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Reinaldo Polito: Vamos falar de coisa boa. Ou melhor, muito boa!

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Reinaldo Polito: Vamos falar de coisa boa. Ou melhor, muito boa!

Vamos falar de coisa boa. Ou melhor, muito boa!

Hoje levantei com uma pendência na cabeça. Estava na data limite para enviar o texto ao Diário de São Paulo. Assunto é o que não falta. Cada minuto de CPI dá material para muitos artigos. Só que eu ando meio enojado dessa conversa mole dos políticos. Eu, que analiso esses discursos de “suas excelências” há mais de 45 anos, sei bem o que está por trás de cada pronunciamento.

Por isso, baixei decreto – hoje não vou comentar sobre esses caras não. Quero falar de um assunto elevado, que ajude a levantar o meu astral e de meus leitores. Aí comecei a selecionar os bons temas: amizades, conquistas, superação, lembranças agradáveis, saudade, viagens. A lista não para. Até que troquei umas mensagens com a minha filha Rachel, e falei sobre o que estava fazendo. Ela me disse: por que você não fala da Vó Lúcia? Pronto. Estava decidido.

Reinaldo Polito: Vamos falar de coisa boa. Ou melhor, muito boa!

Daqui a alguns dias a minha mãe completa 93 anos de idade. Quase um século de vida! Que impressionante! Não teria tema mais apropriado. Pense numa pessoa querida, lúcida, bem-humorada, que gosta da vida. É ela. Veja se é possível não ficar encantado com uma pessoa assim.

Eu tinha menos de dois anos quando sofri queimaduras de terceiro grau. Para não ficar com os dedos dos pés grudados, precisaria fazer um enxerto de pele. Ela não hesitou. Cederia a própria pele para essa operação.

Conta que antes passou por uma igreja e orou muito para que não fosse preciso. Ao chegar no hospital recebeu a notícia de que haviam dado um jeito. Ela não precisaria mais se preocupar. Aí rezou de novo para agradecer. Esse é só um dos inúmeros exemplos de doação, sacrifício, resiliência e demonstração de amor.

A vida inteira foi assim. Enrola daqui e dali até todos se servirem nas refeições. Se perceber que não será suficiente para todos, prefere ela ficar sem comer. Como todos conhecem esse perfil, nunca ninguém deixou que isso acontecesse, lógico.

Com essa idade, cultiva uma paixão – futebol. Assiste a todos os jogos. E no final de cada partida faz questão de ligar para os torcedores da família e cumprimentá-los pela vitória. Ou, em alguns casos, dizer que embora o resultado tenha sido negativo, merecia pelo menos um empate.

Seu time do coração é o Palmeiras. Não sei se você sabe que quando o Palmeiras completou 100 anos a prefeitura de São Paulo instituiu um título oficial “Cidadão Palmeirense”. Ela foi agraciada com um desses títulos. O quadro com o diploma fica no quarto dela, posicionado de tal forma que ela possa dormir olhando para ele. Já disse que quando partir, o quadro vai junto.

Quando o Verdão vence, o telefone em casa não para. Todo mundo faz questão de cumprimentá-la, não importa o horário de término do jogo. No dia seguinte, os jornais ficam abertos sobre a mesa quase o tempo todo nas páginas noticiando a conquista. Ela fala de um jogador, de outro, das jogadas mais importantes do jogo.

Ultimamente anda inconformada com a falta de habilidade dessa turma que não sabe bater pênalti. Mas não se abate. Faz questão de lembrar que no último ano foram várias conquistas. Gosta do Abel Ferreira. Acha engraçado como ele fica agachado na beira do campo, e das broncas que ele dá nos juízes.

A Vó Lúcia não se esquece do aniversário de ninguém. Sabe todas as datas de cabeça. Cumprimenta cada aniversariante assim que se levanta, e fica o tempo todo perguntando se já ligamos para cumprimentar.

Nenhuma visita sai da nossa casa sem comer. E não adianta dizer que já almoçou ou jantou, pois pelo menos algum docinho vai ter que aceitar. Meu irmão nos visita toda semana, e ai da minha mulher se não deixar pronta a sopa de feijão de que ele tanto gosta.

Essa soube e sabe viver. Hoje, com dificuldade de andar por causa de um tombo que levou há algum tempo, nunca desanima. Muito antenada, fica de olho nas conversas, principalmente se alguém fala baixo. Aí desconfia de que estão tentando esconder alguma informação. E não descansa até descobrir do que se trata.

Sempre moramos juntos. Aprendi muito com ela. Por exemplo, não ficar de cara fechada perto das outras pessoas. Desde pequeno, ela me recriminava: por que você está bicudo? Insistia para eu não falar tão alto e tão rápido, a moderar o volume da voz e a respeitar as pausas. E pensar que hoje ensino essas mesmas lições.

A Vó Lúcia acompanha política nos mínimos detalhes. Gosta de ver as manifestações nas ruas, de ouvir o Bolsonaro falar umas besteiras. Como ela também gosta de usar um ou outro palavrão, se diverte com esse jeitão do Presidente. Quando me vê com o celular, pergunta: tem algo interessante para mostrar?

Tem a sensatez, entretanto, de não falar bem ou mal de um político com alguém da família que tenha posicionamento ideológico diferente do seu. Nada para ela é mais importante que a harmonia de seus queridos. É uma agregadora. Ajudou a criar muitos de seus netos. Passa boa parte do tempo no telefone, pondo em dia as novidades de cada um. Não deixa de telefonar para um neto sequer.

Lembra com alegria das musiquinhas em italiano que aprendeu com seus pais. Canta para as bisnetas e tenta ensinar algumas delas. Não quer deixar essas lembranças desaparecerem. Falando em bisnetas, quando mostro um filme delas no celular, já sei que ela vai querer ver pelo menos umas quatro ou cinco vezes. Pergunto: mas você já não viu? E ela sorrindo responde: cada vez vejo um detalhe diferente.

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