Parlamentares classificaram o e-mail como uma tentativa de silenciar mulheres na política, exigindo políticas públicas contra a violência de gênero

William Oliveira Publicado em 03/06/2025, às 08h00
Na manhã do último sábado (31), todas as deputadas estaduais da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foram alvo de um e-mail contendo ameaças de morte e estupro. A mensagem, de teor violento e ofensivo, mencionava nominalmente algumas parlamentares e utilizava linguagem misógina, racista e capacitista. A ocorrência foi imediatamente reportada à Polícia Civil e à presidência da Casa.
O presidente da Alesp, André do Prado (PL), manifestou solidariedade às deputadas por meio de nota oficial. Ele declarou que "nenhuma agressão pode ser tolerada" e informou que, sob sua orientação, as Polícias Civil e Militar foram acionadas para investigar o caso.
Em resposta, as parlamentares divulgaram uma declaração conjunta, classificando o e-mail como uma tentativa de silenciar mulheres que ocupam espaços de poder na política brasileira. Elas reforçaram a necessidade urgente de políticas públicas que enfrentem a violência política de gênero.
“Trata-se de uma nítida tentativa de silenciar mulheres em um ataque misógino, racista e capacitista em uma situação que, embora nos cause choque, infelizmente, é mais uma expressão de ódio e de violência a mulheres que buscam ocupar espaços de poder na política de nosso país”, afirmaram as deputadas.

A deputada Andréa Werner (PSB) destacou que "o e-mail representa um ataque direto ao direito das mulheres de exercerem suas funções na política institucional, um espaço já tão restrito na Alesp, onde apenas 24 dos 94 deputados são mulheres". Ela também observou que o ataque atinge grupos historicamente vulneráveis, como pessoas com deficiência, negras e idosas.
Werner ainda ressaltou a urgência de políticas públicas eficazes sobre o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens, afirmando que não é aceitável que criminosos atuem impunemente tanto no ambiente digital quanto fora dele.
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