Ação ocorreu no campus do Butantã e terminou com estudantes feridos e quatro detidos; movimento acusa operação ilegal e cobra retomada do diálogo com a reitoria

por Marina Milani
Publicado em 10/05/2026, às 08h45
A Polícia Militar retirou estudantes que ocupavam a reitoria da Universidade de São Paulo, no campus do Butantã, Zona Oeste da capital paulista, durante uma ação realizada na madrugada deste domingo (10), por volta das 4h15.
Segundo relatos dos alunos, policiais utilizaram escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a operação, realizada sem aviso prévio. Vídeos gravados pelos próprios estudantes mostram agentes agredindo manifestantes com golpes de cassetete.
De acordo com a assessoria de imprensa do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, diversos estudantes ficaram feridos durante a desocupação. O órgão também informou que quatro alunos foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana.
Em nota publicada nas redes sociais, o DCE afirmou que os policiais formaram um “corredor polonês para espancamento” durante a retirada dos estudantes e classificou a operação como abusiva e ilegal.
“A ocupação já passava de 60 horas, não havia qualquer sinal de violência ou grave ameaça a qualquer pessoa, e a operação ocorreu fora do horário de funcionamento administrativo”, afirmou o diretório.
O movimento estudantil também questiona a ausência de ordem judicial para a desocupação e aponta que operações desse tipo não deveriam ocorrer entre 21h e 5h, conforme entendimento consolidado nos tribunais.
A ocupação da reitoria começou após estudantes da USP, Universidade Estadual de Campinas e Universidade Estadual Paulista aderirem a uma greve unificada por melhorias na permanência estudantil e na infraestrutura das universidades estaduais paulistas.
Os alunos reivindicam aumento de bolsas, reformas nas moradias estudantis, manutenção dos campi e ampliação de serviços básicos.
No caso da USP, estudantes do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) denunciaram problemas estruturais graves, como infiltrações, mofo, vazamentos de gás, iluminação precária e falta de manutenção nas áreas comuns.
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O movimento ganhou força após denúncias sobre as condições das moradias estudantis e também após a morte da professora Sandra Regina Campos, na Unesp, depois de sofrer um mal súbito durante uma palestra noturna no campus.
A reitoria da USP afirmou, em nota, que lamenta os danos ao patrimônio público causados durante a ocupação e informou que acionou forças de segurança para evitar novas invasões em outros espaços do campus.
Já a Unicamp declarou que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis, enquanto a Unesp informou que as reivindicações serão discutidas em reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas.
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