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Moradia

Remoção da Favela do Moinho reacende debate sobre direito à moradia em São Paulo

Projeto de revitalização urbana prevê despejo de centenas de famílias, gerando críticas sobre falta de garantias de realocação adequada

Favela do Moinho, última do centro de São Paulo, enfrenta processo de remoção em meio a planos de reurbanização - Imagem: Reprodução/Governo de São Paulo
Favela do Moinho, última do centro de São Paulo, enfrenta processo de remoção em meio a planos de reurbanização - Imagem: Reprodução/Governo de São Paulo

Manoela Cardozo Publicado em 02/05/2025, às 09h45


A decisão do governo estadual de remover a Favela do Moinho, localizada no centro de São Paulo, para dar lugar a projetos de revitalização urbana, levanta preocupações sobre o direito à moradia e a situação das famílias que serão desalojadas.

O governo do Estado de São Paulo anunciou planos para remover a Favela do Moinho, situada entre os bairros de Campos Elísios e Bom Retiro, com o objetivo de implementar um projeto de revitalização urbana que inclui a construção de um parque público e uma nova estação de trem. A comunidade, que abriga cerca de 1.600 a 1.800 famílias, é a última favela remanescente no centro da capital paulista.

Segundo o secretário de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, os moradores serão realocados para habitações a serem construídas na mesma região ou receberão auxílio-aluguel. No entanto, a falta de detalhes sobre o processo de realocação e as garantias oferecidas tem gerado críticas de entidades civis e do governo federal.

Muitos residentes da favela possuem renda informal e não se enquadram nos critérios dos programas de assistência habitacional existentes, o que aumenta o risco de que fiquem sem moradia adequada após a remoção. A urbanista Raquel Rolnik, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, destaca que a ausência de um plano claro para atender essas famílias pode resultar em um aumento da população em situação de rua na cidade.

Além disso, denúncias de uso excessivo da força e pressões sobre os moradores têm sido registradas, criando um clima de tensão na comunidade. O governo federal, por sua vez, desautorizou recentemente a demolição de moradias na favela, exigindo informações claras sobre os planos de realocação e o projeto detalhado de intervenção na área.


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