Celso Araujo Sampaio de Novais, de 41 anos, é o segundo a perder a vida após o atentado que tirou a vida do delator do PCC Antônio Vinicius Lopes Gritzbach

por Marina Milani
Publicado em 10/11/2024, às 08h35
A violenta execução do empresário Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), no Aeroporto Internacional de São Paulo, ganhou contornos ainda mais trágicos neste sábado (9). A segunda vítima fatal do atentado, o motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, de 41 anos, não resistiu aos ferimentos após ser atingido nas costas por um tiro de fuzil. Internado em estado grave desde o ataque, ele faleceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Guarulhos. Pai de três filhos e morador de Guarulhos, Novais deixa família e amigos em choque com a brutalidade do ocorrido.
O ataque aconteceu à luz do dia, por volta das 16h, na área de desembarque do Terminal 2 do aeroporto. Gritzbach, que retornava de Maceió acompanhado da namorada, foi alvejado por dois homens que desceram de um carro preto, efetuando ao menos 29 disparos com armas de diferentes calibres. Ele foi atingido em múltiplas regiões do corpo, incluindo rosto, tórax e braços, sem chance de reação. O empresário era considerado uma peça-chave em investigações de lavagem de dinheiro envolvendo o PCC e havia fechado um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para detalhar esquemas internos da facção.
A execução, flagrada por câmeras de segurança e celulares de passageiros, mostrou o pânico generalizado dentro do aeroporto, onde outras duas pessoas foram feridas: um funcionário terceirizado, que teve lesões na mão, e uma mulher de 28 anos, atingida de raspão no abdômen, mas que já recebeu alta.
Armas e carro abandonado
Na manhã de sábado (09), a Polícia Civil apreendeu um fuzil e uma pistola a cerca de 7 km do aeroporto, em Guarulhos, próximos ao carro abandonado utilizado na fuga. Ainda não há confirmação pericial se essas armas foram de fato as usadas no crime, mas as evidências levantam suspeitas sobre uma ação planejada e de alto risco.
Controvérsias na segurança
Gritzbach havia recusado propostas do MP para obter proteção oficial, preferindo contratar quatro seguranças privados, todos policiais militares. No entanto, nenhum dos seguranças estava presente no aeroporto no momento do ataque. Em depoimento, dois dos policiais alegaram problemas com os veículos que deveriam buscar o empresário e sua namorada no desembarque. Um deles teria tido uma falha de ignição, enquanto o outro fez meia-volta para deixar um ocupante em um posto de combustível.
A versão foi recebida com desconfiança pelos investigadores, que suspeitam de uma falha deliberada ou, possivelmente, de um envolvimento mais profundo dos seguranças no caso. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga essa hipótese como uma das linhas principais do caso, levantando questões sobre a segurança oferecida ao delator.
Gritzbach, que já havia enfrentado ameaças de morte, desempenhava papel crucial nas investigações contra o PCC. Nos últimos depoimentos, ele chegou a acusar membros do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do Departamento de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) de extorsão e envolvimento com a facção criminosa. Essas denúncias envolveram até um delegado do DHPP, que Gritzbach alegou ter exigido dinheiro para não o incriminar na morte de um integrante do PCC conhecido como "Cara Preta".
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