A Polícia Civil indiciou a ex-assessora direta do prefeito de Sorocaba (SP) por uso de documento falso na manhã desta quarta-feira (19). Tatiane Polis é pivô

Redação Publicado em 19/07/2017, às 00h00 - Atualizado às 14h59

Tatiane Pólis foi indiciada pela Polícia Civil por uso de documento falso (Foto: Reprodução/TV TEM)
A Polícia Civil indiciou a ex-assessora direta do prefeito de Sorocaba (SP) por uso de documento falso na manhã desta quarta-feira (19). Tatiane Polis é pivô da discussão entre o prefeito José Crespo (DEM) e a vice-prefeita Jaqueline Coutinho (PTB). A suspeita é que ela não tenha concluído o ensino fundamental.
Tatiane, que pediu exoneração do cargo na segunda-feira (17), esteve presente na delegacia para prestar esclarecimentos e disse ser inocente.
“Eu sou uma pessoa de boa fé, que procurou uma escola, fez a matrícula e as provas. Eu me sinto vítima. O problema não sou eu, o problema é político. Eu sou mais uma vítima. Assim como a cidade está parada para acompanhar essa história, eu tive que parar a minha vida para resolver isso. Para provar algo que ninguém não tem prova nenhum que eu fiz”.
De acordo com o delegaco seccional Marcelo Carriel, uma investigação foi feita a partir da denúncia da vice-prefeita Jaqueline Coutinho e foi constatado junto a Secretária de Educação do Rio de Janeiro que, de fato, Tatiane não concluiu o ensino fundamental. Além disso, o órgão não reconhece o documento apresentado por ela como de conclusão do ensino médio.
Por isso, a ex-assessora de Crespo foi incidiada e o relatório – que deve ser concluído até segunda-feira (24) – será encaminhado ao Ministério Público.
Se condenada por uso de documento falso, Tatiane Polis pode pegar de dois a seis anos de prisão. Por enquanto, ela irá responder o processo em liberdade.
Além disso, a Polícia Civil também encaminhou para o Ministério Público e para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) os boletins de ocorrências registrados pelo prefeito José Crespo e pela vice-prefeita Jaqueline Coutinho. Carriel disse que os fatos relatados nos boletins não são da esfera policial, e sim cível.
Duas, das três denúncias feitas pelo prefeito contra a vice-prefeita são por improbidade administrativa e a investigação compete a área cível. Os casos foram encaminhado ao MP e já estão com o promotor Orlando Bastos Filho.
A outra denúncia feita pelo prefeito foi de que a vice-prefeita teria praticado injúria e assédio moral contra a ex-assessora Tatiane Polis. Já nesse caso, o crime só pode ser registrado pela própria vítima, no caso a ex-assessora, e não por um terceiro.
Já sobre a denúncia feita pela vice-prefeita contra o prefeito por falta de decoro parlamentar – por ter enviado uma carta pedindo que ela desocupe o gabinete em 24 horas e se afaste das atividades e ações do governo – ainda segundo o delegado secional , uma lei prevê que esse tipo de denúncia deve ser encaminhada a uma Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI), o que já foi feito.

Crespo pediu para que vice-prefeita de Sorocaba se ausente de cargo e desocupe sala em 24h (Foto: Fernanda Szabadi/G1)
Entenda a polêmica
A vice-prefeita de Sorocaba afirma ter sido humilhada pelo prefeito José Crespo durante uma reunião – realizada no dia 26 de junho – em que teria exposto uma denúncia sobre a falta de diploma da funcionária comissionada.
O caso veio à tona após a mãe da vice-prefeita afirmar, em uma postagem no Facebook, que a filha e o secretário Hudson Moreno Zuliani tinham sido agredidos pelo prefeito durante a reunião. Na época, Jaqueline recebeu o G1 em casa para falar sobre o caso e disse que foi vítima de agressão verbal por conta da denúncia.
Segundo Jaqueline, ela recebeu a denúncia sobre a falta de diploma do ensino fundamental da Tatiane Polis, que ocupava um cargo de assessora nível III da prefeitura, cujo salário do cargo – de acordo com o Portal da Transparência – é de cerca de R$ 9,1 mil mensais.
Quando ela se reuniu com Crespo e outros secretários para cobrar dele uma posição sobre a denúncia, o prefeito teria dito que o assunto estava encerrado e pediu para que ela se retratasse com a assessora. Crespo alegou que a funcionária havia sido constrangida.
“Sempre zelei pela legalidade. Ele [Crespo] ficou tenso, o clima ficou tenso, então ele falou que eu deveria pegar minhas coisas e ser vice-prefeita de casa. Exaltado, bateu na mesa e disse que não era mais para eu aparecer”, afirma.
Ainda de acordo com Jaqueline, um secretário interveio e também foi confrontado pelo chefe do Executivo, que teria dito “que, se quisesse, deveria pedir as contas”.
Antes de ocupar o cargo no Executivo, a vice-prefeita atuou como titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba. Durante a campanha eleitoral, defendeu a criação do botão do pânico para ajudar as mulheres vítimas de violência doméstica.

Jaqueline Coutinho se reuniu com advogado nesta terça-feira (Foto: Natália de Oliveira/G1)
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