Comissão de alunos da USP, Unesp e Unicamp foi recebida pela Casa Civil após ato cobrar melhorias nas universidades e criticar ações do governo estadual

Letícia Sales Publicado em 21/05/2026, às 10h43
Após uma caminhada que reuniu milhares de estudantes pelas ruas da capital paulista, representantes das universidades estaduais de São Paulo foram recebidos pela Casa Civil na noite desta quarta-feira (20), no Palácio dos Bandeirantes. O encontro ocorreu depois de cerca de quatro horas de manifestação organizada por alunos em greve da Universidade de São Paulo, da Universidade Estadual Paulista e da Universidade Estadual de Campinas.
Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, a comissão foi formada por seis representantes estudantis, dois advogados e pela deputada estadual Mônica Seixas.
O grupo saiu do Largo da Batata, na Zona Oeste da capital, por volta das 16h15, e seguiu até a sede do governo paulista. Os organizadores afirmam que cerca de 30 mil pessoas participaram da mobilização.
Reivindicações e críticas ao governo
Os estudantes reivindicam melhorias estruturais nas universidades, ampliação de políticas de permanência estudantil e contratação de funcionários, principalmente para o Hospital Universitário da USP.
Além das demandas acadêmicas, o protesto também reuniu críticas à privatização da Sabesp, das linhas da CPTM e do Metrô, à ampliação dos pedágios do tipo free flow e à atuação policial nas periferias paulistas.
Ao chegar ao Palácio dos Bandeirantes, por volta das 19h, os manifestantes encontraram um bloqueio montado pela Polícia Militar em frente ao prédio. Após negociação, a entrada da comissão foi autorizada por volta das 20h30.
Greve se arrasta há quase um mês
As paralisações atingem diferentes cursos e campi das três universidades estaduais há cerca de um mês. Na USP, estudantes do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) denunciam problemas estruturais graves nos prédios.
Relatos apontam infiltrações, mofo, vazamentos de gás, iluminação precária e falta de manutenção em áreas coletivas.
Na Unesp, alunos do Instituto de Artes, na Barra Funda, também aderiram à greve e cobram ampliação de serviços noturnos, como atendimento médico e funcionamento da biblioteca até o fim das aulas.
A mobilização ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito durante uma palestra realizada no período noturno, em abril. Segundo estudantes, não havia profissionais de saúde disponíveis no campus no momento do atendimento.
Tensão com a PM marcou atos anteriores
Nos últimos dias, manifestações estudantis também registraram episódios de confronto. Em ato realizado em frente à Secretaria Estadual da Educação, no Centro de São Paulo, a Polícia Militar utilizou bombas de gás para dispersar manifestantes.
Na ocasião, os vereadores Rubinho Nunes e Adrilles Jorge participaram do protesto e se envolveram em discussões e agressões durante a confusão.
Já no início do mês, estudantes relataram ação policial violenta durante a desocupação da reitoria da USP, no campus do Butantã. Vídeos gravados pelos alunos mostram policiais utilizando cassetetes, escudos e bombas de efeito moral.
Em nota, a reitoria da USP afirmou que a desocupação ocorreu sem comunicação prévia e declarou:
“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário.”
A Polícia Militar informou que a ação foi acompanhada por câmeras corporais e declarou que “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.
Já a Unesp afirmou que não foi procurada oficialmente pelos estudantes, mas disse que as reivindicações serão debatidas em reunião do Conselho de Reitores. A Unicamp declarou que mantém diálogo permanente com entidades estudantis e destacou políticas de permanência universitária.
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