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Saúde e Bem-Estar

Janeiro Seco ganha força e estudo aponta benefícios de um mês sem álcool

Pesquisa internacional indica melhora no sono, humor e saúde cardiovascular, além de redução do consumo a longo prazo.

Movimento Janeiro Seco propõe um mês sem álcool como forma de repensar hábitos e melhorar a saúde - Imagem: Reprodução
Movimento Janeiro Seco propõe um mês sem álcool como forma de repensar hábitos e melhorar a saúde - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 07/01/2026, às 11h10


Após um período marcado por festas e confraternizações, muitas pessoas optam por começar o ano aderindo ao Janeiro Seco (Dry January) — movimento que propõe a abstinência total de álcool durante o primeiro mês do ano. Mais do que uma tendência, a prática vem ganhando respaldo científico.

Um estudo publicado em dezembro na revista Alcohol and Alcoholism aponta que ficar 30 dias sem consumir bebidas alcoólicas pode trazer benefícios concretos à saúde física e mental, além de ajudar a reduzir o consumo de álcool ao longo da vida.

A pesquisa analisou 16 estudos anteriores, reunindo dados de mais de 150 mil participantes que aderiram ao Janeiro Seco. O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos sobre Álcool e Dependência (CAAS).

Os resultados indicam que participantes que ficaram um mês sem beber apresentaram melhora na qualidade do sono, no humor, na pressão arterial, na função hepática e até na perda de peso. Também foram relatados mais energia, maior concentração e sensação geral de bem-estar.

Segundo Megan Strowger, principal autora do estudo, o impacto vai além do período de abstinência. “Participar do Janeiro Seco permite que as pessoas façam uma pausa e repensem sua relação com o álcool, inclusive como ele afeta a saúde física, mental e a vida social”, afirmou em comunicado.

O estudo também observou que muitos participantes passaram a adotar uma moderação sustentada, reduzindo o consumo mesmo após o fim do desafio. Apesar disso, uma pequena parcela relatou dificuldade em completar o mês e aumento posterior do consumo — efeito considerado pontual pelos pesquisadores.

Tendência global de redução do consumo

Os dados reforçam uma mudança de comportamento observada no Brasil e no mundo. Segundo a pesquisa “Álcool e Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, divulgada pelo CISA, 64% da população brasileira se declarou abstêmia em 2025, contra 55% em 2023.

A redução é mais expressiva entre os jovens adultos. Entre brasileiros de 18 a 24 anos, o índice de abstinência subiu de 46% para 64% em dois anos. Já na faixa de 25 a 34 anos, passou de 47% para 61%.

Nos Estados Unidos, levantamento da Gallup mostra que apenas 54% dos adultos consomem álcool, o menor índice já registrado. Em escala global, estudo da britânica Drinkaware revelou que 26% dos jovens se consideram totalmente abstêmios.

Para a pesquisadora Suzanne M. Colby, o cenário reflete uma mudança cultural. “Hoje há mais apoio para um estilo de vida sem álcool. Ser curioso sobre a sobriedade ou não beber é mais socialmente aceito, em parte graças às redes sociais e influenciadores que compartilham esses benefícios”, avalia.


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