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Por que a eleição não está definida

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Por que a eleição não está definida

A alta rejeição a Bolsonaro dá o favoritismo a Haddad. Mas, para ganhar, ele precisará falar um idioma capaz de convencer parte do público mais frustrado e ressentido com o lulismo

O candidato Jair Bolsonaro chega a uma semana do primeiro turno numa posição intrigante. É o primeiro colocado em todas as pesquisas e praticamente garantiu a vaga na segunda rodada. Mas também é o líder disparado em taxa de rejeição.

Seu nível de rejeição a esta altura da corrida é um recorde histórico. Isso fica evidente pelo critério do Datafolha, que desde 1989 faz a mesma pergunta aos entrevistados: “Em qual candidato você não votaria de jeito nenhum?”.

O nível de rejeição a Bolsonaro na última rodada, 46%, é o maior já registrado a uma semana da votação entre todos aqueles que venceram ou ficaram em segundo no primeiro turno desde 1989. Se vencer a eleição, Bolsonaro terá rompido a marca anterior, de Dilma Rousseff em 2014, por uma diferença de quase 50%, como mostra a tabela:

Rejeição às vésperas do 1º turno (em %)

Ano 1º lugar 2º lugar
2018 Bolsonaro 46 Haddad 32
2014 Dilma 31 Aécio 23
2010 Dilma 27 Serra 32
2006 Lula 28 Alckmin 25
2002 Lula 29 Serra 33
1998 FHC 21 Lula 35
1994 FHC 17 Lula 40
1989 Collor 27 Lula 30

Em cinco das sete eleições, venceu quem tinha menor rejeição a esta altura da campanha. Nenhum candidato rejeitado por mais de 31% a uma semana do primeiro turno venceu as eleições. Significa que o jogo está liquidado para Bolsonaro, como tantos parecem crer?

Não necessariamente. Se é verdade que Fernando Haddad é favorito, as vitórias de Dilma em 2014 e Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 mostram que o candidato mais rejeitado pode virar o jogo no segundo turno. A questão, portanto, é que tipo de campanha seria capaz de conter a onda anti-Bolsonaro que tem tomado conta das ruas do país e alimentado a rejeição ao seu nome.

Nesse ponto do debate, é comum que venha à tona o caso de Donald Trump, que venceu nos Estados Unidos apesar de toda a rejeição dos eleitores urbanos e escolarizados, contra todas as previsões feitas com base em pesquisas ou modelos estatísticos.

O caminho que levou Trump à vitória não foi, ao contrário do que muitos parecem crer, uma reação dos “perdedores da globalização” do Meio Oeste. É verdade que, no convoluto sistema eleitoral americano, o voto de apenas 77 mil eleitores em três estados – Michigan, Pensilvânia e Wisconsin – foi crucial para a vitória de Trump. Não era um cenário ignorado pela imprensa, ainda mais diante do desprezo que a campanha democrata manifestou pela região

Mas Trump obteve 63 milhões de votos no país todo, 46% do total. Atribuir a vitória dele apenas a questões econômicas enfrentadas pela indústria no Meio Oeste é ignorar a essência do sentimento que levou ao resultado. A motivação foi primordialmente de fundo cultural, como mostraram dezenas de estudos posteriores (neste texto, o cientista político Matt Grossmann compila os principais).

O motor da vitória de Trump foi o ressentimento contra a cultura tida como “politicamente correta”, mecanismos de ação afirmativa e privilégios às minorias, misturado a atitudes racistas e sexistas. Não é difícil ver essa mesma cultura nas manifestações contra Bolsonaro. Lá também houve protestos de movimentos feministas, negros e LGBT, mobilização de celebridades e artistas, memes e hashtags.

Uma análise simplista diria que Trump venceu apesar da revolta, pois soube falar às necessidades econômicas mais prementes da população nas regiões em crise. Enquanto Hillary Clinton chamava todos de “deploráveis”, ele entendeu melhor a angústia da América profunda.

Quem se der ao trabalho de ler uma parcela dos estudos compilados por Grossmann perceberá que, na verdade, Trump venceu também por causa da revolta. Ao concentrar sua campanha nas questões culturais, Hillary adotou uma agenda favorável a Trump. Alimentou todos os estereótipos que ele se encarregava de demolir com sua verve agressiva, para marcar pontos diante de seu público.

Deriva daí a crítica à estratégia da campanha petista, que tenta transformar a eleição num plebiscito sobre Bolsonaro, lembrando suas posições sobre tortura, regime militar, homofobia e seu comportamento diante das mulheres (quem há de esquecer o célebre vídeo em que Trump dizia, bem, deixa pra lá…).

Para vencer Bolsonaro, argumentam os críticos, Haddad precisaria esquecer as questões culturais e firmar compromisso nas áreas que mais preocupam o eleitor (e sempre estiveram entre os pontos fracos do PT): segurança pública, corrupção, política fiscal e crescimento.

Mas é essencial lembrar que Haddad e o PT são diferentes de Hillary (as características dela lembram mais Geraldo Alckmin). Aqui, foram os petistas que adotaram o slogan “O Brasil feliz de novo”, uma adaptação canhestra do “Make America great again” de Trump.

Se Trump queria resgatar uma era de prosperidade e poderio da nação americana, o PT fala nos “bons tempos” da Era Lula e promete que, de volta ao poder, o povo e os mais pobres terão de novo acesso aos bens, aos programas sociais, aos cursos universitários e viagens de avião que os ricos e as “elites malvadas” querem lhes tolher.

Eis a essência do argumento daqueles que contestam o paralelo com a eleição americana e veem a vitória de Haddad como inevitável. Basta, dizem, repetir a estratégia de sucesso das campanhas petistas em quatro eleições. Basta prometer melhores condições de vida nos redutos eleitorais do lulismo, pouco interessados em questões que preocupam a classe média, como crime ou corrupção.

A população mais simples anseia, no fundo, por amparo estatal. Os governos petistas ofereceram isso e estão na memória dos mais pobres, dos menos escolarizados e do Nordeste como aqueles em que houve maiores conquistas.

Não é à toa que, num mês e pouco, o Datafolha verificou alta nas intenções de voto em Haddad de 2% para 27% entre aqueles que têm nível fundamental de instrução; de 3% para 28% na faixa de renda de até dois salários mínimos; e de 5% para 38% no Nordeste. Em todos esses segmentos, ele foi da última para a primeira posição.

Só que o Brasil não se resume aos redutos lulistas. Em virtude da própria transformação social promovida nos governos petistas, a população brasileira mudou. A camada mais pobre representava 33% dos brasileiros no início do século; hoje são 24%.

A camada que mais cresceu ficou conhecida como a “nova classe média”. Também foi ela que mais perdeu com o fracasso econômico do governo Dilma. Em vez de faculdades e viagens de avião, voltou a viver de modo incerto e a engrossar as estatísticas de desemprego.

O cientista político André Singer – cuja simpatia pelo PT é incontestável – constatou em seu último livro, O lulismo em crise, a frustração nessa camada social, majoritária nos protestos de rua de 2013, embriões da mobilização que levou à queda de Dilma.

A ela, o PT prometeu um país que não entregou. Estão aí os frustrados, os ressentidos, os “deploráveis” na sociedade brasileira. Foi essa a camada que mais cresceu, de 17% em 2001 para 36% hoje, de acordo com uma análise do Datafolha.

É também nesse eleitorado que Bolsonaro concentra sua maior força e mais cresce. Desde o começo da campanha, ele lidera nos segmentos com nível superior e médio de escolaridade. Neste último, conquistou 3 milhões de votos no último mês. Na faixa de renda intermediária, entre 5 a 10 salários mínimos, lidera com 44% e subiu 12 pontos no mesmo período. Entre eleitores com renda familiar entre 2 e 5 salários, lidera com 34% e subiu 6.

O próprio Datafolha constatou, numa análise que levou em consideração rendimento, nível de instrução e acesso a bens, que as camadas intermediária e inferior da classe média, cuja renda familiar corresponde aproximadamente à faixa que vai de 2 a 10 salários mínimos, é objeto de uma disputa feroz entre Bolsonaro e Haddad. O primeiro lidera com 27%; o segundo já chega a 22% ou 23%.

Se a estratégia petista de prometer benesses estatais funciona nos redutos do lulismo, ela se tornou inócua para esse eleitorado. Ele hoje se mobiliza, ao contrário, com os temas incômodos para o PT: crime, corrupção e crescimento. E se incomoda com o mesmo discurso “politicamente correto” que tanto fortaleceu Trump nos Estados Unidos.

Ao insistir na campanha cultural, com protestos de mulheres e minorias, em vez de aumentar a rejeição, Haddad poderá perder votos entre esses eleitores. Basta ver, nos gráficos abaixo, como se comportou a taxa de rejeição a Bolsonaro e Haddad nas duas camadas de renda intermédiária que correspondem aproximadamente à “nova classe média”, que tanto ganhou com Lula e tanto perdeu com Dilma.

Para o eleitor pobre e menos instruído, o canto da sereia e as promessas lulistas funcionam. Para os mais abastados, o antilulismo visceral e a cantilena anticorrupção de Bolsonaro também funcionam.

Para o eleitor que está no miolo da classe média, a eleição não é um plebiscito sobre a democracia ou uma disputa sobre quem trata melhor as mulheres e as minorias, nem um festival de promessas de bonança e felicidade ou de saudosismo da Era Lula. Os números mostram que Haddad entrará no segundo turno como favorito. Mas não vencerá sem encontrar um idioma que lhe permita convencer esse eleitor.

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