Diário de São Paulo
Siga-nos
Violência em alta em SP

São Paulo registra alta de feminicídios e letalidade policial no início de 2026

Dados apontam crescimento preocupante da violência contra mulheres e aumento de mortes em ações policiais

Mortes em intervenções policiais aumentaram 8% em 2026, com crescimento significativo em ocorrências envolvendo policiais fora de serviço - Imagem: Reprodução/
Mortes em intervenções policiais aumentaram 8% em 2026, com crescimento significativo em ocorrências envolvendo policiais fora de serviço - Imagem: Reprodução/

Letícia Sales Publicado em 04/05/2026, às 09h41


O estado de São Paulo começou 2026 com indicadores preocupantes na segurança pública. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram aumento nos casos de feminicídio e nas mortes decorrentes de intervenção policial nos três primeiros meses do ano.

Entre janeiro e março, foram registrados 86 feminicídios — o equivalente a uma mulher morta a cada 25 horas. O número representa um aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2025 e de 72% na comparação com 2022, configurando o maior índice para um primeiro trimestre desde o início da série histórica.

O avanço no estado supera a média nacional. Enquanto o Brasil registrou crescimento de 9,1% nos feminicídios entre 2022 e 2025, São Paulo teve alta de 43% no mesmo intervalo, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz.

Interior lidera aumento; capital mantém estabilidade

O crescimento foi mais intenso no interior paulista, que concentrou 60 casos no primeiro trimestre de 2026 — alta de 76,5% em relação ao ano passado. Já a Grande São Paulo apresentou queda de 10% nos registros, enquanto a capital manteve estabilidade em comparação com 2025, com 17 casos. Ainda assim, o número na cidade representa aumento expressivo de 142,9% em relação a 2022.

Além dos feminicídios, outros indicadores de violência contra a mulher também cresceram. As ocorrências de lesão corporal dolosa aumentaram 47% desde 2022, totalizando 19.249 registros. Já os casos de estupro de vulnerável subiram 22% no período, com 2.941 ocorrências apenas nos três primeiros meses deste ano.

Para a pesquisadora do Instituto Sou da Paz, Malu Pinheiro, “o aumento dos casos de feminicídios em São Paulo é alarmante e revela a ineficiência do poder público em romper com o ciclo de violência contra a mulher”.

Casos recentes na Grande São Paulo ampliaram a comoção. Em Guarulhos, um homem é acusado de matar a ex-companheira, Sara de Lima, de 44 anos, e atirar contra a filha dela, de 23 anos, que tentou intervir. Já em São Bernardo do Campo, uma mulher foi morta a tiros dentro de casa, na presença de dois filhos.

Letalidade policial também cresce

Os dados da SSP indicam ainda aumento nas mortes decorrentes de intervenção policial. No primeiro trimestre de 2026, foram 176 registros, contra 163 no mesmo período do ano passado — alta de 8%.

O crescimento foi ainda maior em ocorrências envolvendo policiais fora de serviço, com aumento de 21,4%. Já os casos em serviço subiram 8,3%. Na comparação com 2022, o número de mortes provocadas por policiais em serviço praticamente dobrou, passando de 74 para 143.

Na capital paulista, o aumento também chama atenção: as mortes em ações policiais passaram de 48 no primeiro trimestre de 2022 para 60 em 2026, crescimento de 35%.

O que diz a Secretaria da Segurança Pública

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "o enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de feminicídio, é prioridade do governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção."

A pasta destacou que o estado "ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. Ainda estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher".

Segundo a secretaria, "o aplicativo SP Mulher Segura permite o registro da ocorrência on-line, 24h por dia, além do botão do pânico para mulheres com medida protetiva". A nota também ressalta que "o pacote de ações também inclui um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores".

Sobre a atuação policial, a SSP afirmou que "todas as ocorrências de mortes por intervenção policial (MDIPs) são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário". A pasta acrescenta que o estado investe na redução da letalidade, com "aperfeiçoamento de protocolos operacionais, capacitação dos agentes e ampliação do uso de tecnologias e equipamentos de menor potencial ofensivo".

A secretaria também destacou o uso de câmeras corporais e sistemas de monitoramento: "O Estado é referência em transparência e controle, com o uso de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) e monitoramento em tempo real das ações policiais. O total de equipamentos está sendo ampliado para 15 mil, representando aumento de 48,1% em relação aos contratos firmados na gestão anterior".

O cenário reforça o desafio das autoridades em con


últimas notícias