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Saúde

Número de profissionais de saúde afastados por Covid-19 na cidade de SP aumenta mais de 5 vezes em uma semana

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Número de profissionais de saúde afastados por Covid-19 na cidade de SP aumenta mais de 5 vezes em uma semana

O número de profissionais de saúde da rede pública da cidade de São Paulo afastados após terem sido diagnosticados com Covid-19 aumentou mais de cinco vezes nesta semana, segundo dados atualizados da prefeitura da capital. O número vem em ascensão desde dezembro e, nos primeiros dias de janeiro, triplicou repentinamente.

Em 6 de janeiro, a cidade de São Paulo tinha 269 profissionais da saúde na gestão municipal afastados com Covid. Nesta quinta-feira (13), o número consolidado saltou para 1.403 afastamentos, representando um crescimento de 421,56%.

Também houve aumento no número de profissionais afastados por outras síndromes gripais. Em uma semana, subiu de 1.209 para 1.683 a quantidade de médicos, enfermeiros e outros profissionais afastados por problemas respiratórios – alta de 39,2%.

No total, considerando todas as causas de afastamentos – não só Covid e gripe, mas outras doenças, a cidade de São Paulo tem, nesta quinta-feira (13), 3.193 profissionais de saúde afastados. Na semana passada, eram 1.585 afastamentos. Ou seja, mais do que dobrou.

O número de mortes de profissionais monitorado pela prefeitura desde o início da pandemia não mudou na última semana, continua em 107 óbitos.

Veja os números

 

  • Profissionais de saúde afastados na cidade (total):
  • 13/01: 3.193
  • 16/12: 771
  • Aumento de 314,13% em um mês
  • Profissionais afastados por Covid:
  • 13/01: 1.403
  • 16/12: 103
  • Aumento de 1.262,13% em um mês
  • Profissionais afastados por outras síndromes gripais:
  • 13/01: 1.683
  • 16/12: 561
  • Aumento de 200% em um mês

 

De dezembro para a primeira semana de janeiro deste ano, o número de profissionais com Covid na rede pública municipal havia triplicado.

“É um número alarmante, é um número absurdo e não tem como aceitar isso de uma forma tranquila. A gente já imaginava que isso ia acontecer, porque além do fato de vivermos uma pandemia, e de uma epidemia sobreposta [de Influenza], a gente tem profissionais que, por estafa e cansaço, acabam tendo uma exposição maior e acabam se contaminando. O adoecimento desses trabalhadores não é só por estarem expostos ao vírus, mas por questões de um trabalho levado ao extremo e de cargas horárias absurdas que aumentam a quantidade de contaminação”, afirma a médica Vanessa Araújo, representante do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

As categorias de médicos e enfermeiros têm questionado as decisões recentes da Prefeitura de São Paulo e diz que a contratação de 280 profissionais não é suficiente para sanar a sobrecarga acumulada nos últimos dois anos de pandemia.

Desde dezembro do ano passado, a Secretaria Municipal da Saúde decidiu ampliar os atendimentos na rede primária, principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com decisões como a vacinação contra a Influenza, a testagem em massa para gripe e Covid e, desde o último fim de semana, a abertura das UBS aos sábados.

GloboNews recebeu diversos relatos de médicos que atuam na rede básica da cidade de São Paulo sobre a situação que eles têm vivido nas últimas semanas. A pedido deles, as identidades serão preservadas e nomes fictícios serão usados.

Carlos*: “Situação chegou para além do limite, a gente já tá esgotado”

“Não tem nenhuma contratação de pessoal para nos ajudar, temos pedido para a prefeitura a nível de governo federal, ninguém faz nada. Então a saúde mental da população, o que sofreu diversos traumas por perda de familiares, e a situação de saúde mental dos próprios trabalhadores da Saúde estão indo por água abaixo. (…) A situação chegou para além do limite, a gente já está esgotado. A gente não aguenta mais e quem está sofrendo é a população, que espera em fila de seis horas, quatro horas…”

Paulo*: “O que a gente pede são condições mais justas”

“Vivemos sob estresse, diversos colegas pedindo demissão. E a população fica mais desassistida do que nunca, população essa extremamente carente nas periferias da cidade de São Paulo. O que a gente pede são condições mais justas, mais dignas, e o reconhecimento mínimo que seria o respeito ao médico que tanto trabalha, trabalhou e continua trabalhando em prol do benefício da saúde do paciente. Este é o único motivo pelo qual a gente continua, mesmo sob condições adversas.”

Marcelo*: “A categoria está adoecendo”

“Dois anos e esta questão não muda, até piora. Agora a gente tem uma epidemia dentro da pandemia, um surto de Influenza junto com os novos casos de coronavírus e isso drenando mais os recursos da atenção primária que não podem ser destinados agora para quem deveria ser destinado. E a gente ainda enfrenta esses novos fluxos que aparecem. (…) A gente vê que a categoria está adoecendo, eles não estão dando conta e isso só vai trazer malefícios para todos para todos. A sociedade inteira sai perdendo, desde os profissionais até os pacientes.”

Maria*: “Enfermeiras estão estafadas, e médicos, pedindo demissão”

“Pacientes adoecidos, profissionais adoecidos, profissionais sobrecarregados. É o que a gente tem hoje: dois anos de pandemia. As enfermeiras estão estafadas, aumentou o número de pacientes que elas atendem de coletas de exames. Temos coletas de PCR para Covid e para Influenza e quem faz essa coleta são as enfermeiras. Os médicos estão pedindo demissão, por quê? Por que estão sobrecarregados.”

Esgotamento

 

Segundo Vanessa Araújo, médica e representante do Sindicato dos Médicos de São Paulo, os profissionais estão exaustos e precisam da atenção do poder público. “Ninguém aguenta o ritmo que o trabalhador de saúde do Brasil tem levado. É um misto de tristeza, mas uma ponta de esperança e é por isso que a gente continua essa luta. É nesse momento que a gente se encontra agora. Pegando o último fôlego pra gritar junto da população, que a gente precisa de ajuda para vencer a pandemia e retomar um pouco da normalidade e da assistência de saúde da população.”

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou “que, desde dezembro, a rede municipal de saúde passou por um crescimento na demanda espontânea de sintomáticos respiratórios em função do vírus Influenza e da variante ômicron da Covid-19, o que pressionou a rede básica municipal. Diante disso, a pasta ampliou o atendimento para que as 469 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) auxiliem no atendimento a esses casos, que tendem a ser mais leves, sem conversão em internação hospitalar.”

Ainda segundo a nota, a prefeitura diz que “vem empreendendo junto aos seus parceiros todos os esforços para oferecer a cobertura necessária e a partir da próxima semana a rede contará com um plantonista a mais nas portas de urgência e emergência hospitalares, além de incremento de profissionais nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com processo de contratação em andamento”.

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G1

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