Operação Hipócrates II apura esquema que teria realizado cerca de 2 mil atendimentos irregulares e ligação com nove mortes

Letícia Sales Publicado em 26/05/2026, às 09h20
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (26), a segunda fase da Operação Hipócrates II, que investiga um esquema de falsos médicos atuando em um hospital particular da Zona Leste da capital paulista. Durante a ação, um dos suspeitos foi preso temporariamente.
Segundo as investigações, os dois homens teriam realizado cerca de 2 mil atendimentos ao longo de dois anos no Hospital de Clínicas Jardim Helena. A polícia aponta ainda que nove pacientes morreram em decorrência de supostos erros e falhas nos atendimentos prestados pelos investigados.
O falso médico preso foi identificado como Marcos Phelipe de Barros. De acordo com a Polícia Civil, ele utilizava documentos verdadeiros pertencentes ao médico Nicolas Joseph Della Matta para atuar ilegalmente na unidade de saúde. A defesa dele não foi localizada até a última atualização desta reportagem.
Além da atuação dentro do hospital, Marcos também foi filmado por policiais, há cerca de três semanas, realizando atendimento médico em via pública e aplicando uma injeção em uma paciente.
A operação é conduzida pelo 22º Distrito Policial de São Miguel Paulista e cumpre sete mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão temporária e outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça. As diligências acontecem na capital paulista e também nos municípios de São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.
As investigações também apontaram possíveis falhas da própria unidade hospitalar. Por determinação judicial, a gestora operacional e o diretor clínico do hospital foram afastados de suas funções enquanto o caso segue sob apuração.
Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes e indícios de falhas que vão além dos falsos médicos. Nosso trabalho agora é aprofundar a apuração para responsabilizar todos os envolvidos nesse esquema”, afirmou o delegado titular do 22º DP, Mariano de Araújo.
A primeira fase da Operação Hipócrates ocorreu em dezembro do ano passado, quando policiais cumpriram mandados de busca em um hospital da Zona Leste. O inquérito investiga crimes de exercício ilegal da profissão, estelionato e uso de documentos falsos. A operação segue em andamento.
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