A necessidade de isolamento social fez com que muitos deixassem de lado o acompanhamento médico de doenças vasculares crônicas. Segundo a Sociedade Brasileira

Redação Publicado em 30/08/2020, às 00h00 - Atualizado às 16h13
A necessidade de isolamento social fez com que muitos deixassem de lado o acompanhamento médico de doenças vasculares crônicas. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular de São Paulo (SBACV-SP), durante esse período, houve um aumento de casos de trombose venosa, embolia pulmonar e urgências arteriais, que podem ser explicadas pela incidência de eventos trombóticos relacionados à infecção por SARS-Cov-2 e, também, pela negligência à supervisão da especialidade.
De acordo com o cirurgião vascular e presidente da SBACV – SP, Walter Campos Júnior, a periodicidade de acompanhamento de uma doença vascular pré-existente pode variar de uma semana a seis meses, de acordo com a gravidade.
O especialista explica que algumas doenças podem ter complicações, se não houver o monitoramento de um médico vascular. “A trombose venosa profunda (TVP) precisa do controle de dose dos anticoagulantes, pois pode levar a sangramento ou recidiva. O pé diabético pode ter progressão de infecção e perda do membro. Já o aneurisma pode progredir à rotura. Enquanto o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) é comum em pacientes que apresentam problemas na carótida”, diz Campos.
Ainda que não existam doenças vasculares pré-existentes, é importante observar os sinais que o corpo dá, principalmente nos membros inferiores, já que doenças vasculares sem tratamento podem levar a consequências graves, como amputações. Sintomas como dor e inchaço na região nas pernas e pés, assim como aspecto pálido, arroxeado ou escurecido da pele, queda de pelos e mudanças de temperatura local, pedem uma consulta ao angiologista ou cirurgião vascular o mais rápido possível.
O cirurgião vascular e presidente da SBACV Nacional, Bruno Naves, esclarece que os consultórios médicos são ambientes limpos, preparados para receber os pacientes. “Antes da covid-19, sempre fomos muito cuidadosos e preparados para evitar a transmissão de outras doenças, como Aids e hepatite. Além do conhecimento de doenças transmissíveis, aprendemos na faculdade como nos portar em ambientes hospitalares e consultórios, além de quais os cuidados necessários para lidar com pessoas doentes. Somos fiscalizados pela vigilância sanitária. A maior diferença dos tempos atuais é o uso da máscara”, explica.
O médico explica que não existem ambientes aos quais é possível falar que não existe o vírus. Mas, os consultórios médicos têm chances muito menores de transmissão da doença do que locais de grande movimento diário. Naves ainda pontua que a prevenção é o melhor remédio. “É melhor cuidar da saúde do que tratar da doença. Cuide bem de sua saúde vascular”, alerta.
Walter Campos completa que os consultórios estão adotando diversas medidas de higiene e prevenção para a segurança dos pacientes durante a pandemia. “Como o uso obrigatório de máscaras, consultas espaçadas, ventilação pelas janelas, antissepsia das mãos e do ambiente, além de, nas cirurgias eletivas, realizar necessariamente o exame RT-PCR Covid-19 no paciente”, finaliza.
Agência Brasil
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