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Política

Prefeitos do Podemos de SP pedem expulsão de Arthur do Val do partido após declarações sexistas sobre ucranianas

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Cinco prefeitos do Podemos no estado de São Paulo enviaram uma carta à presidência da sigla no último sábado (5) pedindo a expulsão do deputado estadual Arthur do Val do partido devido aos áudios vazados sobre as mulheres ucranianas.

Na carta, os prefeitos Rogério Lins (Osasco), Igor Soares (Itapevi), Guto Issa (São Roque), Caio Cunha (Mogi das Cruzes) e Kayo Amado (São Vicente) afirmaram que o parlamentar, conhecido como Mamãe Falei, infringiu o estatuto do partido ao dizer que as mulheres refugiadas ucranianas “são fáceis porque são pobres”.

“Nos causou repulsa as declarações de um dos membros do nosso partido Podemos, Arthur do Val, reveladas por meio de gravações divulgadas pela imprensa em 4 de março. Se de fato ‘somos um partido diferente’, conforme está preconizado na cartilha do Podemos 2021, publicada no site oficial da sigla, é necessário afastar membros que não contribuem com este propósito”, disseram os cinco prefeitos.

“Arthur do Val descumpriu o Art. 14 do Estatuto do Podemos, que trata dos deveres dos filiados, em especial o inciso II: “combater todas as manifestações de discriminação em relação à etnia, às pessoas com deficiência, aos idosos, assim como qualquer outra forma de discriminação social, de gênero, de orientação sexual, de cor ou raça, idade ou religião. (…) Em respeito aos propósitos do partido, nós, abaixo assinados, pedimos a expulsão de Arthur do Val – Mamãe Falei, do Partido Podemos”, completou a carta.

Os cinco prefeitos do Podemos em São Paulo: Rogério Lins (Osasco), Igor Soares (Itapevi), Guto Issa (São Roque), Caio Cunha (Mogi das Cruzes) e Kayo Amado (São Vicente). — Foto: Montagem/g1

Os cinco prefeitos do Podemos em São Paulo: Rogério Lins (Osasco), Igor Soares (Itapevi), Guto Issa (São Roque), Caio Cunha (Mogi das Cruzes) e Kayo Amado (São Vicente). — Foto: Montagem/g1

O documento foi endereçado à presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu, que já no sábado (5) anunciou a abertura de um processo disciplinar no Conselho de Ética da legenda contra Arthur do Val.

No mesmo sábado, o próprio parlamentar anunciou que estava renunciando à pré-candidatura dele ao governo de São Paulo pelo Podemos.

“Os áudios que vazaram de uma conversa privada com amigos são lamentáveis. Não são corretos com as mulheres brasileiras, ucranianas ou com todas as pessoas que depositam confiança em meu trabalho e, por isso, peço desculpas. Não tenho compromisso com o erro. Por isso, entrei em contato com a presidente do Podemos, Renata Abreu, para retirar minha pré-candidatura ao governo de São Paulo”, escreveu ele.

“Não quero atrapalhar a terceira via, não quero atrapalhar meu partido, não quero atrapalhar ninguém. Se isso for melhor, eu retiro [minha candidatura], não tem problema. Eu só quero que as pessoas me julguem pelo que eu fiz, não pelo que eu não fiz”, completou o deputado em vídeo publicado nas redes sociais.

Representações na Alesp

 

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo recebeu nesta segunda-feira (7) as representações que pedem a cassação do deputado Arthur do Val (Podemos).

Dez representações foram protocoladas contra o deputado desde sexta-feira (4), a maioria pedindo a perda do mandato.

As representações foram protocoladas pelos seguintes políticos:

  • Emídio de Souza (de advertência até cassação)
  • Isa Penna (de advertência até suspensão)
  • Profª Bebel (de advertência até cassação)
  • Sgto Neri (cassação)
  • Luiz Fernando (cassação)
  • Gil Diniz (cassação)
  • Major Mecca (cassação)
  • Altair Morais (cassação)
  • 17 deputados (cassação)
  • Janaína Paschoal (de advertência até cassação)

 

Ele deverá ser investigado pelo conselho por conta das declarações sexistas sobre mulheres ucranianas. As representações devem tramitar no colegiado por até 30 dias.

‘Ucranianas são fáceis, pois são pobres’, dizem áudios do deputado ‘Mamãe falei’

Tramitação na Alesp

 

Pelo regimento da Alesp, o conselho recebe a representação e a envia para a Secretaria Geral Parlamentar (órgão responsável por instaurar o inquérito) notificar os membros do colegiado e o parlamentar representado.

Após a abertura do processo, o deputado terá o prazo de cinco sessões do plenário, o equivalente a cinco dias, para apresentar a primeira defesa.

Na sequência, é marcada uma reunião do conselho para que os membros decidam se aceitam ou não a representação.

Uma vez aceita, o deputado terá novamente o prazo de cinco sessões do plenário para se defender.

Após esse período, o relator apresenta seu voto e os membros do conselho decidem sobre as penalidades, que podem ser: advertência, censura verbal ou escrita, perda temporária do mandato ou perda de mandato.

A perda de mandato, seja temporária ou permanente, precisa ser aprovada pela Mesa Diretora da Casa.

A decisão do conselho segue, então, para votação em plenário, que precisa de maioria simples para ser aprovada.

Alesp recebe pedido de cassação de deputado Arthur do Val

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O que dizem os áudios?

 

Nos áudios, que circulam nas redes sociais desde a noite desta sexta (4) e teriam sido enviados para integrantes do MBL, há declarações machistas e misóginas.

“São fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheia de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, mas eu colei em duas ‘minas’, em dois grupos de ‘mina’. É inacreditável a facilidade. Essas ‘minas’ em São Paulo você dá bom dia e ela ia cuspir na sua cara e aqui são super simpáticas”, diz o áudio

As declarações teriam sido feitas durante viagem à Ucrânia. Ele disse ter viajado para enviar doações para refugiados ucranianos após a invasão da Rússia ao país.

Conselho de Ética da Alesp recebe pedidos de cassação de Arthur do Val

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Nos áudios, o deputado estadual também teria comparado a fila de refugiadas à fila de uma balada.

“Acabei de cruzar a fronteira a pé aqui, da Ucrânia com a Eslováquia. Eu juro, nunca na minha vida vi nada parecido em termos de ‘mina’ bonita. A fila das refugiadas, irmão. Imagina uma fila de sei lá, de 200 metros ou mais, só deusa. Sem noção, inacreditável, é um bagulho fora de série. Se pegar a fila da melhor balada do Brasil, na melhor época do ano, não chega aos pés da fila de refugiados aqui.”

Em outro trecho, o áudio diz: “Passei agora quatro barreiras alfandegárias, duas casinhas pra cada país. Eu contei, são doze policiais deusas. Que você casa e faz tudo que ela quiser. Eu estou mal cara, não tenho nem palavras para expressar. Quatro dessas eram ‘minas’ que você se ela cagar você limpa o c* dela com a língua. Assim que essa guerra passar eu vou voltar para cá”.

Deputado Arthur do Val (Podemos) chega ao Brasil

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O que o deputado disse sobre os áudios?

 

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã deste sábado (5), o deputado estadual confirmou que são seus os áudios.

Inicialmente, ele disse que “houve um mal entendido” e que as “pessoas estão misturando os áudios com outro contexto”.

“Foi errado o que eu falei, não é isso que eu penso. O que eu falei foi um erro, em um momento de empolgação“, disse ele.

 

Depois, o deputado gravou um vídeo no qual declarou que suas frases foram “machistas” e “escrotas” e afirmou que se comportou “como um moleque” ao responder a perguntas de amigos em um grupo de conversas entre parceiros do futebol.

Em vídeo, Arthur do Val diz que pode deixar pré-candidatura após fala sobre ucranianas

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“Eu só quero que as pessoas me julguem pelo que eu fiz, não pelo que eu não fiz”, disse o deputado.

Segundo Arthur do Val, os áudios não foram enviados a grupos “de política” e ele já estava na Eslováquia, quando teve acesso a internet, ao enviá-los.

Conselho de Ética da Alesp recebe pedidos de cassação de Arthur do Val

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G1

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