Aglomeração intensa e distração dos foliões fazem com que circuitos tradicionais liderem os registros de ocorrências durante a folia na capital

Erika Osti Publicado em 13/02/2026, às 15h04
O carnaval de São Paulo, que atraiu cerca de 16 milhões de foliões em 2025, também evidenciou um aumento nos roubos de celulares, com quase 20% das ocorrências ocorrendo nos trajetos dos megablocos.
Durante os oito dias de festividades, foram registrados 6.067 casos de roubos e furtos de celulares, com as áreas mais afetadas sendo a Avenida Pedro Álvares Cabral e a Rua da Consolação, que concentram a maior parte dos crimes.
Em resposta ao aumento da criminalidade, a Secretaria da Segurança Pública intensificou o policiamento nas regiões mais afetadas e implementou tecnologias como câmeras e drones para monitoramento, visando melhorar a segurança nos próximos carnavais.
Milhões de pessoas ocupando as ruas fazem do carnaval de São Paulo um dos maiores do país. Mas, em meio à celebração, a festa também expõe um problema recorrente: os roubos de celulares. O levantamento do g1 aponta que quase 20% dos roubos e furtos de aparelhos registrados durante o carnaval de 2025 aconteceram nos trajetos dos megablocos, justamente onde a concentração de foliões é maior.
Ao todo, a capital paulista contabilizou 6.067 ocorrências envolvendo celulares ao longo dos oito dias de folia, considerando pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. Desse total, 1.145 registros ocorreram apenas nos 11 circuitos de megablocos analisados, segundo dados extraídos dos boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública.
A estimativa da Prefeitura é que cerca de 16 milhões de pessoas tenham participado do carnaval de rua em 2025, distribuídas entre mais de 600 blocos espalhados por todas as regiões da cidade. Esse volume de público ajuda a explicar por que áreas específicas concentram a maior parte dos crimes.
Entre as vias com mais registros de roubos e furtos de celulares estão a Avenida Pedro Álvares Cabral, a Rua da Consolação, a Avenida Marquês de São Vicente, a Rua Augusta e a Praça da República. Todas fazem parte de trajetos tradicionais de megablocos, como o Pipoca da Rainha, comandado por Daniela Mercury, e o Acadêmicos do Baixo Augusta.
Somente a Avenida Pedro Álvares Cabral concentrou 329 ocorrências. Na sequência aparecem a Rua da Consolação, com 241 registros, e a Avenida Marquês de São Vicente, com 198 casos. Curiosamente, a Avenida Paulista, que costuma liderar estatísticas de crimes ao longo do ano, apareceu apenas na oitava posição durante o carnaval, já que não recebe desfiles, apesar de estar próxima a importantes circuitos.
Entre os bairros, República e Consolação lideraram o ranking de ocorrências. Juntos, os dez bairros com mais registros somaram 45% de todos os casos contabilizados na cidade, com maior concentração no Centro, na Zona Oeste e em partes da Zona Sul.
Especialistas apontam que a combinação de aglomeração, consumo de álcool e distração dos foliões cria um ambiente favorável à atuação de criminosos. Em nota, a SSP informou que reforçou o policiamento nas áreas citadas e destacou quedas nos índices de roubos e furtos durante o período analisado, além do uso de câmeras, drones e ações de monitoramento em tempo real para os próximos carnavais.
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