito frágil, inconsistente. Os ataques que faz ao presidente da República surgem, no primeiro momento, com a fisionomia de fatos, mas no transcorrer dos depoimentos acabam por se mostrar meras narrativas.
Marcos Rogério tem se especializado em refutar as críticas feitas tanto pelo presidente da CPI quanto pelo relator. Ao cruzar as acusações dos membros da Comissão com as informações daqueles que são convocados para prestar esclarecimentos, o senador por Rondônia mostra claramente as inconsistências e contradições.

Se os argumentos não têm ajudado muito o senador Aziz a minar a imagem e a reputação de Bolsonaro, o que restou a ele fazer? Lançar mão de um recurso que, embora não tenha tanta utilidade para a razão, pode ser extremamente importante para a emoção: usar intenso volume de voz e gestos contundentes.
O maior pregador da nossa história, e o melhor escritor que o Brasil conheceu, foi o padre Antonio Vieira. Em sua aula magistral, o Sermão da Sexagésima, proferido em 1655, quando ensinava como os padres deveriam pregar, ele falou sobre esse poderoso recurso da comunicação:

“Antigamente pregavam bradando, hoje pregam conversando. Antigamente a primeira parte do pregador era boa voz e bom peito. E verdadeiramente, como o mundo se governa tanto pelos sentidos, podem às vezes mais os brados que a razão”.
Apenas essas informações, levando-se em conta sua credibilidade, poderiam ser suficientes para aceitarmos suas ponderações. Ocorre que Vieira queria sustentar suas opiniões a partir da própria história de Cristo. Por isso, complementou:
“Diz o Evangelho que começou o Senhor a bradar. Bradou o Senhor, e não arrazoou sobre a parábola, porque era tal o auditório que fiou mais dos brados que da razão.” E reforça sua tese enfatizando: “Perguntaram ao Batista, quem era? Respondeu ele: Eu sou uma voz que anda bradando neste deserto”.
E aqui, talvez, possamos compreender as atitudes de Omar Aziz. Afinal, por que dedicou parte importante de uma das sessões para atacar até de maneira furiosa o presidente? Vieira esclarece o motivo para o orador agir assim: “Há muita gente neste mundo com quem podem mais os brados que a razão”.

Poderíamos encerrar os argumentos a favor dos brados neste momento, mas Vieira queria que a sua tese se mostrasse ainda mais consistente. Por isso, relembra o que ocorreu com Cristo ao ser acusado:
“Depois que Pilatos examinou as acusações que contra ele se davam, lavou as mãos e disse: eu nenhuma causa acho neste homem. Neste tempo todo o povo e os escribas bradavam de fora que fosse crucificado. De maneira que Cristo tinha por si a razão e tinha contra si os brados. E qual pôde mais? Puderam mais os brados que a razão”.
Quando Aziz, ainda que se mantivesse sentado, faz do local onde se apresentava um verdadeiro palanque, como não havia argumentos sólidos para usar em seus ataques, lançou mão de frases soltas, sem nenhuma base racional, e com a voz mais potente que pôde encontrar fez o seu brado: “O Brasil tem um presidente motoqueiro […] agressor de mulheres. Gosta de gritar com mulheres, mas adora andar de moto. Grande motoqueiro o Brasil tem”.

Vamos lá. Esprema o conteúdo dessas palavras. O resultado será vazio. Quando, entretanto, são proferidas em altos brados e com gesticulação enérgica parece que ganham alguma força adicional. Se os ouvintes estiverem despoliciados, alheios ao conteúdo da mensagem, poderão ser envolvidos pela veemência do discurso e concluir que o orador está com a razão.
Pela repercussão de suas palavras, dá a impressão de que desta vez o artifício não funcionou. Nada impede, porém, que possa ser tentado outras vezes. Afinal, o grupo oposicionista ganhou agora um fôlego extra com a prorrogação da CPI. Aziz terá mais 90 dias, ou para encontrar argumentos convincentes, ou para tentar envolver emocionalmente os ouvintes. Vamos acompanhar para ver o que ele tem na manga para substituir os motoqueiros.

 

 

Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação e professor de oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão Corporativa e Gestão de Comunicação e Marketing na ECA-USP. Escreveu 34 livros com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram @polito pelo facebook.com/reinaldopolito pergunte no contatos@polito.com.br

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