Uma pesquisa conduzida entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP) mostra

Redação Publicado em 04/04/2020, às 00h00 - Atualizado às 17h41
Uma pesquisa conduzida entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FespSP) mostra que pelo menos 55% dos tuítes com a hashtag #BolsonaroDay saíram de perfis automatizados ou robôs.
O estudo identificou 66 mil contas que, sozinhas, foram responsáveis por cerca de 1,2 milhão de postagens no dia das manifestações pró-governo, 15 de março .
Os robôs que usaram a hashtag #BolsonaroDay publicaram, em média, 700 tuítes no dia 15 de março. As contas automatizadas mais ativas chegaram a postar mais de 1,2 mil tuítes nessa data.
A grande quantidade de tuítes por conta em apenas um dia é indício de automação, segundo as pesquisadoras. De acordo com o estudo, usuários comuns publicam de três a dez vezes no Twitter por dia e perfis mais ativos chegam a 50 tuítes diários.
“As chamadas ‘tropas cibernéticas’ ou exércitos virtuais são comumente utilizados nas redes sociais para ativar a militância online a favor do governo e falsificar a opinião pública”, afirma a pesquisa.
Para identificar as publicações de perfis robotizados, as pesquisadoras utilizaram o software Gotcha, desenvolvido pelo Laboratório de Microssociologia e Estudo de Redes (NetLab) da UFRJ, em parceria com a Twist System, uma startup de ciência de dados. O índice de acerto é 80%.
A pesquisa identificou alguns padrões de comportamento nas postagens em apoio a Bolsonaro entre 1º de janeiro e 15 de março. Um deles é o de “campanha permanente”: isso significa adotar métodos de campanha mesmo fora do período eleitoral, com uso da militância virtual para atacar adversários.
“O objetivo é provocar o ‘contágio’ emocional e respostas viscerais do público, como raiva, medo, desorientação, negacionismo e indignação”, afirmaram as pesquisadoras.
Em nota, o Twitter afirma que “inferências como essa não levam em consideração as medidas defensivas” da plataforma para “garantir que o conteúdo automatizado não influencie as conversas” na rede social. A empresa diz ainda que não encontrou manipulação coordenada generalizada nos tweets com a hashtag citada, mas que “seguirá acompanhando de perto as conversas sobre o tema na plataforma.”
IG
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