Documento complementar da Operação Vérnix cita transferência de veículo de luxo e reforça indiciamento da influenciadora, de Marcola e de outros investigados

Letícia Sales Publicado em 30/05/2026, às 09h32
A Polícia Civil de São Paulo concluiu nesta sexta-feira (29) um relatório complementar da Operação Vérnix, investigação que apura a atuação de uma suposta organização criminosa voltada à lavagem de capitais. O documento reforça o indiciamento da influenciadora Deolane Bezerra, de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), além de outras cinco pessoas.
Entre os elementos destacados pelos investigadores está uma suposta ligação entre Deolane e o cantor MC Ryan SP. Segundo a polícia, a conexão surgiu durante a análise da documentação de uma Lamborghini Huracán EVO que atualmente está registrada em nome da Deolane Bezerra Holding Patrimonial Ltda.
As investigações apontam que o veículo esteve anteriormente vinculado à Ryan SP Holding Patrimonial Ltda., empresa da qual o funkeiro aparece como sócio e administrador, com participação societária integral de R$ 500 mil, conforme registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
De acordo com o relatório, a relação ganha relevância porque MC Ryan SP também foi citado em apurações da Operação Narco Fluxo, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Para os investigadores, a transferência do automóvel entre empresas patrimoniais ligadas aos dois não deve ser analisada de forma isolada.
A polícia sustenta que o caso integra um contexto mais amplo de movimentação de bens de alto valor por pessoas jurídicas patrimoniais, com mudanças sucessivas de titularidade que podem indicar uma estratégia de proteção e ocultação de patrimônio.
O indiciamento de Deolane, Marcola e dos demais investigados ocorreu após a conclusão da primeira etapa de análise dos materiais apreendidos durante a Operação Vérnix, realizada em conjunto pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo em 21 de maio.
A defesa de Deolane Bezerra e MC Ryan SP. Até o momento, não houve manifestação pública dos representantes dos dois.
Já a defesa de Marcola divulgou uma nota após a apresentação do relatório complementar. Confira a íntegra:
"Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, vem a público, após a apresentação de relatório final complementar apresentado na data de hoje, informar que seus clientes tiveram o indiciamento reiterado no âmbito da Operação Vérnix, pela suposta prática dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, previstos respectivamente no art. 2º, caput. da Lei nº 12.850/2013, e no art. 1º, caput. §1º.1 e §4, da Lei nº 9.613/1998. A Defesa esclarece que segue acompanhando todos os atos investigativos e adotará as medidas jurídicas cabíveis para a garantia dos direitos de seus clientes, ressaltando que o indiciamento constitui ato investigatório e não implica reconhecimento de culpabilidade, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência."
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