Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, acusado de integrar uma rede estruturada de exploração sexual infantil

William Oliveira Publicado em 11/02/2026, às 07h43
A esposa do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que desconhecia totalmente as atividades criminosas atribuídas ao marido. De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), a mulher — que é psicóloga — relatou estar em estado de choque, sobretudo porque o casal havia retornado recentemente de viagem de lua de mel.
“É uma cena muito triste de ver. Está horrorizada, se sente culpada de nunca ter percebido. Ela não sabe o que vai ser da vida dela. [...] Ela é psicóloga. Imagina a loucura que está”, declarou a delegada durante coletiva de imprensa. Este é o segundo casamento do piloto, que tem filhos da união anterior.
As investigações, que se estenderam por cerca de três meses, apontam que Sérgio mantinha um esquema estruturado e meticuloso de exploração sexual. Segundo a Polícia Civil, ele utilizava documentos falsos para levar crianças e adolescentes a motéis e se comunicava diretamente com responsáveis pelas vítimas — incluindo mães e avós — por meio do WhatsApp.
O funcionamento da rede seguia um padrão organizado:
A prisão ocorreu na manhã de segunda-feira (9), dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na capital paulista. De acordo com a polícia, a abordagem foi realizada no terminal após dificuldades para localizar o suspeito em sua residência, em Guararema, na região metropolitana.
Com acesso à escala de voos da companhia aérea, os investigadores interceptaram o piloto momentos antes da decolagem do voo LA3900, que seguiria para o Rio de Janeiro.
Até o momento, dez vítimas foram identificadas no estado de São Paulo. No entanto, a Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o número seja maior. Materiais apreendidos no celular do investigado indicam a possível existência de vítimas em outros estados e sugerem que ele não apenas consumia, mas também compartilhava o material com terceiros.
A operação resultou ainda na prisão temporária da avó de três vítimas, identificada como Denise Moreno, de 55 anos, e na prisão em flagrante de uma mãe, suspeita de armazenar material de abuso sexual infantil.
Em nota, a Latam Airlines Brasil informou que abriu procedimento interno para apurar o caso, afastou o colaborador de suas funções e declarou repúdio a qualquer prática criminosa, afirmando que está colaborando integralmente com as autoridades.
Os investigados podem responder por crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição infantil, produção e compartilhamento de material de abuso sexual e organização criminosa.
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