Parlamentar trans brasileira acusa os EUA de violar sua identidade ao emitir documento oficial com o gênero masculino

William Oliveira Publicado em 16/04/2025, às 10h39
Recentemente, o governo dos Estados Unidos emitiu um visto de entrada para a deputada federal brasileira Erika Hilton (PSOL), registrando seu gênero como masculino. Erika se destaca por ser uma das primeiras parlamentares trans a integrar a Câmara dos Deputados do Brasil.
Em 2023, antes do atual governo Trump, a parlamentar já havia obtido um visto semelhante, que respeitava sua identidade de gênero como mulher. Sua viagem atual estava motivada por um convite para participar da Brazil Conference at Harvard & MIT 2025, realizada em Cambridge, Massachusetts. A Presidência da Câmara autorizou sua ida como parte de uma missão oficial.
Normalmente, o processo de solicitação de visto para viagens institucionais é simplificado, com a própria Câmara realizando o pedido diretamente à embaixada do país de destino. No entanto, a equipe de Erika Hilton relatou que houve entraves devido a novas diretrizes adotadas pelo governo americano. Inicialmente, foi solicitado que ela entrasse com pedido de visto de turista.
Após esclarecimentos sobre o caráter oficial da viagem, o visto foi concedido. Contudo, o documento emitido em 3 de abril indicava erroneamente o sexo masculino. Segundo Erika, em nenhum momento foram fornecidas informações que justificassem essa classificação.
A assessoria da deputada informou que não há possibilidade legal de recorrer, já que a decisão sobre a emissão do visto é uma prerrogativa do governo norte-americano. Para Erika Hilton, o episódio representa uma questão diplomática séria.
“É absurdo que o ódio que Donald Trump nutre e estimula contra as pessoas trans tenha esbarrado em uma parlamentar brasileira indo fazer uma missão oficial em nome da Câmara dos Deputados”, afirmou.
Ela classificou o ocorrido como uma forma de violência e desrespeito, destacando que a medida fere documentos oficiais do Brasil e reflete a prática de transfobia institucional por parte das autoridades americanas. “Quando praticada nos Estados Unidos, ainda pede uma resposta das autoridades e do Poder Judiciário americano. Mas quando invade um outro país, pede também uma resposta diplomática, uma resposta do Itamaraty”, completou.
Diante da situação, Erika optou por não utilizar o visto e cancelou sua participação no evento. O caso acontece em um contexto de crescente restrição à identidade de gênero nos Estados Unidos e da exclusão de referências à comunidade LGBTQ+ dos canais oficiais durante a administração Trump.
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