Transferência de R$ 4,4 milhões é a maior identificada no período analisado; funkeiro é apontado como líder de esquema ligado ao PCC

Letícia Sales Publicado em 17/04/2026, às 11h19
A Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 4,4 milhões de uma empresa ligada ao influenciador Pablo Marçal para o funkeiro MC Ryan SP, no âmbito da operação Narco Fluxo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a representação da PF, o valor foi repassado pela empresa R66 Air Ltda — registrada com atuação no setor imobiliário e ligada ao influenciador — e é o maior montante recebido por Ryan no período analisado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre maio de 2024 e outubro de 2025.
Os investigadores apontam que a quantia é “compatível com o valor de mercado de um helicóptero modelo Robinson R66 Turbine, o que sugere a ocorrência de uma negociação envolvendo a referida aeronave”.
O documento também menciona que MC Ryan SP “atuou como apoiador público da candidatura de Marçal” durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, além de participações do influenciador no programa “Marçal Talks”.
Durante a campanha, no entanto, o funkeiro negou qualquer vínculo político. “Está rolando um vídeo antigo onde apareço abraçado ao lado de uma pessoa que está se candidatando a um cargo político. Muitos dos meus fãs estão achando que estou apoiando bandeira de ciclano ou beltrano”, disse. “Eu não estou apoiando ninguém. Inclusive, é uma falta de respeito essas páginas editarem em um vídeo dando a entender que estou compactuando com isso ou aquilo. Nada contra quem compactua, mas eu prefiro ser neutro”, acrescentou.
MC Ryan SP foi preso na última quarta-feira (15), apontado como o principal beneficiário do esquema investigado. De acordo com a PF, ele utilizava empresas ligadas à produção musical e sua visibilidade nas redes sociais para misturar receitas legais com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais.
A investigação indica que o artista teria transferido bens e participações para terceiros, incluindo familiares, como forma de ocultar patrimônio. Após a lavagem, os valores eram reinseridos na economia formal por meio da compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e outros ativos.
Além disso, a PF afirma que o funkeiro financiava a publicação de conteúdos favoráveis a sua imagem e à divulgação de plataformas de apostas, buscando reduzir impactos negativos das investigações.
Outros influenciadores também foram detidos na operação, entre eles o funkeiro Poze do Rodo e Raphael Sousa, responsável pela página Choquei. O caso segue sob investigação.
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