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Marcus Vinicius de Freitas

Putin venceu mais uma

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em

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Por Marcus Vinicius de Freitas*

 

Putin venceu mais uma

 

Após o anúncio do início da retirada de tropas russas da fronteira com a Ucrânia, muitos analistas se perguntavam porque suas predições haviam errado. Por que Vladimir Putin, o líder autocrata russo, teria mudado de estratégia? Teriam os argumentos sobre sanções feitos pelos países europeus convencido o grande líder russo? Teria o Ocidente mantido sua relevância com o desfecho da crise?

 

A verdade é que Putin logrou seu objetivo, que, do ponto de vista geoestratégico, faz muito sentido: a Ucrânia não poderia pertencer a uma aliança contrária à Rússia em razão da sua proximidade geográfica e histórica. Obviamente que a narrativa a ser oferecida pelos países ocidentais será de que a ameaça das sanções surtiram o devido efeito. Mas a narrativa e a realidade dos fatos são distintas.

 

Há três aspectos importantes porque a Ucrânia não poderia fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em primeiro lugar, o país tem uma parte de seu território ocupado desde 2014 pela Rússia. Por mais que houvesse boa vontade dos países membros da OTAN, a admissão de um país ocupado parcialmente, já em estado de beligerância com uma potência nuclearmente armada, imediatamente colocaria os 30 países membros numa situação difícil, afinal, teriam de aplicar, eventualmente, o princípio de segurança coletiva, garantido pelo artigo 5º do Tratado da OTAN, que afirma que a agressão a um é considerada uma agressão a todos. Ora, a entrada da Ucrânia imediatamente colocaria a OTAN numa situação de constante alerta. Isto não seria uma decisão sábia nem economicamente interessante aos países europeus.

 

Em segundo lugar, a crise fabricada carrega um enorme viés eleitoral. Joe Biden, o presidente prestes a tornar-se um pato manco se confirmada a tendência de perder o controle do Congresso e Senado, nos Estados Unidos, com uma popularidade baixa, precisa de algum resultado positivo na área internacional, principalmente após a atabalhoada saída do Afeganistão e o fato de o país viver uma espiral inflacionária que é a maior de décadas. Boris Johnson, o Primeiro-Ministro britânico, vive uma situação política difícil também: além das festas que participou durante a pandemia – por sorte não eram os “bunga bunga” de Silvio Berlusconi – revelaram a hipocrisia entre a pregação e ação. Além disso, os britânicos agora começam a dar-se conta de que o BREXIT – a saída do Reino Unido da União Europeia – que levaria o país a um nirvana comercial está-se revelando um pesadelo. Para sorte de Johnson, a pandemia havia acobertado um pouco do desastre previsto do BREXIT. No entanto, com o retorno à normalidade, tem ficado impossível esconder o equívoco da ação. Já Emmanuel Macron – o presidente francês que, puerilmente, recebeu um ex-presidente brasileiro, corrupto, com honras de Chefe de Estado, repisou a ideia, a partir de uma frase equivocadamente atribuída a Charles de Gaulle de que “o Brasil não é um país sério – também tem interesse eleitoral na crise ucraniana, uma vez que, apesar de favorito, enfrentará eleições concorridas nos próximos meses.

 

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, enfrenta problemas domésticos com uma popularidade em queda, mesmo em meio à enorme crise existente. Segundo pesquisas, menos de 23% da população votaria nele para um segundo mandato. E por fim, o próprio Vladimir Putin, que enfrentará eleições em 2024, também precisava de um reforço em sua imagem de líder.

 

Em terceiro lugar, não se pode esquecer a enormidade do tamanho do lobby da indústria da defesa globalmente que, já há algum tempo, precisa de mecanismos para ampliar sua capacidade produtiva e de testagem da efetividade de suas armas. O lobby da indústria da defesa é enorme e, com a proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, constitui de um segmento importante a ser cortejado pelos democratas. Nas últimas semanas, a Ucrânia recebeu mais armas dos Estados Unidos e Reino Unido do que em suas três décadas de existência. Esta remessa de armamentos, basicamente, confirma a tese de Putin de que uma Ucrânia parte da OTAN estaria ainda mais armada para combater a Rússia.

 

A verdade é que Putin entrou nesta disputa já com a vitória assegurada. Afinal, nenhum país se disporia a combater uma potência nuclearmente armada. Biden, logo de início, afirmou que soldados norte-americanos não seriam destacados a participar de uma guerra na Ucrânia. Num ano eleitoral, a possibilidade de sacos com corpos de soldados norte-americanos chegando de um lugar desconhecido, cujos nomes as pessoas não sabem pronunciar, seria desastroso. Apesar de haver quem reconheça a ação de exércitos privados (“mercenários”) na Ucrânia – uma das práticas atuais nos conflitos – isto não seria o suficiente para um confronto com a Rússia.

 

Existem, ainda, dois fatores fundamentais a agregar: como o inverno europeu começa a amenizar, o poder de dissuasão russo na questão do fornecimento de energia é reduzido. Ademais, considerando os interesses de expansão no suprimento de gás ao continente, iniciativas como a retomada de projetos nucleares pela França pode tornar-se uma tendência irreversível no continente e reduzir o nível de dependência do fornecimento russo. Por fim, embora tenha tentado enviar uma mensagem uníssona de cooperação e união dentro da OTAN no caso da Ucrânia, o fato é que nem todos os trinta países membros tinham o mesmo nível de volúpia em querer iniciar um conflito armado no continente, sem a previsibilidade de como o conflito se encerraria. Num cenário pós-pandêmico, de lenta recuperação econômica, a situação poderia piorar substancialmente.

 

É importante relembrar um fator adicional que deu a Putin uma vantagem substancial: sanções – por mais intensas que fossem do que as atuais – seriam, de algum modo, arrefecidos pela parceria com a China que, caso a Europa parasse de comprar gás e petróleo da Rússia, seria o destino natural das exportações russas. Bem-vindo ao século XXI!

 

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Marcus Vinicius De Freitas
Professor Visitante, China Foreign Affairs University
Senior Fellow, Policy Center for the New South

 

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