A nova cepa, que causou surtos no Congo, foi identificada em uma mulher que não viajou recentemente para áreas afetadas

Manoela Cardozo Publicado em 08/03/2025, às 08h16
O estado de São Paulo confirmou o primeiro caso da nova cepa da Mpox, chamada clado 1b, no Brasil. A paciente é uma mulher de 29 anos, moradora da Região Metropolitana de São Paulo, que apresenta boa evolução e deve receber alta na próxima semana. Apesar de não ter viajado para áreas com surtos da infecção, ela teria recebido recentemente pessoas vindas do Congo, seu país de origem. No entanto, ainda não é possível determinar com exatidão como a doença chegou ao Brasil, e o caso segue em investigação pelos órgãos de vigilância sanitária.
A confirmação foi feita pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e o diretor da unidade, Luiz Carlos Pereira Júnior, explicou que os exames da paciente indicam que a infecção foi causada pela cepa que provocou um surto de longa duração no Congo e se espalhou para países vizinhos. O especialista, no entanto, enfatizou que não há motivo para pânico. “Podemos passar o recado de que esse não é um momento de preocupação. Em diversos países houve a vigilância de contactantes (dos primeiros casos) e o bloqueio da doença. Por isso que fora do Congo, onde sua prevalência é maior, o clado 1b não se estabeleceu. Nossa vigilância é muito experiente”, declarou.
Antes de ser internada no Instituto Emílio Ribas, a paciente chegou a procurar atendimento em outro serviço de saúde paulista e foi orientada a praticar o isolamento recomendado para a doença, que dura três semanas. No entanto, como as lesões causavam desconforto, ela precisou de novo atendimento. O especialista destacou que o comportamento da paciente fora do ambiente hospitalar não representa grande risco para a disseminação da doença, que exige contato íntimo com o infectado ou compartilhamento de objetos, como roupas de cama.
A recomendação para pessoas que apresentem sintomas como dor no corpo, febre e lesões na pele é procurar uma Unidade Básica de Saúde para testagem e tratamento. A Mpox é uma doença já conhecida no Brasil desde 2022, quando os primeiros casos foram registrados. Até então, o país lidava apenas com o clado 2 da doença. Em 2024, o estado de São Paulo já registrou 1.126 casos, sem nenhuma morte.
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