Siga nossa Redes
xvideos4.pro julia jerez de garcia salinas.
ngentot pagkantot sa magandang kapitbahay.
www.hotdesimovs.com blowjobs and pussy play.

Colunistas

Os dilemas de Putin

Publicado

em

Governo enviou 300 servidores para ajudar em buscas no Amazonas

Por Marcus Vinícius de Freitas

Os dilemas de Putin

 

 

O objetivo deste artigo é fazer uma análise neutra sobre o trágico cenário atual. Embora a guerra na Ucrânia venha sendo travada em dois campos – a mídia social e no campo de batalha – o fato é que na mídia social, Putin e a Rússia perderam fragorosamente a batalha. Já no campo de batalha, o resultado deverá ser diferente. Afinal, o exército russo tem um histórico de vitórias em suas ações, ainda que substancialmente elevadas baixas possam ocorrer. Para Putin o controle da Ucrânia é importante por três aspectos relevantes, que lhe norteiam a ação:  a necessidade de um amortecedor impeditivo; a certeza de que a Ucrânia não se transformará numa potência nuclearmente armada e a manutenção de uma esfera de influência na região.

 

A Ucrânia é um dos maiores países europeus. Além de um vasto território e uma população grande, o país serve como um importante amortecedor para desacelerar qualquer avanço militar que possa vir por terra da Europa, caso fosse deflagrada uma ação militar contra a Rússia. Amortecedores são importantes porque reduzem a velocidade de um exército atacante. A Bélgica, por exemplo, foi criada para servir como um amortecedor nas conflituosas relações entre França e Prússia (e depois o Império Alemão). Se este amortecedor inexistir, a Rússia aumenta a sua vulnerabilidade diante da OTAN. Ademais, a Ucrânia também foi, durante grande parte da Guerra Fria, o lugar onde uma parte importante do arsenal nuclear soviético esteve alocado. Quando se tornou independente da União Soviética em 1991, o país detinha o terceiro maior arsenal nuclear do mundo, com ogivas, mísseis balísticos intercontinentais e bombardeiros estratégicos. Por acordo firmado, sob intensa influência dos Estados Unidos, a Ucrânia devolveu todas suas ogivas nucleares à Rússia em troca de ajuda econômica e garantias de segurança. Não foi fácil o processo de remover as armas e infraestrutura nucleares da Ucrânia, particularmente por resistência da liderança política do país. A presença de tecnologia nuclear possibilitou aos ucranianos acumular o conhecimento necessário – e jamais perdido – do domínio da bomba nuclear, seu mecanismo de lançamento e alcance dos alvos preestabelecidos.

Por fim, a manutenção da esfera de influência russa constitui um dos elementos principais da alegação de Putin. A famosa promessa do Secretário de Estado dos Estados Unidos, James Baker, a respeito da não-expansão da OTAN na direção leste: “not one inch eastward” (“nem uma polegada para o leste”), em encontro com o líder soviético, Mikhail Gorbachev, em 9 de fevereiro de 1990, foi um elemento importante da cascata de promessas então feitas – e posteriormente descumpridas pelo Ocidente – nos estertores da União Soviética, quanto à reserva de sua esfera de influência. Muitos poderão queixar-se sobre esta limitação na soberania dos países, mas esta é a realidade global. Alguém conseguiria imaginar o México firmando um acordo militar de defesa com Rússia ou China sem restrições por parte dos Estados Unidos?

Diante deste cenário, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, não contribuiu à melhoria da situação. Buscou aproximar ainda mais o país da OTAN, ameaçando, inclusive, retomar o programa nuclear. Putin – reconhecido por sua frieza no julgamento e ação – viu acender a luz vermelha e a necessidade de enquadrar a liderança ucraniana. Estas premissas foram as molas propulsoras da ação de Putin na Ucrânia.

O fato é que todos sabem como guerras começam. Ninguém sabe como terminam. Mas uma coisa é real: a pandemia da COVID-19 e a Guerra da Ucrânia são elementos disruptivos de uma nova fase da história: o século asiático. Apesar da situação atual, que o século XXI seja menos sangrento que o precedente.

 

_________________

Marcus Vinícius De Freitas
Professor Visitante, China Foreign Affairs University
Senior Fellow, Policy Center for the New South

mais lidas