Defesa do suspeito contesta confissão e alega coerção durante interrogatório, enquanto reconstituição está agendada

por Marina Milani
Publicado em 17/04/2025, às 11h18
A polícia continua a investigar o assassinato de Vitória Sousa, cuja morte chocou a comunidade de Cajamar, na Grande São Paulo. Desde a prisão de Maicol Santos, principal suspeito do crime, no dia 8 de março, as autoridades aguardam os resultados dos exames periciais para solicitar a conversão da prisão temporária em preventiva.
Laudos periciais revelaram a presença de sangue da jovem na residência de Maicol, além de vestígios de DNA encontrados em seu veículo. Essas evidências fortalecem o caso contra o acusado, que deve ser indiciado por homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver.
Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (16), os policiais informaram que as análises laboratoriais foram cruciais para o andamento das investigações. O material coletado inclui amostras de sangue localizadas no batente da porta do banheiro da casa do suspeito, corroborando a hipótese de que ele agiu sozinho no crime.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que Vitória sofreu lesões fatais resultantes de hemorragia interna e externa. Os detalhes sobre sua morte são alarmantes: a jovem desapareceu em 27 de fevereiro após deixar seu trabalho em um shopping e seu corpo foi descoberto apenas em 5 de março.
A reconstituição dos eventos está agendada para 24 de abril, mas antes disso, Maicol passará por uma avaliação psiquiátrica. Vale destacar que a defesa do acusado manifestou objeções à realização da reconstituição, alegando que ele foi coagido durante o interrogatório onde confessou o crime. A confissão foi registrada em vídeo, e segundo os advogados, Maicol não estava assistido por um advogado presente no momento da gravação.
Após sua detenção, o suspeito declarou que foi obrigado a confessar e gravou um áudio acusando um delegado de coercão. A defesa analisa a possibilidade de utilizar essa gravação como base para solicitar a anulação da confissão perante a Justiça.
Os detalhes que emergiram durante a investigação indicam que Maicol teria cometido o crime por medo de que Vitória revelasse seu relacionamento extraconjugal à esposa. Em sua confissão, ele afirmou ter esfaqueado a jovem após uma discussão no carro, onde alegou ter sido agredido por ela. "Comecei a conversar com ela sobre não contar à minha esposa. Nisso, ela se alterou e começou a brigar", relatou Maicol no vídeo. "Aí, no momento da exaltação, eu acabei desferindo golpes no pescoço dela."
Após cometer o ato violento, Maicol decidiu enterrar o corpo da vítima na mata próxima à sua casa. A investigação ainda não encontrou sinais de luta dentro do veículo utilizado por ele.
Em meio a esse trágico evento, as autoridades continuam alertas sobre comportamentos obsessivos associados ao caso, considerando que Maicol pode ter atuado como um stalker em relação à vítima.
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