Acusada de esfaquear o namorado em 2022, empresária afirma que agiu em legítima defesa; vítima sobreviveu após cirurgia e dias na UTI

Erika Osti Publicado em 16/04/2026, às 16h19
Uma empresária brasileira extraditada da Espanha vai a julgamento nesta quinta-feira (16), em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, acusada de tentar matar o namorado durante uma briga em 2022. O caso, que ganhou repercussão dentro e fora do país, chega ao Tribunal do Júri com versões opostas: enquanto o Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por ciúmes e cometido sem chance de defesa da vítima, a ré afirma que agiu para se proteger de agressões e nega intenção de matar.
Aline Fernanda de Siqueira Maschietto, de 40 anos, responde por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e por dificultar a defesa da vítima. O julgamento ocorre no fórum da cidade e deve ouvir ao menos quatro testemunhas. O júri começou de manhã, por volta das 10h e é formado por cinco mulheres e dois homens.
Antes de entrar na sessão, a empresária falou pela primeira vez publicamente sobre o caso e reforçou sua versão. “Estou sendo julgada por ter sobrevivido, porque me defendi. Jamais quis matar o Diego, apenas me defendi”, afirmou.
O crime aconteceu em março de 2022, em um flat na Avenida Presidente Kennedy, na zona Leste de Ribeirão Preto. Segundo a denúncia, a discussão começou após o namorado da empresária, o estudante de medicina Diego Lima Thierbach, convidar uma garota de programa para o local. Depois que a mulher deixou o apartamento, a situação teria escalado para agressões físicas motivadas por ciúmes.
De acordo com o Ministério Público, Aline agrediu o namorado com socos e chutes e tentou atacá-lo com facas de cozinha. Ainda segundo a acusação, o estudante tentou fugir, mas foi impedido e acabou esfaqueado nas costas e nos ombros.
Funcionários do prédio relataram à polícia que ouviram gritos de socorro. Um deles afirmou que, ao tentar intervir, ouviu a vítima pedir ajuda. “Arromba, porque ela vai me matar”, teria dito o estudante, segundo depoimento.
A vítima foi socorrida em estado grave, passou por cirurgia e ficou internada por dez dias, sendo cinco deles na UTI. Depois, precisou retornar à unidade intensiva por mais quatro dias devido a uma infecção. Laudos apontaram risco de morte e sequelas permanentes.
A defesa da empresária contesta essa versão e sustenta que ela foi vítima de violência doméstica. “Aline foi vítima de violência doméstica, sofreu tentativa de feminicídio e se defendeu. Isso será demonstrado no plenário”, afirmou a advogada.
A defesa também questiona pontos da investigação e da condução do caso. “Erros primários levaram a uma suposta fuga, que resultou na prisão preventiva. Suas ações foram abarcadas por legítima defesa e isso será comprovado no processo”, disse.
O caso ainda envolve desdobramentos internacionais. Após o episódio, Aline deixou o Brasil e foi para a Espanha, onde acabou presa em 2023. Ela foi extraditada ao país em 2024. Desde o fim do mesmo ano, responde ao processo em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares.
A relação entre os dois começou em 2021, após contato por aplicativo de relacionamento. Eles voltaram a se encontrar no início de 2022, pouco antes do episódio que terminou com o estudante gravemente ferido.
O julgamento deve se estender ao longo do dia, com debates entre acusação e defesa antes da decisão dos jurados. O caso levanta discussões sobre violência em relações íntimas e a dificuldade de apuração em situações com versões conflitantes.
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