Atraso na segunda dose pode comprometer a imunização de crianças e adolescentes

Sabrina Oliveira Publicado em 26/10/2024, às 09h21
Em São Paulo, cerca de 250 mil crianças e adolescentes ainda não tomaram a segunda dose da vacina contra a dengue, essencial para garantir a imunidade completa contra a doença. Os dados, divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde, mostram que o ciclo vacinal está em atraso para 247.806 jovens, de um total de quase 480 mil que receberam a primeira dose.
O esquema de imunização contra a dengue prevê duas doses, aplicadas com um intervalo de 90 dias entre elas. A campanha é direcionada para jovens entre 10 e 14 anos, grupo considerado vulnerável à doença e que, nos últimos anos, registrou um aumento no número de internações. A vacinação é fundamental para protegê-los durante o verão, período em que a transmissão da dengue tende a crescer devido à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Segundo especialistas, tomar apenas a primeira dose não é suficiente para garantir a imunidade total. "A proteção adequada só é alcançada com as duas doses completas. Quem não finaliza o ciclo pode continuar vulnerável à doença", alerta a pediatra Ana Escobar.
As autoridades de saúde informaram que os municípios são responsáveis por garantir que a segunda dose esteja disponível para todos que iniciaram a vacinação. Em São Paulo, a campanha começou em abril e segue em 391 municípios, com postos abertos de segunda a sábado para atender à demanda. A Secretaria de Saúde também tem promovido ações como o "Dia D" para incentivar a imunização, mas muitos jovens ainda não retornaram para a aplicação da segunda dose.
Na capital paulista, mais de 83 mil crianças e adolescentes ainda estão com a vacinação em atraso. A Secretaria Municipal de Saúde tem realizado buscas ativas, ligando para as famílias e visitando residências, na tentativa de aumentar a adesão à campanha e evitar lacunas na imunização.
Além da vacinação, os especialistas alertam que as medidas preventivas continuam sendo fundamentais para controlar a proliferação do mosquito transmissor. "Eliminar água parada é essencial. Sem isso, não há campanha de vacinação que resolva o problema por completo", destaca a Secretaria de Saúde.
O Ministério da Saúde adquiriu 5,2 milhões de doses da vacina e, até agora, mais de 2,1 milhões de primeiras doses e 646 mil segundas doses foram aplicadas em todo o Brasil.
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