Renato Tatagiba foi condenado a mais de dois anos de prisão, após Shirian Saraeian ser diagnosticada com cegueira súbita

William Oliveira Publicado em 22/01/2025, às 10h14
O cirurgião plástico Renato Tatagiba, foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão em regime aberto, após causar a perda parcial da visão de uma paciente.
A sentença foi proferida pela juíza Juliana Trajano de Freitas Barão, na última sexta-feira (17), em primeira instância, e cabe recurso. Além da pena de detenção, Tatagiba foi condenado a pagar uma multa de 50 salários-mínimos e a indenizar a vítima em R$ 300 mil.
A paciente, a iraniana-brasileira Shirian Saraeian, realizou uma abdominoplastia e uma lipoescultura com o médico em 30 de abril de 2021, no Hospital Saint Peter, em São Paulo. Apenas três semanas depois, em 21 de maio, Shirian foi diagnosticada com cegueira súbita. Segundo a ação movida contra o cirurgião, Shirian o contratou por meio da internet, onde o médico, com quase 170 mil seguidores no Instagram, se apresenta como experiente, afirmando já ter realizado mais de 25 mil cirurgias.
Antes dos procedimentos, a paciente passou por exames que indicaram boa saúde, sem nenhuma comorbidade. No entanto, após acordar da cirurgia, Shirian passou a sentir dificuldade para respirar e tontura. Dois dias depois, perdeu a visão do olho esquerdo, e logo o direito também começou a ser afetado. A defesa da paciente alega que ela tentou contatar o médico várias vezes, mas não obteve resposta imediata. Em uma das tentativas, uma assessora do cirurgião teria dito que "a cirurgia não tem absolutamente nada a ver com os olhos", sugerindo que os problemas de visão não eram relacionados aos procedimentos realizados.
Sentindo-se cada vez mais fraca e com a visão em deterioração, Shirian procurou um neuro-oftalmologista, que suspeitou de anemia aguda pós-operatória. Exames subsequentes mostraram que ela havia perdido cerca de 60% do sangue durante a cirurgia. Ela foi internada no Hospital Edmundo Vasconcelos, onde os médicos confirmaram a cegueira total do olho esquerdo e uma perda significativa da visão no olho direito. De acordo com os laudos médicos, Shirian perdeu completamente a visão do olho esquerdo e cerca de dois terços do olho direito.
Durante o julgamento, a juíza Juliana Trajano de Freitas Barão considerou que o cirurgião não assumiu a responsabilidade adequada pelo acompanhamento pós-operatório, o que contribuiu para os danos à saúde de Shirian. O advogado da paciente, Rodrigo Martini, apresentou laudos de especialistas que apontam a relação entre a conduta do médico e a perda de visão da mulher, o que foi aceito pela justiça.
A defesa de Renato Tatagiba, por sua vez, considerou a sentença "inconcebível", alegando que as provas apresentadas no processo não justificam a condenação. Eles já estão preparando o recurso, confiantes de que a decisão será revertida em instâncias superiores.
Além deste processo, Tatagiba enfrenta diversas ações judiciais em outros estados, como Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo que a maioria das acusações é relacionada a erros médicos. Em um caso no Espírito Santo, o médico já foi condenado em segunda instância por lesão corporal, com sentença em regime aberto. Ele também é alvo de outras ações cíveis e processos administrativos no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), que apura sua conduta profissional.
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