Em maio deste ano, durante a partida entre São Paulo e Libertad, válida pela Libertadores, três torcedores foram gravemente feridos no Estádio do Morumbi após o desprendimento de uma placa metálica

William Oliveira Publicado em 16/12/2025, às 10h55
A Justiça do Estado de São Paulo determinou que o São Paulo Futebol Clube (SPFC) e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) paguem pensão alimentícia mensal provisória de R$ 8 mil a três torcedores que sofreram ferimentos graves devido ao desprendimento de uma placa metálica durante uma partida no Estádio do Morumbi.
O incidente ocorreu em maio, quando Ivan Bezerra da Silva, caminhoneiro, e seus dois filhos foram atingidos enquanto assistiam ao jogo entre São Paulo e Libertad, do Paraguai, válido pela Libertadores. Após o acidente, Ivan ficou internado por 18 dias, sendo 14 deles em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com traumatismo cranioencefálico severo.
Segundo o advogado da família, Eduardo Barbosa, Ivan apresenta sequelas neurológicas permanentes, como paralisia facial, dificuldades motoras, lapsos de memória e alto risco de convulsões. A decisão da 3ª Vara Cível do Foro do Butantã, proferida na segunda-feira (15), garante a pensão alimentícia e inclui Ivan e seus familiares em plano de saúde para tratamentos médicos necessários.
A Documentação médica apresentada no processo mostra a gravidade das lesões, incluindo cirurgias complexas como craniectomia descompressiva e drenagem de hematoma intracraniano. Ele esteve afastado do trabalho por pelo menos 90 dias, conforme relatórios recentes.
"Os documentos médicos juntados evidenciam, em cognição sumária, a gravidade do evento narrado, com submissão do autor Ivan a craniectomia descompressiva, drenagem de hematoma intracraniano e quadro neurológico relevante, além de afastamento das atividades laborais por período mínimo de 90 dias, conforme relatório médico recente", afirmou a juíza Mônica Lobo.
Além disso, clube e Conmebol estão sujeitos ao pagamento de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento da decisão judicial.
Desde o acidente, Ivan segue em reabilitação neurológica. Em novembro, passou por cranioplastia e ainda não há previsão de recuperação completa. Antes do incidente, ele trabalhava como caminhoneiro e recebia média mensal de R$ 12 mil, atualmente está incapacitado para o trabalho e depende de apoio financeiro de familiares e amigos, acumulando dívidas.
O contato com o SPFC foi realizado, porém, até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto.
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