Diário de São Paulo
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Inclusão no ensino superior

Projeto enfrenta evasão universitária e transforma trajetórias de jovens autistas em vulnerabilidade

A iniciativa Atuários do Futuro oferece apoio financeiro, mentoria e suporte socioemocional para garantir a permanência de jovens com autismo e outras condições mentais no ensino superior.

Projeto apoia estudantes com autismo e outras condições mentais na permanência universitária e na construção de carreira - Imagem: Reprodução
Projeto apoia estudantes com autismo e outras condições mentais na permanência universitária e na construção de carreira - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 02/04/2026, às 08h58


Estudantes com autismo e outras condições mentais enfrentam altos índices de evasão no ensino superior no Brasil, onde a taxa chega a 41%. A permanência desses jovens na universidade requer suporte contínuo e políticas integradas que atendam suas necessidades específicas.

Apenas 0,8% dos universitários no Brasil são autistas, e entre adultos com mais de 25 anos, apenas 15,7% concluem o ensino superior. Fatores como falta de adaptação institucional e preconceito dificultam a inclusão e a permanência desses estudantes.

O projeto Atuários do Futuro, desenvolvido pela CNseg em parceria com a UNIFESP, oferece apoio financeiro e acompanhamento socioemocional para estudantes em vulnerabilidade. Com uma abordagem integrada, a iniciativa visa garantir a formação acadêmica e a inserção no mercado de trabalho, mostrando que é possível superar barreiras com o suporte adequado.

Estudantes com autismo e outras condições mentais enfrentam desafios ainda maiores para permanecer na universidade no Brasil. Mais do que o acesso ao ensino superior, a permanência desses jovens exige suporte contínuo, estrutura adequada e políticas integradas que considerem suas necessidades específicas.

Em um cenário em que a evasão no ensino superior público chega a 41%, segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025, iniciativas voltadas a esse público tornam-se fundamentais para evitar a interrupção de trajetórias acadêmicas e profissionais.

É nesse contexto que surge o projeto Atuários do Futuro, desenvolvido pela CNseg, em parceria com o CIEDS e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A iniciativa atua diretamente no apoio à permanência de estudantes, com atenção especial a jovens em vulnerabilidade, incluindo aqueles com autismo e outras condições mentais.

A proposta combina apoio financeiro, acompanhamento socioemocional e orientação profissional, criando uma rede de suporte que vai além da assistência tradicional.

Segundo Vandré Brilhante, o projeto foi estruturado como uma jornada formativa completa.

“O objetivo é criar condições reais para que esses jovens avancem na formação acadêmica e construam perspectivas sólidas de futuro”, afirma.

Trajetória que evidencia o desafio

Um dos exemplos é o de Guilherme Dias, de 26 anos, morador da zona leste de São Paulo. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista e TDAH nível 2 de suporte, ele enfrentou dificuldades significativas desde o ingresso na universidade, em 2020.

Entre desafios acadêmicos, emocionais e financeiros, Guilherme chegou a cogitar desistir diversas vezes. A mudança começou após sua entrada no projeto, em 2025. Com o auxílio financeiro, ele conseguiu iniciar terapias essenciais e garantir condições mínimas para continuar estudando.

“A pessoa autista tem muita capacidade, mas precisa de apoio. Quando isso acontece, ela pode até se sobressair”, relata.

Barreiras estruturais ainda limitam inclusão

Os dados mostram que o problema é amplo. Segundo o Censo da Educação Superior 2024, apenas 0,8% dos universitários no Brasil são autistas. Já entre adultos com mais de 25 anos, apenas 15,7% concluíram o ensino superior, de acordo com o IBGE.

Além disso, apenas cerca de 15% dos adultos autistas estão inseridos no mercado de trabalho formal no país, evidenciando um ciclo de exclusão que começa na educação e se estende à vida profissional.

Fatores como falta de adaptação institucional, ausência de suporte especializado e preconceito ainda dificultam tanto a permanência na universidade quanto a entrada no mercado.

Metodologia focada em permanência e empregabilidade

O diferencial do projeto está na abordagem integrada, alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, com foco em educação de qualidade, redução das desigualdades e geração de trabalho digno.

Entre as ações desenvolvidas estão:

  • Diagnóstico individual detalhado de cada estudante
  • Bolsa-auxílio para permanência
  • Trilha socioemocional com 30 horas de formação
  • Planos de carreira personalizados
  • Mentorias com profissionais do setor
  • Visitas a empresas
  • Atividades de desenvolvimento pessoal e profissional
  • O acompanhamento contínuo permite adaptar o suporte às necessidades específicas de cada aluno, especialmente aqueles com condições mentais que exigem maior atenção.

Impacto direto na vida dos estudantes

Hoje, próximo de concluir a graduação, Guilherme já projeta seu futuro na área de seguros, especialmente no segmento de mercadorias.

“O projeto ajuda na base, que é a parte financeira, mas também abre caminhos que antes pareciam impossíveis”, afirma.

A iniciativa mostra que, com suporte adequado, estudantes com autismo e outras condições mentais não apenas permanecem na universidade, mas também podem se destacar e ocupar espaços estratégicos no mercado de trabalho.


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