O delegado da Polícia Federal (PF) Flávio Augusto Palma Setti disse que entre os presos da Operação Glasnost, deflagrada nesta terça (25) em 14 estados

Redação Publicado em 25/07/2017, às 00h00 - Atualizado às 15h03

Delegado detalha a operação realizada pela polícia contra a pedofilia
O delegado da Polícia Federal (PF) Flávio Augusto Palma Setti disse que entre os presos da Operação Glasnost, deflagrada nesta terça (25) em 14 estados brasileiros para combater a pedofilia, estão pais que abusavam das próprias filhas, um homem de 80 anos e dois funcionários públicos que compartilhavam pornografia infantil através dos computadores do próprio órgão.
Pelo menos 15 vítimas já foram identificadas, ainda segundo a PF. “Um dos casos que nos chamou a atenção foi em Praia Grande, em São Paulo, de uma menina que sofreu abusos do pai entre 2 e 8 anos de idade”, contou o delegado.
Os abusos, conforme a PF, ocorriam na casa da avó da menina, sem o conhecimento de mais ninguém. “Os abusos só pararam porque ele ficou com medo que a filha contasse para as amigas”.
Até as 13h50, 30 pessoas tinham sido presas, sendo 27 em flagrante e três prisões preventivas. Professores, médicos, estudantes e um porteiro estão entre os presos.
Ainda conforme o delegado Setti, as investigações começaram com a prisão de um estudante de medicina em 2010. “Ele citou um site russo que era utilizado como uma espécie de ‘ponto de encontro’ de pedófilos do mundo todo”, disse.
Depois disso, foi deflagrada a primeira fase da operação, em 2013, e agora a segunda etapa. “Antes dessa última fase, nós identificamos algumas questões urgentes de casos de abuso em que as devidas providências foram tomadas”, detalhou o delegado.
Os investigados produziam e armazenavam fotos e vídeos de crianças, adolescentes e até mesmo de bebês com poucos meses de vida – muitos deles sendo abusados sexualmente por adultos – e as enviavam para contatos no Brasil e no exterior.
A PF disse ainda que as investigações resultaram na identificação de centenas de usuários, brasileiros e estrangeiros, que compartilhavam pornografia infantil na internet, bem como de diversos abusadores sexuais e produtores de pornografia infantil. Foram identificadas diversas crianças vítimas de abuso.
“Também foram identificados criminosos de várias partes do mundo, como americanos e russos, por exemplo. Essas informações foram remetidas para os devidos países para investigação”, acrescentou Setti.
O delegado disse que não tem há definir um perfil dos criminosos – entre os presos estão pessoas entre 18 e 80 anos. Alguns delas já tinham passagem pela polícia por fatos relacionados à pedofilia.
Os crimes investigados nesta operação são compartilhamento de pornografia infantil, posse de pornografia infantil, abuso de vulnerável e produção de pornografia infantil.
Considerando as duas fases da operação, esta é uma das maiores operações já realizadas pela Polícia Federal de combate à pedofilia. Na primeira etapa, 30 pessoas foram presas.
Foram expedidos três mandados de prisão preventiva, 71 de busca e apreensão e dois de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento. As ordens judiciais estão sendo cumpridas em 51 cidades de 14 estados brasileiros.
Em Maringá (PR), foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, que resultaram em três prisões em flagrante. Um dos alvos foi pego em flagrante com o computador ligado compartilhando pornografia na internet.
Em Curitiba, um mandado de busca também resultou em flagrante.
O nome da operação é uma referência ao termo russo que significa transparência. “A palavra foi escolhida porque a maior parte dos investigados utilizava servidores russos para a divulgação de imagens de menores na internet e para realizar contatos com outros pedófilos ao redor do mundo”, explicou a PF. Ao todo, 350 policiais participam da ação.
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