Diário de São Paulo
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RETRATAÇÃO

Estudantes se retratam após exporem caso de paciente: "Sentimos muito"

Vídeo gerou revolta na família da jovem, que pediu retratação pública e registrou queixa na polícia por injúria

Gabrielli Farias e Thaís Caldeiras são acusadas de zombar da trajetória de Vitória Chaves, que faleceu após complicações de saúde - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal
Gabrielli Farias e Thaís Caldeiras são acusadas de zombar da trajetória de Vitória Chaves, que faleceu após complicações de saúde - Imagem: Reprodução / Arquivo pessoal

William Oliveira Publicado em 13/04/2025, às 15h55


Duas alunas de Medicina, Gabrielli Farias de Souza e Thaís Caldeiras Soares Foffano, estão no centro de uma polêmica após a divulgação de um vídeo no TikTok em que comentam o caso de Vitória Chaves da Silva, jovem que faleceu em fevereiro deste ano, em São Paulo. A gravação gerou indignação na família da paciente, que acusou as estudantes de fazerem comentários desrespeitosos e irônicos sobre a trajetória clínica de Vitória.

Confira:

Vitória enfrentava uma grave cardiopatia congênita e passou por três transplantes de coração no Instituto do Coração (InCor). No vídeo, as alunas alegam que um dos transplantes teria falhado por suposta falta de adesão ao tratamento medicamentoso. Também fazem uma referência pejorativa, comparando a paciente a alguém com “sete vidas”.

A família de Vitória pediu uma retratação pública e registrou queixa na delegacia. A Polícia Civil instaurou um inquérito por injúria. Em entrevista ao portal g1, as alunas afirmaram que não tinham a intenção de ofender ou expor a paciente, mas apenas compartilhar, de forma acadêmica, um caso raro que conheceram durante atividades de extensão.

“Estamos vindo a público para dizer para a família que sentimos muito pela perda e deixar claro que a intenção do vídeo jamais foi expor. A única intenção do vídeo foi demonstrar surpresa por um caso muito raro que tomamos conhecimento dentro de um ambiente de prática e aprendizagem médica”, explicaram. Elas também disseram que não tiveram acesso ao prontuário e desconheciam o nome completo da paciente.

Giovana Chaves, irmã de Vitória, demonstrou revolta com o conteúdo publicado apenas nove dias antes da morte da jovem. Segundo ela, o vídeo causou dor à família e manchou a imagem de Vitória. “Foi um choque ver como trataram a história dela”, afirmou.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando as universidades das alunas divulgaram notas lamentando o ocorrido e reafirmando o compromisso com a ética profissional. A Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), à qual pertence o InCor, esclareceu que as estudantes não são da instituição, mas participaram de um curso de extensão.

“A FMUSP repudia com veemência qualquer forma de desrespeito a pacientes e reafirma o compromisso inegociável com a ética, a dignidade humana e os valores que norteiam a boa prática médica”, afirmou a instituição.

O Ministério Público também acompanha o caso e analisa possíveis desdobramentos. Segundo o delegado Marco Antonio Bernardo, as estudantes serão ouvidas nas próximas semanas.

A história de Vitória, marcada por força e luta contra uma condição rara, merece ser lembrada com respeito e empatia. Diagnosticada com a Anomalia de Ebstein logo após o nascimento, em Luziânia (GO), Vitória passou por diversas cirurgias e internações até sua última batalha, travada no InCor, onde permaneceu por um longo período antes de falecer.

Confira o pronunciamento das estudantes na íntegra:


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