Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após intoxicação em piscina; outros seis também foram afetados

William Oliveira Publicado em 13/02/2026, às 12h01
A investigação sobre a morte da professora de natação Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, ganhou um desdobramento decisivo nesta quarta-feira (11). Em depoimento à Polícia Civil, um dos sócios da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, Zona Leste de São Paulo, admitiu ter recusado a contratação de especialistas para a manutenção da piscina.
Segundo o empresário Celso Bertolo Cruz, após problemas técnicos registrados no início do ano, ele decidiu assumir pessoalmente o controle dos produtos químicos, por considerar desnecessária a contratação de um serviço especializado. A admissão reforça a linha de investigação que aponta negligência na condução dos procedimentos de segurança do local.
A tragédia ocorreu no último sábado (7), quando uma reação química na piscina provocou a liberação de um gás tóxico e resultou em intoxicação coletiva. Juliana sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu após ser socorrida.
Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil indiciou os três proprietários da academia por homicídio e solicitou à Justiça a prisão preventiva dos responsáveis.
Além da morte da professora, outras seis pessoas foram intoxicadas. Entre elas, o marido da vítima e um adolescente de 14 anos precisaram de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Uma criança de 5 anos também apresentou sintomas e recebeu atendimento médico.
Alunos relataram forte odor químico durante a aula. Em poucos minutos, os frequentadores passaram a apresentar ardência intensa nos olhos, nariz e pulmões, além de náuseas e vômitos.
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Imagens de segurança mostram um funcionário da academia manuseando baldes e despejando substâncias na piscina. Em depoimento, o trabalhador afirmou não possuir qualquer qualificação técnica e declarou que apenas cumpria ordens diretas da administração. Segundo ele, ao alertar um dos proprietários sobre o mal-estar dos alunos, ouviu como resposta: “Paciência”.
Após o incidente, a academia foi fechada sem acionamento imediato de equipes de emergência. Para realizar a perícia no local, agentes do 42º Distrito Policial precisaram arrombar o imóvel.
As investigações apontaram que a academia funcionava sem alvará de funcionamento. O estabelecimento foi interditado pela Subprefeitura da Vila Prudente após a constatação de irregularidades estruturais e sanitárias.
Também foi identificado que dois CNPJs estavam registrados no mesmo endereço, prática que pode indicar tentativa de diluir responsabilidades jurídicas.
A perícia técnica analisa amostras da água para identificar qual substância reagiu com o cloro adulterado, gerando o gás tóxico.
Em nota, a defesa dos proprietários afirmou que lamenta profundamente o ocorrido e que colabora com as autoridades. O caso aguarda a conclusão dos laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico-Legal.
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