Bryan Vicente, de 4 anos, se afogou em piscina durante passeio no Centro Esportivo Pelezão, em São Paulo, no dia 24 de dezembro

William Oliveira Publicado em 09/01/2026, às 08h50
A Polícia Civil investiga a morte de Bryan Vicente, de 4 anos, que se afogou durante um passeio no Centro Esportivo Pelezão, no bairro Alto da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal. A criança estava sob a responsabilidade de monitores do Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saica), onde vivia por determinação judicial.
Imagens registradas pouco antes do ocorrido mostram Bryan brincando na piscina do centro esportivo, aparentando estar feliz e despreocupado.
Bryan vivia em situação de rua com os pais antes de ser acolhido pelo Saica da Casa Verde, na Zona Norte da capital. A família tinha autorização judicial para visitas semanais, e a retomada da guarda estava condicionada à comprovação de emprego e moradia fixa.
No dia 23 de dezembro, os pais compareceram ao abrigo para passar o Natal com o filho, mas foram informados de que a criança participava de uma atividade recreativa em um clube municipal. Na manhã seguinte, em 24 de dezembro, a família foi chamada ao Instituto Médico Legal (IML) para reconhecer o corpo do menino.
De acordo com o boletim de ocorrência, agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) encontraram uma equipe do Samu tentando reanimar a criança. Apesar dos esforços, o óbito foi constatado no local.
“Isso para mim foi uma negligência que aconteceu. Não tem um salva-vidas? Encontraram meu filho já boiando sem vida lá na piscina. Se uma criança entrou lá, ele está vendo que a criança está se afogando, o salva-vidas devia tirar a criança de lá. Ele não devia nem estar sem boia”, declarou o pai da criança, Rodrigo Augusto Vicente.
Ainda segundo o registro policial, nove crianças participavam do passeio. A orientadora do abrigo relatou que Bryan foi retirado da piscina por outra criança, já desacordado. Ele foi colocado à beira da piscina, chegou a vomitar e, em seguida, o Samu foi acionado.
A legislação municipal determina a presença obrigatória de salva-vidas ou responsáveis durante atividades em piscinas de escolas, creches e centros esportivos. No momento do incidente, havia uma monitora aquática e ao menos quatro salva-vidas no local, mas nenhum conseguiu evitar a morte da criança.
A mãe de Bryan, Talita Cristina de Moris, manifestou revolta e dor. “Quero saber o que aconteceu, o que realmente aconteceu, porque o meu filho não ia parar lá sozinho naquela piscina. Eu já fiquei na rua com meu filho, eu nunca deixei ele solto ao Deus-dará igual eles fizeram no Saica. Tomaram-no de mim para matar o meu filho, foi isso que aconteceu”, afirmou.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo lamentou o ocorrido, informou que os profissionais envolvidos foram afastados preventivamente e que o caso foi comunicado às autoridades. A administração municipal afirmou ainda que o centro esportivo contava com salva-vidas durante todo o período de funcionamento e que os protocolos de emergência foram adotados até a chegada do atendimento médico.
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