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Esportes

Primeira afegã nas Olimpíadas tenta resgatar compatriotas: “Todas sob ameaça do Talibã”

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Primeira afegã nas Olimpíadas tenta resgatar compatriotas: “Todas sob ameaça do Talibã”

Friba Rezayee comanda projeto que proporciona educação e promove o judô, esporte no qual competiu em 2004. Robina Jalali, ex-corredora e dirigente esportiva, tem paradeiro desconhecido

Mais de 11h de fuso separam Vancouver de Cabul, e um trabalho incansável tem feito Friba Rezayee dormir muito pouco. No Canadá, onde vive há 10 anos, a primeira atleta a defender o Afeganistão nas Olimpíadas articula contatos e recursos para tentar proteger e expatriar meninas e mulheres do projeto que lidera à distância. Hoje todas estão escondidas, temerosas por represálias dos Talibãs.

Friba Rezayee foi a primeira mulher a defender o Afeganistão nas Olimpíadas, no judô — Foto: Reprodução / IJF

Friba Rezayee foi a primeira mulher a defender o Afeganistão nas Olimpíadas, no judô — Foto: Reprodução / IJF

Friba é fundadora da ONG Women Leaders of Tomorrow, Mulheres líderes do amanhã, na tradução para o português, que promove o empoderamento de afegãs através da educação e do esporte. A ideia é oferecer oportunidades para que as mulheres diminuam a disparidade entre os gêneros em seu país natal.

A retomada do poder pelo grupo fundamentalista islâmico, em agosto deste ano, coloca todo este trabalho em xeque, uma vez que as mulheres são consideradas inferiores, sem direitos básicos, como à educação e ao trabalho. O esporte feminino, taxado de pecaminoso por exibir os corpos de quem o pratica, também foi vetado.

Hoje Friba atua em duas frentes principais. A primeira é garantir ensino online e internet de qualidade para que estudantes sigam sendo educadas pelo tempo que ficarem impedidas de sair de casa. A segunda é buscar alternativas para retirar do país as que temem pela própria vida. É o caso das quatro principais judocas do grupo de 20 que treinavam com seu apoio.

– Centenas de mulheres me contataram pedindo para salvar suas vidas. A situação é terrível. Todos estão sob ameaça, se escondendo do Talibã. Recentemente o Talibã esteve em nosso dojô especificamente buscando pelas meninas. É uma história real. Elas estão escondidas, não podemos compartilhar seus nomes, nem localização.

– O Talibã recentemente baniu todas as mulheres de participar de quaisquer esportes. Elas só não morreram, mas o Talibã as está caçando. É uma situação devastadora. Todo mundo vive apenas esperando que o Talibã bata na porta para ser capturada. Estou tentando sem parar ter apoio para evacuá-las do Afeganistão, em contato com os governos dos EUA, do Canadá, e aberta a qualquer país que possa nos ajudar.

Friba sofreu ameaças após Atenas 2004

Em Atenas 2004, afegãos voltam às Olimpíadas após punição do COI e ausência em 2000

O esforço de Friba para lutar pelos direitos das mulheres é um reflexo dos desafios que ela própria teve que enfrentar quando mais nova. A família dela é da etnia hazara, minoria que foi muito perseguida quando os Talibãs chegaram ao poder nos anos 90. Eles imigraram para o Paquistão, onde Friba seguiu os passos dos irmãos e começou a lutar boxe.

Em 2001, com a ocupação americana após os ataques de 11 de setembro, Friba e a família voltaram a viver no Afeganistão. Ela tentou seguir no boxe, mas encontrou resistência e preconceito. Quando conheceu um técnico de judô trocou de esporte e encontrou uma janela para o futuro.

Em dois anos competiu pela primeira vez no exterior, e em 2004 surgiu a oportunidade que mudaria de vez a vida da jovem atleta: Friba seria uma das cinco representantes do Afeganistão nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. O país retornava ao evento após ser banido pelo COI de Sydney 2000 pelas violações de direitos humanos pelos Talibãs. Pela primeira vez a lista tinha mulheres.

Friba Rezayee e Robina Muqimyar Jalali representaram o Afeganistão em Atenas 2004 — Foto: Getty Images

Friba Rezayee e Robina Muqimyar Jalali representaram o Afeganistão em Atenas 2004 — Foto: Getty Images

Pela categoria até 70kg, Friba perdeu na primeira rodada para a espanhola Cecilia Blanco, mas despediu-se com o status de pioneira do país nos Jogos. Ao voltar para casa, infelizmente o orgulho de alguns compatriotas contrastou com o desprezo e a revolta de outros. Ela, que era progressista e não cobria com o véu os cabelos curtos tingidos de vermelho, sofreu ameaças.

– Eu estava ciente do perigo, mas para mim era importante exercer meu direito, minha liberdade, e provar que meninas podiam fazer tudo que os meninos faziam, além de provar para a comunidade internacional que havia afegãs que queriam mudanças e que poderiam competir internacionalmente.

 

– Eu fiquei um pouco famosa, havia matérias de televisão, rádio, jornais, e atraí muita atenção na época. Os fundamentalistas desaprovavam porque consideravam pecaminoso, uma atividade que expunha o corpo e que ia contra a cultura afegã de casar nova, ter filhos e ser uma dona de casa obediente. Eu não aceitava isso. Sonhava alto e queria ser livre acima de tudo.

Friba Rezayee, primeira afegã nas Olimpíadas, é imobilizada por Cecilia Blanco no judô

– Quando voltei das Olimpíadas comecei a receber ameaças de vizinhos, da comunidade, até de parentes. Aquela sociedade misógina e patriarcal não queria me ver competir. Achavam que eu iria corromper outras jovens afegãs, que seria uma má influência. Então tive que me esconder para minha proteção e da minha família.

Friba primeiro foi para o Paquistão e depois se mudou para o Canadá, onde vive até hoje, aos 34 anos. Em 2015, ela se formou em Ciências Políticas e fundou o Women Leaders of Tomorrow, a organização que tenta mudar a vida de outras afegãs, como ela, através da educação e do esporte. Missão agora dificílima sob o regime Talibã.

Ex-velocista e hoje parlamentar tem paradeiro desconhecido

 

Até hoje apenas quatro mulheres representaram o Afeganistão em Olimpíadas. Além de Friba, Robina Muqimyar, hoje conhecida pelo sobrenome Jalali, Tahmina Kohistan e Kimia Yousefi competiram pelo país.

Mulheres afegãs em Olimpíadas

Nome Edição dos Jogos Esporte Prova / categoria Resultado
Friba Rezayee Atenas 2004 Judô até 70kg derrota por ippon na 1ª rodada
Robina Muqimyar Jalali Atenas 2004 e Pequim 2008 Atletismo 100m 14s14 e 7º na bateria / 14s80 e 8º na bateria
Tahmina Kohistan Londres 2012 Atletismo 100m 14s42 e 9º na bateria
Kimia Yousefi Rio 2016 e Tóquio 2020 Atletismo 100m 14s02 e 8ª na bateria / 13s29 (NR) e 7ª na bateria

A história de Robina é emblemática. Ela só voltou aos Jogos de Pequim após Mehboba Ahdyar, que correria os 800m e 1.500m, desertar. A meio fundista havia sido ameaçada por fundamentalistas islâmicos e aproveitou um camping de treinamento na Itália pouco antes dos Jogos para fugir e buscar asilo político na Noruega.

Com a segunda participação olímpica concluída, Robina decidiu desenvolver uma carreira de gestão esportiva e militância pelos direitos das mulheres. Tornou-se presidente da Federação Afegã de Atletismo e vice-presidente do Comitê Olímpico Afegão. Tentou duas vezes até eleger-se membro do Parlamento Afegão em 2019.

Robina Jalali ao lado da primeira dama e do presidente do então Afeganistão, Ashraf Ghani , que recebem uma tocha dos Jogos de Tóquio — Foto: Reprodução / Facebook

Robina Jalali ao lado da primeira dama e do presidente do então Afeganistão, Ashraf Ghani , que recebem uma tocha dos Jogos de Tóquio — Foto: Reprodução / Facebook

Diante da ameaça de retorno do Talibã, Robina se manifestava contra o grupo islâmico e pedia apoio internacional. Sua última aparição pública foi no dia 9 de agosto, quando o então presidente do Afeganistão, Mohammad Ashraf Ghani recebeu a delegação que retornava das Olimpíadas de Tóquio – ele fugiria do país seis dias depois.

As redes sociais Robina não foram atualizadas desde então, e seu paradeiro é desconhecido. Uma de suas últimas postagens teve uma foto ao lado de Kimia Yousefi. Na abertura dos Jogos de Tóquio, no dia 23 de julho, Kimia dividiu o posto de porta-bandeira com o taekwondista Farzad Mansouri. Era o Afeganistão abraçando a sugestão dos Comitês Olímpico Internacional e Organizador de promover uma mensagem de igualdade entre gêneros.

Kimia Yousefi e Farzad Mansouri levaram a bandeira do Afeganistão na cerimônia de abertura de Tóquio 2020 — Foto: Getty Images

Kimia Yousefi e Farzad Mansouri levaram a bandeira do Afeganistão na cerimônia de abertura de Tóquio 2020 — Foto: Getty Images

Com o retorno do regime fundamentalista, mesmo o simbolismo ficou no passado. A legenda então postada por Robina Jalali, em tom de esperança, hoje desperta tristeza pelo que se reporta do ambiente no país.

– Nesta situação delicada em que o processo de paz afegão está, com a posição das mulheres no futuro político sombrio e desconhecido, a presença da Sra Kimia e a conquista (novo recorde afegão dos 100m) provaram mais uma vez que as mulheres afegãs continuam suas lutas em qualquer situação e tempo. Eles (Talibãs) não vão voltar – escreveu, no dia 30 de julho.

Robina Jalali (dir) em foto com Kimia Yousefi, corredora que representou o Afeganistão na Rio 2016 e em Tóquio 2020 — Foto: Reprodução / Instagram

Robina Jalali (dir) em foto com Kimia Yousefi, corredora que representou o Afeganistão na Rio 2016 e em Tóquio 2020 — Foto: Reprodução / Instagram

Eles voltaram. Mas Friba quer acreditar em uma reviravolta.

– Se eles seguirem no poder não há futuro para as mulheres afegãs, não há futuro no esporte, na educação, no trabalho. As mulheres serão sempre tratadas como escravas. Nas duas últimas décadas o Afeganistão mandou apenas quatro mulheres para as Olimpíadas. Eu fui a primeira, mas não quero que estas sejam as últimas. Quero ver afegãs em Paris em 2024.

 

– Temos esperança no geral porque as pessoas estão se levantando contra o Talibã. A situação agora é devastadora. Pessoas foram açoitadas, abusadas fisicamente. O Talibã quebrou a promessa e não mudou. Mas no fim do dia há esperança. As pessoas estão protestando nas ruas. Se houver resistência pode haver mudanças.

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Globo Esporte

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