Governador descarta mudanças imediatas e promete reforçar treinamentos para conter abusos; secretário segue pressionado

por Marina Milani
Publicado em 13/01/2025, às 19h33
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou nesta segunda-feira (13) a permanência do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, mesmo diante do crescente número de denúncias de violência policial no estado. Durante evento no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Tarcísio foi enfático ao afirmar que não pretende realizar alterações no comando da pasta: “Não pretendo fazer mudanças por hora”.
A declaração ocorre em meio a números preocupantes. Dados do Ministério Público de São Paulo revelam um aumento de 46% nos casos de violência policial em 2024 em comparação com o ano anterior.
O governador garantiu que sua gestão está implementando ações para evitar excessos nas abordagens policiais. Entre as medidas anunciadas estão:
“Aqueles que estão se excedendo e não cumprindo os procedimentos estabelecidos serão severamente punidos”, destacou Tarcísio, sem especificar quais agentes ou unidades já estão sob investigação.
Questionado sobre a morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, baleado por um policial militar durante uma abordagem, o governador reconheceu a gravidade do caso. “Existe um desejo de ver justiça, e acho que tem que acontecer. Os responsáveis serão apresentados e irão a julgamento”, afirmou.
O caso, que gerou ampla repercussão, reacendeu debates sobre a falta de transparência em investigações envolvendo a Polícia Militar e o impacto das ações abusivas sobre a população civil.
Enquanto Tarcísio defende a continuidade do trabalho de Derrite, especialistas e organizações da sociedade civil apontam falhas graves na condução da Secretaria de Segurança Pública. Para muitos, a alta nos índices de violência policial reflete a falta de supervisão rigorosa e de políticas eficazes para controlar excessos.
Além disso, lideranças políticas têm pressionado o governo a adotar medidas mais duras, incluindo uma eventual substituição de Derrite. No entanto, Tarcísio reforça seu apoio ao secretário, argumentando que mudanças estruturais na formação e no treinamento das tropas são o caminho para solucionar o problema.
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