Espetáculo chega à 26ª edição com nova proposta estética, protagonismo inédito e valorização da cultura popular regional; apresentação será gratuita no dia 3 de abril

Ana Beatriz Publicado em 26/03/2026, às 16h38
A 26ª edição da encenação da Paixão de Cristo de Santa Isabel ocorrerá em 3 de abril de 2026, com entrada gratuita, buscando inovar e resgatar as origens do teatro religioso, atraindo cerca de 15 mil espectadores por edição.
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial e integrada ao Circuito de Páscoa de São Paulo, a montagem foi indicada ao Prêmio Governador do Estado de São Paulo de 2025, destacando sua importância cultural e turística.
Sob a direção de Emerson Bicudo, a nova proposta inclui mudanças no elenco e figurinos, além de uma trilha sonora que valoriza a cultura popular, reforçando a Paixão de Cristo como um evento que democratiza o acesso à arte e fortalece a identidade local.
A tradicional encenação da Paixão de Cristo de Santa Isabel chega à sua 26ª edição em 2026 com uma proposta que mistura inovação, identidade local e resgate das origens populares do teatro religioso. O espetáculo será realizado no dia 3 de abril, a partir das 20h, na Praça 1812, em frente à Igreja Matriz, com entrada gratuita.
Reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial do município e integrada ao Circuito de Páscoa do Estado de São Paulo desde 2024, a montagem também foi indicada ao Prêmio Governador do Estado de São Paulo de 2025 na categoria Iniciativas Culturais do Setor Público. O reconhecimento reforça a relevância cultural, artística e turística da encenação, que reúne mais de 30 atores e atrai cerca de 15 mil pessoas a cada edição.

Sob direção do secretário de Cultura Emerson Bicudo, o espetáculo deste ano abandona a referência a versículos bíblicos específicos e assume uma identidade própria com o título “A Paixão de Cristo segundo Santa Isabel”. A proposta marca um retorno às raízes do teatro popular, com foco em uma narrativa construída pelo e para o povo.
A montagem de 2026 se inspira em obras históricas do teatro brasileiro, como “O mártir do Calvário”, texto de 1901 que marcou o circo-teatro nacional, além de referências contemporâneas como “A Rua da Amargura”, do Grupo Galpão, que ganhou versão televisiva em especial exibido pela Rede Globo.
Resgate histórico e identidade popular
A encenação dialoga com a origem medieval das representações da Paixão de Cristo, surgidas entre os séculos X e XIII na Europa como dramatizações religiosas dentro das igrejas. Com o tempo, essas apresentações migraram para espaços públicos e se tornaram manifestações comunitárias, incorporando música, figurinos e elementos culturais locais.
Essa tradição chegou à América Latina com a colonização e se consolidou como expressão cultural e religiosa. Em Santa Isabel, o espetáculo mantém esse caráter coletivo, incorporando elementos da cultura popular brasileira e regional.
Na edição de 2026, a proposta estética inclui o uso de sotaques locais, músicas regionais, figurinos artesanais e referências a manifestações como Congada, Reisado, cortejos e teatro de rua. O objetivo é aproximar o público da narrativa bíblica por meio de uma linguagem acessível e identitária.
Mudanças no elenco e proposta artística
Uma das principais novidades está no elenco. Pela primeira vez, o papel de Jesus Cristo será interpretado pelo ator Adonai Fajioni. Já Emerson Bicudo, que viveu o protagonista por mais de duas décadas, assume um novo desafio ao interpretar o personagem do Capeta.
O figurino também passa por uma reformulação completa. Peças de edições anteriores serão reaproveitadas e reconstruídas, criando uma nova identidade visual alinhada à proposta popular da montagem.
Além disso, a trilha sonora será baseada em uma pesquisa aprofundada de músicas religiosas populares, com o objetivo de reforçar a brasilidade e o caráter coletivo do espetáculo.

Tradição que movimenta cultura e turismo
Desde sua primeira edição, realizada no ano 2000 nas ruas do Jardim Cruzeiro, a encenação evoluiu e se consolidou como um dos principais eventos culturais de Santa Isabel. Atualmente realizada ao ar livre, a peça se tornou um importante vetor de turismo e valorização cultural da cidade.
A organização e a produção artística, com cenários, figurinos e trilha sonora, contribuem para criar uma experiência imersiva, que vai além da religiosidade e se afirma como expressão cultural e social.
Ao unir tradição, inovação e participação comunitária, a edição de 2026 reforça o papel da Paixão de Cristo como instrumento de democratização do acesso à arte e de fortalecimento da identidade local.
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