Caso seja confirmado no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Alexandre Ramagem deve evitar mudanças bruscas nos postos de comando da PF para

Redação Publicado em 26/04/2020, às 00h00 - Atualizado às 22h49
Caso seja confirmado no cargo de diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Alexandre Ramagem deve evitar mudanças bruscas nos postos de comando da PF para contornar as desconfianças em torno de seu nome, devido às circunstâncias da indicação e à amizade que mantém com os filhos do presidente Jair Bolsonaro.
Segundo interlocutores do delegado, a expectativa é que, em um primeiro momento, ele troque as diretorias da PF em Brasília, hoje ocupadas por pessoas de extrema confiança do seu antecessor Maurício Valeixo, como o diretor-executivo Disney Rosseti e o diretor de investigação e combate ao crime organizado Igor Romário de Paula, que atuou na Lava-Jato em Curitiba.
Mas Ramagem deve evitar promover uma mudança generalizada nas superintendências da PF nos Estados, porque isso provocaria resistência na PF e daria combustível ao sentimento de desconfiança que circula entre os integrantes da corporação no momento. Essa mudança pode ser efetivada em um segundo momento, quando o novo diretor-geral tiver mais força dentro do cargo.
Integrante de uma geração mais nova na PF, tendo ingressado na corporação em 2005, há uma expectativa que Ramagem busque também colegas mais jovens para compor os principais cargos de direção da PF, rompendo a tradição que era respeitada na Polícia Federal. Esse fato desagrada a delegados com mais tempo de carreira, que apontam não ser adequado ter uma “carreira meteórica” dentro da PF e atingir o topo tão rapidamente, como ocorreria com Ramagem e sua equipe. O antecessor Valeixo, por exemplo, tinha 23 anos dentro da corporação.
Justamente por ser dessa geração mais nova, Ramagem não era visto internamente como um delegado com experiência suficiente para ser candidato à direção-geral. Sua indicação é atribuída à boa relação construída com Bolsonaro e com os filhos do presidente, e também por ter sido coordenador de sua segurança na campanha eleitoral de 2018 e por seu desempenho na direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Após as declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que Bolsonaro queria trocar o comando da PF porque estava preocupado com inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal e porque queria ter acesso a informações de inteligência da corporação, a PF passou a ver com desconfiança a nomeação de qualquer delegado que tivesse relação mais próxima com o presidente.
No sábado, Ramagem esteve em reunião com Bolsonaro no Palácio da Alvorada para conversar sobre a indicação. Desde sexta, o delegado tem recebido em privado manifestações de apoio de amigos dentro da PF. Discreto, Ramagem tem agradecido as manifestações, mas se limita a dizer que aguarda a oficialização da sua nomeação para poder conversar sobre o assunto.
Ao ingressar na PF em 2005, Ramagem começou a trabalhar em Roraima e atuou no combate ao tráfico de drogas e outros ilícitos. Em 2011, foi nomeado para a chefia da Unidade de Repressão a Crimes contra a Pessoa em Brasília. Nessa função, atuou com operações da PF de combate a grupos de extermínio. Em 2015, foi indicado para coordenar, no Estado do Amazonas, o Grupo de Investigações Sensíveis de Repressão ao Tráfico Ilícito de Entorpecentes, atuando no combate ao tráfico de drogas e às facções criminosas.
Em 2017, ele entrou na equipe da PF da Lava-Jato do Rio e atuou nas investigações de deputados estaduais suspeitos de corrupção, na operação que ficou conhecida como Furna da Onça, que resultou na prisão preventiva de dez parlamentares.
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